Quando a gente dá play num romance adolescente na Netflix, geralmente já sabe o que esperar: algo leve, feito para passar o tempo e, muitas vezes, cheio de clichês esquecíveis. Mas o longa filipino “18 Rosas” (18th Rose), que chegou à plataforma nesta quinta-feira (9), é uma daquelas gratas surpresas que entregam muito mais do que prometem.
Dirigido e coescrito por Dolly Dulu, o filme começa com uma vibe bem descontraída e vai, aos poucos, ganhando um peso emocional que pega o espectador totalmente desprevenido. É uma obra que prova que histórias sobre a juventude ainda podem ter muita alma.
Sinopse
A trama nos leva para os cenários da província de Romblon e gira em torno de Rose (Xyriel Manabat), uma garota cheia de energia que tem um único grande foco: realizar a festa perfeita de 18 anos, o tradicional “debut” filipino, que marca a passagem para a vida adulta. O problema é que a realidade financeira dela não colabora com os seus grandes sonhos.
A solução cai do céu quando ela esbarra em Jordan (Kyle Echarri), um jovem recém-chegado à ilha, que é solitário e carrega suas próprias bagagens emocionais. Os dois decidem fechar um acordo bem prático: ele ajuda a bancar a festa e, em troca, ela o ajuda a se reconectar com seu pai distante. Como é de se imaginar, o que era para ser apenas um trato de conveniência acaba sendo atropelado por revelações e sentimentos que fogem totalmente do controle deles.
Crítica do filme 18 Rosas, da Netflix
Uma química de milhões
Se tem algo que faz o filme realmente brilhar e convencer quem está assistindo, é a conexão absurda entre os protagonistas. E isso faz todo o sentido, já que Xyriel e Kyle são muito amigos na vida real e passaram anos construindo uma dinâmica divertida fora das telas. Xyriel, em seu primeiro papel principal num longa, entrega uma Rose cheia de força, calor e leveza.
Porém, quem rouba a cena e surpreende é Kyle Echarri. A entrega dele para o personagem Jordan traz uma intensidade e um crescimento que facilmente marcam o papel mais expressivo de sua carreira até aqui.

Nostalgia e a ausência das redes sociais
Um baita acerto da direção e do roteiro é situar a história no início dos anos 2000. Numa época sem redes sociais no bolso de todo mundo, os encontros entre os personagens acontecem de forma inevitável e crua.
Eles não têm a opção de simplesmente dar um “block” ou ignorar uma mensagem quando as coisas ficam difíceis; precisam encarar os problemas e os sentimentos de frente. Isso deixa o desenvolvimento do romance muito mais intenso e sem atalhos fáceis, gerando uma experiência mais íntima.
Muito além da festa de debutante
“18 Rosas” se recusa a ficar preso àquela velha e básica pergunta de “será que eles vão terminar juntos?”. A festa de debutante funciona, na verdade, como um rito de passagem simbólico. O filme usa a organização do evento para falar sobre as pressões da família, responsabilidade e a transição agridoce para a vida adulta.
O mais legal é que a narrativa não precisa forçar um drama artificial para prender a atenção. Os conflitos nascem da própria insegurança dos personagens e daquela sensação incômoda que o primeiro amor traz, bagunçando as certezas de quem eles achavam que deveriam ser.
Conclusão
No fim das contas, “18 Rosas” é o tipo de filme que se instala de mansinho e fica com você mesmo depois de a tela escurecer. Ele evita as fórmulas mastigadas do streaming para entregar uma experiência super sincera, sensível e realista sobre as dores e alegrias do amadurecimento.
Se você curte histórias emocionantes sobre juventude, que apostam no afeto e fogem de saídas fáceis, essa é uma recomendação certeira que vale cada minuto do seu tempo.
Trailer do filme 18 Rosas (2026)
Elenco de 18 Rosas, da Netflix
- Kyle Echarri
- Xyriel Manabat
- Yayo Aguila
















