Sabe aquele filme que te dá um abraço quentinho e te faz lembrar das borboletas no estômago do primeiro amor? O cinema sul-coreano acaba de entregar exatamente isso com A Menina dos Meus Olhos, um remake fresquinho do clássico cult taiwanês de 2011, escrito originalmente por Giddens Ko.
Marcando a estreia de Cho Young-myoung na direção de longas-metragens, o filme aposta pesado em dois astros do K-pop para protagonizar a história: Dahyun, do amado grupo TWICE, e Jinyoung, ex-integrante do B1A4. Com uma aura de nostalgia deliciosa e uma estética que vai agradar em cheio os fãs de doramas, a produção tenta equilibrar comédia, drama e aquela fase cheia de incertezas que é o amadurecimento juvenil.
Sinopse
A trama nos leva de volta para a pequena cidade de Chuncheon, no verão de 2002, bem na época em que a Coreia do Sul e o Japão sediavam a Copa do Mundo. Acompanhamos a dinâmica do rebelde e brincalhão Jin-woo (Jinyoung), um garoto que não tem muita perspectiva de vida ou paixão pelos estudos. Diferente de todos os seus amigos, ele é o único que não baba por Seon-ah (Dahyun), a aluna mais bonita, inteligente e dedicada da classe.
A vida dos dois se cruza de verdade quando Jin-woo a salva de um apuro emprestando seu próprio livro escolar. Para retribuir a gentileza, a disciplinada Seon-ah decide ajudá-lo a estudar. A partir daí, o que começa como uma convivência forçada de sala de aula se transforma em um laço profundo, acompanhando esses jovens desde as confusões do ensino médio até os desafios da vida universitária e do início da fase adulta, em uma jornada que se estende por cerca de 15 anos.
Crítica
Vibe nostálgica
Uma das coisas mais legais do filme é como ele funciona como uma verdadeira máquina do tempo. A ambientação retrata com carinho o início dos anos 2000, trazendo de volta os celulares de flip, uniformes escolares rabiscados e a vibe das antigas “mini homepages”.
A trilha sonora é um show à parte, apostando no pop rock juvenil da época, com destaque para a clássica cena do karaokê onde eles cantam “You Have a Crush on Me”, e a adorável faixa “Now Do You” de Maudy Ayunda. Embora alguns críticos mais chatos apontem que o roteiro tenta forçar uma inocência quase “analógica” num ano (2002) onde os celulares já bombavam bastante na Coreia, no geral, o clima funciona perfeitamente para entregar a sensação de nostalgia e conforto da época.

Química de milhões
Para quem torceu o nariz achando que escalar ídolos do K-pop era só uma jogada de marketing, as atuações são uma grata surpresa. Jinyoung entrega uma comédia física excelente, conseguindo transitar entre o fanfarrão descompromissado e o garoto inocente que não sabe lidar com os próprios sentimentos. Mas quem rouba a cena mesmo é Dahyun.
Em sua estreia no cinema, ela foge totalmente do estereótipo de “patricinha perfeita e inalcançável”, trazendo uma vulnerabilidade super real e sensível para Seon-ah. O romance deles é aquele famoso estilo “slow-burn”, bem lento e sutil, focado em pequenos gestos e olhares que constroem uma tensão natural e muito crível.
Tropeços no ritmo
Nem tudo é perfeito, e o calcanhar de Aquiles do filme acaba sendo tentar abraçar o mundo em pouco tempo. Como a história quer comprimir 15 anos de eventos em menos de duas horas, a narrativa acaba ficando meio episódica e atropelada em alguns momentos.
Além disso, a direção fez uma escolha muito clara de focar mais na comédia do que no drama, comparado à versão original de Taiwan. O grupo de amigos do protagonista é hilário e garante risadas genuínas, mas, às vezes, eles aparecem para fazer piada bem no meio de um clímax dramático entre o casal principal, quebrando totalmente a emoção da cena e gerando momentos anticlimáticos.
Vale notar também um deslize engraçado de elenco: alguns atores que interpretam os amigos colegiais claramente já passaram dos 30 anos de idade, o que dá uma quebrada na imersão. Outro ponto é que no terceiro ato, o filme tenta dar uma virada dramática mais densa, e essa transição acaba soando um pouco abrupta demais.
Visual feito para emocionar
Se a narrativa dá umas derrapadas no ritmo, tecnicamente o filme é deslumbrante. O diretor novato soube usar muito bem a estética charmosa das séries coreanas. A fotografia de Hong Jae-sik é super luminosa e calorosa, usando cores vibrantes que dão vida às memórias de adolescência, enquanto a montagem de Kim Man-geun tem um timing perfeito, tanto para a comédia quanto para fazer o espectador chorar em segundos na lindíssima e arrebatadora sequência final.
Conclusão
No fim das contas, A Menina dos Meus Olhos não se propõe a ser o filme que vai reinventar o gênero do romance ou fazer você refletir sobre os grandes mistérios do universo. Ele é, acima de tudo, o puro suco de um filme conforto. Apesar das pequenas falhas em balancear a comédia com a intensidade dramática e do ritmo apressado para dar conta de tantos anos de história, o saldo final é muito positivo.
É uma carta de amor generosa à adolescência, que entrega personagens extremamente carismáticos, uma química deliciosa de acompanhar e uma mensagem muito bonita sobre como nossos primeiros amores nos transformam para sempre, mesmo quando a vida nos leva por caminhos diferentes. Se você curtiu doramas como Vinte e Cinco, Vinte e Um, pode pegar sua pipoca que o quentinho no coração é garantido.
Trailer do dorama A Menina dos Meus Olhos (2025)
Elenco do filme A Menina dos Meus Olhos, do Prime Video
- Jung Jinyoung
- Kim Da-Hyun
- Shin Eun-jung
- Song Jeong-hyuck
- Lee Min-goo
- Kim Min-ju
- Lee Seung-jun
- Kim Yo-han















