Esqueça a velha imagem estereotipada da propriedade rural mexicana como palco principal dos dramas sociais. O campo de batalha agora tem ar-condicionado central, luz fluorescente e aquele zumbido constante de escritório sem paredes ou divisórias altas. É nesse cenário, especificamente dentro de uma gigante fabricante de roupas íntimas, que a Netflix lança sua nova aposta: Amor no Escritório.
Criada pela experiente Carolina Rivera, a série chega como parte da iniciativa “Que México Se Vea” (algo como deixe o México ser visto), tentando provar que histórias hiperlocais sobre a rotina de trabalho podem, sim, conquistar o mundo.
À primeira vista, parece apenas mais uma comédia romântica bonitinha, mas não se engane: por baixo do verniz brilhante e da produção cara, existe uma tentativa interessante de discutir a velha briga entre quem rala para subir na vida e quem já nasceu no topo.
Sinopse
A trama gira em torno de Graciela (Ana González Bello), a definição viva de competência. Ela é aquela funcionária que conhece a empresa do avesso, carrega o piano nas costas e acredita piamente que seu esforço será recompensado com a cadeira de CEO. Do outro lado do “ringue” temos Mateo (Diego Klein), o filho do dono. Ele é charmoso, privilegiado e com um currículo onde o sobrenome pesa mais que a experiência.
O destino (e o roteiro) prega uma peça neles: após uma noite casual e intensa — regada a croissants e sem saberem quem era o outro —, eles se encontram na manhã seguinte na empresa Sofintim. O choque é real. Graciela achava que seria promovida; Mateo achava que assumiria o trono por direito dinástico.
O pai de Mateo, Don Enrique, decide então colocar os dois numa rinha corporativa: quem liderar melhor o lançamento da nova linha de lingerie “Lua de Mel” fica com o cargo. O que se segue é uma mistura de sabotagem profissional, tensão sexual mal resolvida e a clássica fofoca de corredor.
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Resenha crítica da série Amor no Escritório
A química do “inimigos a amantes”
Vamos ser diretos: o que segura essa série e impede que ela seja apenas mais um clichê de escritório é a dinâmica entre os protagonistas. Ana González Bello entrega uma Graciela que foge da caricatura da “chefe mandona”. Ela representa a classe média aspiracional, que reivindica seu valor num sistema viciado. A gente sente o cansaço dela, a frustração de ter que correr o dobro para ficar no mesmo lugar.
Do outro lado, Diego Klein consegue a proeza de fazer o público não odiar totalmente o “nepo baby”. Mateo tem consciência do seu privilégio e tenta, de um jeito meio torto, provar que é mais do que o DNA dele. Quando os dois estão em cena, o texto flui.
A série acerta em cheio ao mostrar que a rivalidade deles não é só profissional, é um choque de dois Méxicos diferentes. E, claro, o fato de terem dormido juntos antes da guerra começar adiciona aquele tempero de “será que eles vão ou não vão?” que a gente adora odiar.
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O escritório como personagem e a metáfora da lingerie
A escolha de ambientar a série numa empresa de roupas íntimas foi uma sacada inteligente da showrunner. Existe uma ironia fina em ver executivos engravatados discutindo “intimidade” e “paixão” como se fossem commodities de mercado. A linha “Lua de Mel”, que eles precisam lançar, serve como um espelho para os próprios personagens: eles precisam vender vulnerabilidade enquanto vestem suas armaduras corporativas.
Além disso, a produção visual é impecável. Nada daquela luz chapada de sitcom antiga. Usando câmeras de cinema de ponta, a série cria um ambiente que é sedutor, mas frio, contrastando com os momentos mais quentes e “humanos” dos personagens. O escritório aqui é palpável: tem a máquina de café quebrada, o bolo de aniversário constrangedor e as fofocas que correm mais rápido que e-mail oficial. É um microcosmo realista que dá textura à história.
Onde a série tropeça
Nem tudo são flores (ou calcinhas de renda) em Amor no Escritório. Se você procura uma sátira política profunda estilo Succession ou uma crítica social demolidora, vai se decepcionar. A série toca em feridas importantes — machismo, nepotismo, a falácia da meritocracia — mas muitas vezes recua para a zona de conforto da comédia romântica. Ela flerta com esses temas, mas não casa com eles.
Outro ponto que pode cansar é o ritmo irregular. Em alguns momentos, a disputa pelo cargo de CEO parece perder a urgência, virando apenas um pano de fundo para as idas e vindas amorosas. Algumas subtramas de personagens secundários (embora o elenco de apoio seja carismático, como o Pedro do RH e o Gutiérrez) às vezes parecem “encher linguiça” para esticar os episódios. O final, embora satisfatório, joga seguro e entrega exatamente o que você espera, sem grandes surpresas ou riscos.
Conclusão
Amor no Escritório é aquela série que sabe exatamente o que é: um entretenimento polido, com gente bonita e problemas identificáveis, perfeito para descomprimir depois de um dia exaustivo de trabalho. Ela funciona muito mais como uma “comfort series” do que como uma revolução televisiva.
Se vale a pena? Sim, principalmente pela química elétrica entre Graciela e Mateo e pelos diálogos rápidos que capturam bem a essência da vida corporativa moderna. Não vai mudar sua visão sobre o capitalismo, mas vai garantir boas risadas e aquela torcida inevitável pelo casal. No fim das contas, a série nos lembra que, mesmo no ambiente estéril do escritório, a conexão humana ainda é a coisa mais perigosa — e valiosa — que existe.
Onde assistir à série Amor no Escritório?
Trailer de Amor no Escritório (2026)
Elenco de Amor no Escritório, da Netflix
- Ana González Bello
- Diego Klein
- Martha Reyes Arias
- Paola Fernández
- Nicolás de Llaca
- Marco León
- Alexis Ayala
- Fernando Memije
- Jerry Velázquez
- Manuel Calderón
















