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O final do filme Revelações tem deixado muitos espectadores sem fôlego após os créditos, especialmente pela densidade emocional e pelo desenrolar psicológico da trama. O longa sul-coreano chegou recentemente à Netflix e rapidamente entrou para a lista dos mais assistidos entre os usuários da plataforma de streaming.
A história gira em torno do desaparecimento de uma jovem e do confronto entre fé, trauma e obsessão, sem oferecer respostas fáceis ao público.
Três personagens, três motivações: o conflito central do filme
A narrativa de Revelações é conduzida por três personagens marcados por experiências extremas e que se cruzam após o desaparecimento da garota A-yeong. Sung Min-chan é um pastor em crise que enxerga nas desgraças alheias uma chance de reafirmar sua fé e justificar suas decisões mais radicais.
Kwon Yang-rae é um ex-presidiário acusado de crimes sexuais que, mesmo em liberdade, segue carregando o estigma de monstro aos olhos da sociedade. Lee Yeon-hui é uma detetive atormentada pela culpa, desde o suicídio de sua irmã, que também foi vítima de Yang-rae anos antes.
Ao longo do filme, cada um desses personagens tenta preencher o vazio deixado pela dor com certezas absolutas — algumas das quais perigosas. Esse jogo de crenças e acusações leva o trio a uma espiral de tensão, desconfiança e decisões que flertam com o extremismo e a autodestruição.
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Fé, delírios e traumas moldam o comportamento dos personagens
Aos poucos, Revelações mostra como as convicções religiosas de Min-chan o levam a interpretar sinais banais como ordens divinas. Imagens de santos em manchas na parede ou cruzes iluminadas por relâmpagos servem como justificativas para atos cada vez mais extremos.
Yang-rae, por outro lado, parece conviver com visões monstruosas ligadas à própria infância e aos abusos que sofreu em um quarto com uma janela circular. Essa janela, referida por ele como “o monstro de um olho só”, aparece repetidamente como símbolo dos traumas que ele jamais conseguiu superar.
Yeon-hui, enquanto investiga o caso, passa a ter visões da irmã morta, o que reforça a ideia de que os fantasmas pessoais são reais para quem sofre. A narrativa, então, oscila entre o que é alucinação e o que é realidade, desafiando o público a interpretar cada gesto e cada fala dos envolvidos.
Atuações, direção e mensagens por trás do suspense psicológico
O diretor Yeon Sang-ho se destaca por apresentar um thriller sem elementos sobrenaturais explícitos, mas com forte carga simbólica e psicológica. Com carreira marcada por obras como Invasão Zumbi e Profecia do Inferno, ele aposta aqui em um terror mais humano e intimista.
Ryu Jun-yeol vive Min-chan com complexidade: seu personagem oscila entre o carismático e o perigoso, entre o protetor e o violento. Shin Hyun-been também se destaca como Yeon-hui, dando profundidade a uma mulher que luta contra a culpa e tenta manter a sanidade diante do caos. Já Shin Min-jae, como Yang-rae, entrega uma atuação inquietante, marcada por silêncios, olhares e uma postura que provoca desconforto constante.
O roteiro, baseado em um quadrinho coreano, propõe discussões sobre justiça, perdão e como a fé pode ser distorcida para justificar violências.

Afinal, quem estava por trás dos sequestros?
No final do filme Revelações, a verdade vem à tona por meio de uma sequência de pistas deixadas por Yang-rae momentos antes de morrer. Ele menciona que “o monstro de um olho só devorou a menina”, o que inicialmente parece apenas mais uma fala sem sentido.
No entanto, Yeon-hui descobre que a tal criatura simboliza uma janela circular ligada ao local onde Yang-rae sofreu abusos na infância. Com essa informação, ela localiza A-yeong viva, amarrada em uma casa prestes a ser demolida, e consegue resgatá-la a tempo.
Portanto, Yang-rae era o responsável pelo sequestro, motivado por traumas não resolvidos e pela repetição inconsciente de seu próprio sofrimento. Min-chan, por sua vez, termina preso e confrontado com a falência de suas certezas religiosas, sem saber mais distinguir fé de delírio.
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