Se você acabou de assistir ao thriller psicológico indiano A Acusada (2026) na Netflix, dirigido por Anubhuti Kashyap, é bem provável que esteja com a cabeça fervilhando. O filme nos apresenta a Dra. Geetika Sen (Konkona Sen Sharma), uma renomada e arrogante cirurgiã e ginecologista queer em Londres que vê sua vida virar de cabeça para baixo às vésperas de ser promovida a reitora do hospital.
Quando e-mails anônimos começam a acusá-la de assédio sexual e má conduta no ambiente de trabalho, o castelo de cartas de Geetika desmorona, afetando não apenas sua carreira, mas também o processo de adoção e o casamento com a jovem pediatra Meera (Pratibha Ranta).
Mas o grande trunfo do filme está no seu terceiro ato. Vamos destrinchar os detalhes e entender o que de fato aconteceu no final de A Acusada.
A Acusada: final explicado do filme da Netfix
Quem enviou os e-mails falsos e qual era o plano?
Durante grande parte da trama, somos levados a desconfiar de quase todo mundo, enquanto a própria esposa de Geetika, Meera, contrata um detetive particular chamado Mansoor para investigar os passos da parceira. As suspeitas de infidelidade disparam quando Mansoor descobre que Geetika tem visitado o restaurante de sua ex-namorada, Sophie.
No entanto, a verdade é bem menos romântica e muito mais pragmática. Geetika estava se encontrando com Sophie para pedir a ajuda do primo dela, David. Com suas habilidades de hacker, David invade o sistema do hospital e descobre que todos os e-mails anônimos de denúncia foram enviados do mesmo local.
A armação foi toda arquitetada pelo Dr. Logan, um médico sênior do hospital que queria desesperadamente a vaga de reitor que havia sido oferecida a Geetika. Foi ele quem contratou David para invadir a casa da protagonista semanas antes (em troca de tratamentos médicos gratuitos) e orquestrou os e-mails falsos para destruir a reputação da colega. Com a farsa exposta, a única suposta vítima que havia se apresentado publicamente, a Dra. Carol, retira as acusações, e o Dr. Logan acaba preso.
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Se ela era inocente, por que a Dra. Geetika recusou o cargo no final?
É aqui que A Acusada foge do roteiro tradicional de “vítima inocente vingada”. Depois de limpar seu nome das acusações de assédio sexual, o hospital oferece o cargo de reitora de volta a Geetika, mas, surpreendentemente, ela recusa a oferta.
Em um longo monólogo final (que dividiu a opinião dos críticos), Geetika faz uma confissão brutal de culpa. Ela admite que, embora não seja uma predadora sexual, ela realmente abusou de seu poder.

A toxicidade no ambiente de trabalho
Na tentativa de sobreviver e ascender em um ambiente médico dominado por homens, Geetika endureceu a ponto de se tornar uma chefe extremamente tóxica. Ela confessa que foi dura demais com seus subordinados e que sabotou a carreira de colegas. Um exemplo claro foi o da própria Dra. Carol: Geetika a demitiu por um erro médico sem demonstrar nenhuma clemência, mostrando uma atitude implacável que acabou gerando inimizades.
Durante esse clímax, ela também expõe o machismo institucional, confrontando o investigador do caso, Dr. Bhargav, sobre o viés dele. Ela aponta como ele rapidamente questionou a credibilidade dela e presumiu sua culpa simplesmente pelo fato de ela ser uma mulher ambiciosa e bem-sucedida.
O desfecho do relacionamento com Meera
A crise profissional também forçou Geetika a olhar para dentro de casa. Ao longo do filme, fica claro que a dinâmica do casal era desequilibrada, agravada pela diferença de idade e pela postura superior de Geetika.
No desfecho, ela pede perdão a Meera por ter mentido, por ter sido condescendente e por estar tão absorta em si mesma. Meera, percebendo a vulnerabilidade e a honestidade da parceira, aceita as desculpas e as duas prometem dar uma nova chance ao relacionamento, recomeçando do zero.
O que o filme tenta nos dizer? (A mensagem por trás do suspense)
No fundo, A Acusada usa a roupagem de um thriller investigativo para levantar um debate complexo da era pós-#MeToo. O roteiro inverte os papéis tradicionais de gênero para nos fazer questionar: como a sociedade julga mulheres em posições de poder?.
O filme mostra que o abuso de poder pode vir de qualquer gênero, mas sublinha como o tribunal da internet e a sociedade são infinitamente mais rápidos em cancelar e demonizar uma mulher em posição de autoridade, cobrando dela uma perfeição moral que raramente é exigida de seus pares masculinos masculinos. Apesar de algumas falhas na execução e no ritmo apontadas pela crítica, o final amargo e reflexivo de Geetika serve como um lembrete de que a linha entre a ambição e a tirania é tênue para qualquer pessoa.















