Se você deu o play em “A Cela dos Milagres” na Netflix esperando um passatempo leve, provavelmente terminou o filme soluçando e procurando respostas. O longa mexicano, protagonizado por Omar Chaparro, chegou ao streaming nesta sexta-feira (13) e já se tornou o tópico do momento.
Mas, entre tantas lágrimas, algumas dúvidas podem ter ficado no ar. Afinal, como Héctor escapa de um sistema corrupto que pedia sua cabeça? O filme é baseado em fatos reais? E quem é o verdadeiro herói dessa história?
Preparamos um resumo completo do desfecho para você entender tudo (com muitos spoilers, claro).
Final explicado de A Cela dos Milagres, da Netflix
O enredo: uma tragédia anunciada
Para contextualizar, a trama segue Héctor (Chaparro), um homem com deficiência neurológica que tem a idade mental de uma criança e vive para sua filha, a pequena Alma (Mariana Calderón). O sonho de Héctor era dar um par de tênis para a filha correr, mas esses sapatos acabam no centro de uma tragédia.
Quando a filha de um poderoso capitão da polícia, o Capitão Avilés, morre acidentalmente após comprar os tais tênis, Héctor é acusado injustamente de assassinato. Ele é enviado para uma prisão hostil, onde inicialmente sofre nas mãos dos outros detentos, mas acaba conquistando a todos com sua inocência.
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A reviravolta final: Héctor morre em A Cela dos Milagres?
Esta é a pergunta que todo mundo faz, especialmente quem assistiu ao original coreano (Milagre na Cela 7). Vamos direto ao ponto: Não, Héctor não morre nesta versão. O filme opta por um caminho agridoce, focado na redenção e na sobrevivência.
Mas como isso acontece se ele estava sentenciado à morte (ou a uma execução extrajudicial, já que a pena de morte oficial não existe no México moderno)?
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O sacrifício de Iván
A grande virada da trama envolve Iván (interpretado por Arturo Ríos), um dos companheiros de cela de Héctor. Durante o filme, descobrimos que Iván carrega uma culpa imensa por ter matado a própria filha em um acidente de carro no passado.
Numa reviravolta digna de novela, é revelado que a filha de Iván era, na verdade, a mãe de Alma e esposa de Héctor. Ou seja, Iván é o avô da menina e sogro de Héctor, embora Héctor, em sua inocência, não compreenda totalmente essa conexão.
Buscando redenção e querendo salvar o que restou de sua família, Iván decide tomar o lugar de Héctor. Ele se sacrifica para que Héctor possa escapar e viver com Alma. A execução que deveria ser de Héctor acaba recaindo sobre Iván, num ato de amor supremo que valida o título do filme: o verdadeiro milagre não é sobrenatural, mas sim a transformação humana daqueles criminosos.

O significado da cena final de A Cela dos Milagres
O desfecho mostra Héctor livre, reunido com Alma. A cena final foca na liberdade e na responsabilidade de seguir em frente.
Diferente de filmes que apostam em vingança, aqui a vitória é interna. O Capitão Avilés, o vilão caricato que orquestrou a injustiça, não consegue concretizar sua vingança pessoal devido a imprevistos (como pneus furados), e o sistema prisional, corrupto e falho, acaba encobrindo a troca de prisioneiros para evitar escândalos.
A mensagem que fica é sobre a inocência vencendo a brutalidade. Como o próprio Omar Chaparro disse em entrevistas, o filme obriga o público a “fazer uma pausa” e olhar o mundo com mais empatia, tal qual o protagonista.
Mais dúvidas sobre A Cela dos Milagres
Separamos as respostas para as dúvidas mais comuns nas redes sociais e no Google:
A Cela dos Milagres é baseada em fatos reais?
Não. A história é uma obra de ficção. Trata-se de um remake do filme sul-coreano Milagre na Cela 7 (2013), que já ganhou versões na Turquia, Filipinas e Indonésia. Embora a trama aborde problemas reais como corrupção, falhas no sistema judiciário e a questão migratória na América Latina, os personagens Héctor e Alma não existiram.
A cela tinha poderes mágicos?
O filme deixa isso ambíguo, mas a interpretação mais aceita é que não havia mágica sobrenatural. Os “milagres” eram as mudanças de atitude dos presos, tocados pela bondade de Héctor e pela presença da menina Alma.
O final é igual ao filme original coreano?
Não. No filme original coreano, o final é muito mais trágico (o pai geralmente é executado e a filha busca justiça anos depois como advogada). A versão mexicana escolheu um final “feliz” e esperanzador, onde o pai sobrevive.
Onde o filme foi gravado?
Apesar de se passar no México, a produção foi filmada na Colômbia. Locações em Bogotá e arredores foram usadas para recriar a prisão e o vilarejo mexicano.
Quem está no elenco?
Além de Omar Chaparro (Héctor) e a estreante Mariana Calderón (Alma), o filme conta com Gustavo Sánchez Parra (“El Tigre”), Arturo Ríos (Iván) e Jorge A. Jiménez (Capitão Avilés).
Veredito: Se você consegue perdoar alguns furos de roteiro (como a facilidade em esconder uma criança numa prisão de segurança máxima dentro de uma imagem de santa), “A Cela dos Milagres” cumpre o que promete: desidratar o espectador e entregar uma mensagem poderosa sobre o amor paterno.

















