Se você já preparou os lenços para assistir a A Cela dos Milagres, saiba que não está sozinho. O novo sucesso da Netflix reacendeu o interesse global por uma trama que atravessa fronteiras, mas você sabia que existem diversas versões dessa mesma história espalhadas pelo mundo?
O filme, que retrata o amor incondicional entre um pai com deficiência intelectual e sua filha pequena, não é uma ideia original mexicana. Na verdade, trata-se de um fenômeno que nasceu na Ásia e ganhou adaptações que variam do drama absoluto à comédia, mudando até mesmo o destino final dos protagonistas.
A premissa básica é quase sempre a mesma: um homem inocente é preso injustamente, acusado da morte de uma criança (geralmente filha de uma autoridade). Dentro da prisão, ele conquista a amizade dos criminosos mais perigosos, que se unem para realizar o impossível: trazer a filha dele para dentro da cela.
A seguir, confira um guia completo para você entender a origem desse roteiro e como cada país decidiu contar essa história emocionante.
Miracle in Cell No. 7 (Coreia do Sul, 2013)
Esta é a obra original que deu início a tudo. Dirigido por Lee Hwan-kyung, o filme é conhecido por misturar a comédia clássica coreana com uma tragédia devastadora. Diferente dos remakes ocidentais, o final aqui é extremamente doloroso e não há “milagre” de fuga.
O protagonista, Yong-gu, é realmente executado em 23 de dezembro, no aniversário da filha. A trama avança no tempo para mostrar a menina, já adulta e advogada, lutando para limpar o nome do pai. O roteiro foi inspirado parcialmente na história real de Jeong Won-seop, que foi torturado e preso injustamente nos anos 70.

Quer saber mais sobre filmes, séries e streamings? Então acompanhe o trabalho do Flixlândia nas redes sociais pelo INSTAGRAM, X, TIKTOK, YOUTUBE, WHATSAPP, e GOOGLE NOTÍCIAS, e não perca nenhuma informação sobre o melhor do mundo do audiovisual.
Pushpaka Vimana (Índia, 2017)
A força do roteiro coreano chamou a atenção da indústria cinematográfica indiana, resultando nesta adaptação. Embora mantenha o coração da trama sobre a injustiça e o vínculo familiar, o filme incorpora elementos culturais locais para gerar identificação com o público da região.

Milagre na Cela 7 (Turquia, 2019)
Provavelmente a versão mais famosa antes da mexicana. O filme turco, que também se tornou um gigante na Netflix, abandonou quase toda a comédia do original para focar em um drama visualmente impactante e “feito para chorar”.
A grande mudança aqui está no desfecho: o pai, Memo, sobrevive. O roteiro introduz o sacrifício de Yusuf, um prisioneiro que vai para a forca no lugar do protagonista. O filme deixa no ar a possibilidade de Yusuf ser o avô da menina, uma teoria que cativou os fãs.

Miracle in Cell No. 7 (Filipinas, 2019)
Lançado no mesmo ano que a versão turca, o remake filipino seguiu um caminho diferente. Estrelado por Aga Muhlach, o filme optou por se manter extremamente fiel à estrutura e ao tom da obra original coreana de 2013.
A produção respeitou a narrativa original, incluindo a profissão da filha no futuro. A menina cresce e se torna advogada, mantendo o foco na luta judicial para provar a inocência do pai, homenageando a fonte primária da história.

Miracle in Cell No. 7 (Indonésia, 2022)
Esta adaptação trouxe um contexto político e religioso muito forte para a trama. Dirigido por Hanung Bramantyo, o filme coloca o protagonista contra a corrupção de um político local, adaptando os dilemas legais para a realidade da Indonésia.
A produção foi um sucesso estrondoso no país e é elogiada por conseguir equilibrar a crítica social com a emoção, sem perder a essência dos personagens principais que o público já conhecia de outras versões.

A Cela dos Milagres (México, 2026)
A versão mais recente, estrelada por Omar Chaparro e filmada na Colômbia, aposta em um realismo mais “sujo” e na denúncia das falhas do sistema judiciário latino-americano. O tom cômico é reduzido para dar lugar a um melodrama denso.
O grande diferencial deste roteiro é que ele confirma o que a versão turca deixou ambíguo: o prisioneiro que se sacrifica (Iván) é explicitamente revelado como o avô da menina e sogro do protagonista. É ele quem morre para que Héctor possa viver e cuidar de sua neta, fechando a história com uma redenção familiar completa.

















