Se você abriu a Netflix nesta sexta-feira (13), provavelmente deu de cara com “A Cela dos Milagres”. O filme vem carregado de expectativa, principalmente por ser uma daquelas histórias feitas sob medida para arrancar lágrimas até dos mais durões.
Mas antes de preparar o lenço, é bom saber onde você está pisando: não estamos diante de uma história real ocorrida no México, mas sim de mais um remake do fenômeno sul-coreano Milagre na Cela 7, que já fez o mundo chorar em versões da Turquia, Filipinas e Indonésia. A grande pergunta é: será que essa versão latina, dirigida por Ana Lorena Pérez Ríos, consegue trazer algo novo ou é apenas mais do mesmo?
Sinopse
A trama gira em torno de Héctor (interpretado pelo conhecido comediante Omar Chaparro), um homem com uma deficiência neurológica que enxerga o mundo com a inocência de uma criança. Ele vive uma vida simples e feliz com sua filha, a pequena Alma, interpretada pela estreante Mariana Calderón. O sonho de Héctor é apenas dar um par de tênis novos para a filha correr, mas o destino é cruel.
A vida deles desmorona quando a filha de um poderoso capitão, o Capitão Avilés, morre em um acidente trágico. Héctor, que estava no lugar errado e na hora errada tentando ajudar, é acusado injustamente de assassinato. Enviado para uma prisão hostil e condenado pela opinião pública e por um sistema corrupto, ele precisa sobreviver à violência dos outros presos e provar que o amor por sua filha é capaz de atravessar as grades.
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Crítica do filme A Cela dos Milagres (2026)
A aposta arriscada de Omar Chaparro
O elefante na sala é, sem dúvida, a escalação de Omar Chaparro. Conhecido por comédias escrachadas como No Manches Frida, vê-lo tentar um papel dramático dessa densidade é, no mínimo, curioso. O próprio ator comparou o desafio a filmes icônicos como Forrest Gump e A Vida é Bela, afirmando que se inspirou em crianças de 4 a 6 anos para compor a inocência de Héctor.
Para alguns, a entrega é genuína e o ator consegue comover, especialmente nos momentos de interação com a filha. No entanto, é difícil ignorar as críticas que apontam para uma atuação que flerta com o exagero. Há momentos em que a representação da deficiência intelectual cai no estereótipo, tornando o personagem um tanto “acartonado”, o que pode tirar o espectador da imersão e lembrar atuações menos sutis de novelas mexicanas.
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Melodrama previsível que desafia a lógica
Se você gosta de sofrer com filmes, este é o seu lugar. A direção não tem vergonha de pesar a mão no drama. A estrutura narrativa é feita para manipular suas emoções: a injustiça gritante, a maldade caricata do Capitão Avilés (que quer vingança a qualquer custo) e a pureza de Alma.
Porém, essa fórmula pode soar cansativa. O filme elimina quase todo o alívio cômico da obra original para focar em um melodrama extremamente exagerado. As situações de injustiça e as falhas judiciais são verossímeis no contexto latino-americano, o que dá um peso extra à trama, mas o roteiro, escrito por Patricio Saiz, aposta em caminhos previsíveis e soluções que desafiam a lógica apenas para fazer a história andar.
Ambientação visceral e o “milagre” do elenco de apoio
Um ponto alto da produção é a ambientação. Embora a história se passe no México, as filmagens ocorreram na Colômbia, utilizando locações em Bogotá para recriar uma pequena cidade mexicana e um presídio convincente. O realismo das cenas na prisão é palpável, ajudado pelo fato de que a produção utilizou dezenas de figurantes, muitos com passado carcerário real, o que trouxe uma tensão genuína para as cenas de cárcere – o próprio Chaparro disse que nem precisava atuar quando eles gritavam com ele.
Além disso, a dinâmica entre Héctor e seus companheiros de cela, como “El Tigre” (Gustavo Sánchez Parra), é o coração da mudança no filme. Aos poucos, esses homens endurecidos são transformados pela inocência de Héctor e pelo carisma da pequena Alma, criando a tal “cela dos milagres”. E vale destacar: o final desta versão opta por um caminho agridoce, focado na responsabilidade e redenção, evitando a morte do protagonista, o que difere de outras adaptações e oferece uma mensagem de sobrevivência e consciência.
Conclusão
“A Cela dos Milagres” é uma faca de dois gumes. Por um lado, é uma produção que cumpre o que promete: emocionar o público com uma história sobre o amor inquebrantável entre pai e filha e a força da inocência em um mundo corrupto. Por outro, sofre com um roteiro que pode parecer manipulativo e uma atuação principal que divide opiniões entre o comovente e o caricato.
Se você nunca viu o original coreano ou as outras versões, é bem provável que termine o filme soluçando. Mas, se busca um cinema mais sutil ou original, talvez sinta que está vendo uma reprise de sentimentos já conhecidos. De qualquer forma, disponível na Netflix, é a pedida certa para quem quer um drama intenso para o fim de semana, desde que esteja disposto a relevar alguns exageros em nome da emoção.
Onde assistir ao filme A Cela dos Milagres?
Trailer de A Cela dos Milagres (2026)
Elenco de A Cela dos Milagres, da Netflix
- Omar Chaparro
- Mariana Calderón
- Natalia Reyes
- Biassini Segura
- Sofía Álvarez
- Jorge A. Jiménez
- Gustavo Sánchez Parra
- Juan Pablo de Santiago
- Marco Treviño
- Arturo Ríos

















