A Conspiração Condor crítica do filme brasileiro 2026 - Flixlândia

Crítica | Sem sigilos em ‘A Conspiração Condor’

Foto: Pandora Filmes / Divulgação
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É sabido que a Ditadura Militar foi uma das épocas mais sombrias da História do Brasil, e que com certeza sempre conterá algo a ser revelado. Quem não viveu naquela época tem uma visão distante do que acontecia, quando sabemos que muita gente desapareceu ou foi “desaparecida” na época.

Sim, foi uma reação desproporcional de um governo que não partilhava da liberdade de expressão, não aceitava críticas, e ao mesmo tempo tinha que lidar com ataques terroristas de militantes armados.

A Operação Condor, história contada no filme A Conspiração Condor, que chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (9), foi uma aliança entre Brasil, Argentina, Chile, Uruguai, Paraguai e Bolívia, permitiu a troca de informações e livre trânsito para perseguir, torturar e matar opositores da ditadura no continente.

O diretor André Sturm dirigiu este longa, em roteiro criado em parceria com o escritor Victor Bonini (Quando Ela Desaparecer), onde descrevem os acontecimentos de 1972, quando, em um curto período de 9 meses, faleceram o ex-presidente Juscelino Kubitscheck, o ex-presidente deposto João Goulart e o jornalista e ex-governador da Guanabara Carlos Lacerda.

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Sinopse

Silvana (Mel Lisboa, de Presença de Anita) é uma jornalista que escreve em um jornal de São Paulo, e possui uma coluna de fofocas sobre a sociedade da época, e deseja entrar no mundo do jornalismo mais ativo, com mais pesquisas.

Todo jornal na época possuía um censor, no caso Floriano (Nilton Bicudo, de Desejos de Mulher) cuja principal função era ler as matérias antes de serem liberadas para publicação. Inicialmente ele parece ter algum interesse romântico em Silvana, mas na verdade eles nutrem uma amizade que para ele será apenas uma maneira de obter informações pessoais.

Silvana tem como colega a jornalista Marcela (Maria Manoella, de Ainda Estou Aqui), responsável pela coluna política do jornal. Quando ocorre a morte de JK (em 26/08/1976) em um acidente de carro, Silvana é destacada para ir até o Rio de Janeiro cobrir o velório do ex-presidente juntamente com Marcela. 

Daí por diante, começam os questionamentos de Silvana sobre as investigações do acidente, que vai nos levar por este roteiro muito bem montado.

Crítica do filme A Conspiração Condor

Silvana, então inicia sua busca para obter respostas em relação ao andamento do inquérito sobre a morte de JK, e encontra negativas em obter algumas respostas, principalmente das testemunhas que viram o carro do ex-presidente batido. Após conseguir a lista de passageiros do ônibus com muita dificuldade, notou que ninguém queria falar sobre o assunto, inclusive negando até entrevistas dadas logo no início na TV.

E descobre que algumas pessoas que haviam aceitado conversar haviam morrido.

Em 06/12/1976 faleceu João Goulart, na Argentina (portanto, 4 meses após JK) e em 21/05/1977 (9 meses após JK), o ex-governador Carlos Lacerda faleceu no Rio.

A Conspiração Condor crítica do filme brasileiro 2026 - Flixlândia (1)
Foto: Pandora Filmes / Divulgação

Neste ínterim, ao ir até a Argentina com Marcela, ela conhece um jornalista chamado Juan (Dan Stulbach, Fé para o Impossível), que a ajuda na entrevista com Maria Theresa Goulart (Liz Reis, produtora e atriz), o que lhe deixa com mais dúvidas ainda sobre o que poderia ter acontecido.

No Brasil, após insistir muito, Silvana havia tentado convencer Carlos Lacerda a lhe conceder uma entrevista falando o que pensava, citando a Frente Ampla, onde adversários políticos haviam se unido para combater o governo militar (inclusive gerando a revolta de vários outros políticos), e quando estava para falar com ele, recebe a notícia de sua morte, a qual acaba considerando também muito suspeita.

O que ocorre ao final de tudo, é que aconteceu bastante na época: traições, desaparecimentos e mortes.

Conclusão

Mel Lisboa conseguiu imprimir uma personagem extremamente convincente em sua migração de jornalista de fofocas para jornalista investigativa. Sua personalidade vai se modificando conforme vai descobrindo os fatos, e conforme os acontecimentos vêm ocorrendo.

Nilton Bicudo aparece como um censor rigoroso, e retrata muito bem esta figura tão odiada na época.

Liz Reis e Dan Stulbach tiveram papéis curtos, mas foram de presença marcante na tela.

Maria Manoella é a colega apaixonada por mandar e querer sempre se impor.

Sem querer fazer comparações com outros filmes recentes sob a mesma temática, este é um daqueles para se assistir e pesquisar sobre o assunto, e realmente se questionar até que ponto esta avalanche de fatos pode ou não ter sido verdadeira conforme a proposta dos autores.

Muito bem dirigido, apenas com o áudio pecando em alguns diálogos na pós-produção, a ambientação ficou ótima, os figurinos adequados, e no frigir dos ovos, é um filme que vale a pena assistir.

Um balde de pipoca com 500 ml de refri. Bom filme !!

Trailer do filme A Conspiração Condor

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Elenco do filme A Conspiração Condor

  • Mel Lisboa
  • Nilton Bicudo
  • Pedro Bial
  • Dan Stulbach
  • Maria Manoella
Escrito por
Cleon

Cleon (pseudônimo de Antonio Filho) é da área de TI, mas vive com a cabeça nas estrelas. Trocou linhas de código por linhas de roteiro — e escreve sobre séries e filmes como quem decifra algoritmos de emoção humana.

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