Crítica do filme A Mulher na Cabine 10, da Netflix (2025)

‘A Mulher na Cabine 10’ e o mistério que naufraga

Filme é estrelado por Keira Knightley

Foto: Divulgação / Netflix
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No vasto catálogo de thrillers psicológicos da Netflix, “A Mulher na Cabine 10” chega com uma ideia promissora e um nome de peso no elenco: Keira Knightley. Baseado no best-seller de Ruth Ware, a trama se inspira nos clássicos de Agatha Christie para entregar um mistério claustrofóbico em alto-mar.

O filme, dirigido por Simon Stone, convida o espectador a embarcar em um iate luxuoso e a questionar a própria sanidade da protagonista, Laura Blacklock. No entanto, o que começa como uma viagem tensa e intrigante, acaba por perder o rumo, revelando um roteiro que se afoga em convenções e uma execução que, apesar de competente, não consegue sustentar o mistério até o fim.

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Sinopse

Laura “Lo” Blacklock (Knightley) é uma jornalista investigativa assombrada por um trauma recente. Tentando se reabilitar, ela aceita cobrir a viagem inaugural do Aurora Borealis, um iate luxuoso repleto de celebridades e figuras da alta sociedade, com destino à Noruega. A bordo, o que parecia ser uma missão leve e de prestígio se transforma em um pesadelo.

Na primeira noite, Lo ouve uma briga na cabine ao lado, a de número 10, seguida pelo som de um corpo sendo jogado ao mar. Quando tenta reportar o crime, ela é informada de que a cabine está vazia e que todos os passageiros foram contados. A partir desse ponto, Lo se vê em uma busca desesperada por respostas, enquanto sua credibilidade é constantemente minada, forçando-a a questionar se o que viu foi real ou apenas um delírio.

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Crítica

Se há algo que impede “A Mulher na Cabine 10” de naufragar completamente, é a performance de Keira Knightley. A atriz entrega uma atuação intensa e convincente como a traumatizada e ansiosa Lo Blacklock. Ela equilibra com maestria a vulnerabilidade da personagem com sua determinação em provar a verdade, tornando-a a única razão para o público continuar torcendo.

Knightley consegue transmitir a crescente paranoia e o desespero de Lo, que, mesmo diante do ceticismo e hostilidade de todos ao seu redor, insiste em seguir seus instintos. Sem sua presença magnética e o peso de seu nome, o filme seria significativamente mais frágil. Ela é a força motriz que mantém o espectador engajado, mesmo quando o roteiro começa a se desviar.

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Ambiente e estética: luxo e claustrofobia

A direção de Simon Stone e o design de produção de Alice Normington são, sem dúvida, pontos altos do filme. O iate de $150 milhões de dólares serve como um cenário deslumbrante, porém claustrofóbico. Os corredores estreitos e os espaços fechados, combinados com o uso de reflexos e espelhos, criam uma atmosfera de segredos e duplicidade, reforçando a sensação de que há algo escondido sob a superfície glamorosa.

A fotografia, dominada por tons frios e acinzentados, contribui para um clima opressor, embora em certos momentos acabe por esgotar parte da tensão ao se tornar repetitiva. A trilha sonora de Benjamin Wallfisch também se destaca, emulando o suspense clássico e ajudando a construir a sensação de intriga, mesmo quando a narrativa tropeça.

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Adaptação se perde em excessos

O maior problema de “A Mulher na Cabine 10” reside em seu roteiro. Apesar da premissa intrigante, a narrativa perde força na metade, tornando-se previsível e em certo ponto, beirando o ridículo.

A constante repetição da protagonista sendo desacreditada por um elenco de personagens caricatos “a lá Agatha Christie” — que incluem um filantropo sinistro, um astro do rock viciado e uma influenciadora insípida — se torna cansativa. Muitos desses, mesmo com atores talentosos como Hannah Waddingham e David Morrissey, são subaproveitados ou simplesmente serviram como pistas falsas óbvias, sem a profundidade que se espera de um bom mistério.

A trama se aproxima de outros filmes como “A Garota no Trem” e “A Mulher na Janela”, repetindo a fórmula da protagonista desacreditada, mas falha em entregar um clímax satisfatório. O desfecho é apressado, e as soluções narrativas são forçadas e pouco críveis, quebrando a suspensão de descrença e deixando a sensação de que o filme não soube aproveitar o potencial de seu material de origem.

Conclusão

Em última análise, “A Mulher na Cabine 10” é um thriller que se mantém à tona graças, quase que exclusivamente, à performance dedicada e envolvente de Keira Knightley. A atriz consegue carregar o filme nas costas, mesmo com as falhas gritantes do roteiro.

A direção competente de Simon Stone e o design de produção elegante criam uma atmosfera promissora, mas não são suficientes para salvar o mistério de sua execução previsível e de seu ritmo irregular. A jornada de Lo Blacklock é absorvente por conta de sua luta pessoal, mas o enigma em si acaba por ser uma decepção.

Embora eficiente para um entretenimento casual, o filme se perde em alto-mar, deixando a sensação de que um suspense com tanto potencial acabou por afundar em sua própria contradição.

Onde assistir ao filme A Mulher na Cabine 10?

O filme está disponível para assistir na Netflix.

Quem está no elenco de A Mulher na Cabine 10, da Netflix?

  • Keira Knightley
  • Guy Pearce
  • Hannah Waddingham
  • David Ajala
  • Art Malik
  • Gugu Mbatha-Raw
  • Kaya Scodelario
  • David Morrissey
  • Daniel Ings
  • Gitte Witt
Escrito por
Taynna Gripp

Formada em Letras e pós-graduada em Roteiro, tem na paixão pela escrita sua essência e trabalha isso falando sobre Literatura, Cinema e Esportes. Atual CEO do Flixlândia e redatora do site Ultraverso.

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