Sabe aquela série que ninguém pediu, mas que de repente se tornou a sua favorita? Pois é, Cirurgias e Artimanhas (The Artful Dodger) voltou. Se a primeira temporada foi uma mistura divertida e inesperada de drama de época, procedimentos médicos e romance, a segunda temporada chegou para provar que a produção não é apenas um “fanfic” de luxo de Charles Dickens.
Desta vez, o Disney+ decidiu aumentar as apostas. Esqueça a leveza despretensiosa; os novos episódios trazem um tom mais urgente, sombrio e, honestamente, muito mais viciante,. A série cresceu, e seus personagens estão pagando o preço por isso.
Sinopse
A história retoma seis meses após o final tenso da temporada anterior. Jack Dawkins (Thomas Brodie-Sangster) está na pior: preso e com data marcada para a forca, acusado injustamente pelo assassinato do Capitão Gaines,. Mas, como vaso ruim não quebra (e Fagin sempre tem um plano), Jack escapa — mas não sem consequências.
Para evitar a execução, ele entra em um acordo cruel articulado por Lady Jane Fox: ele servirá como “servo” de Fagin por dois anos e deve se manter completamente afastado de Lady Belle (Maia Mitchell). Em troca, Belle ganha a chance de se tornar a primeira cirurgiã mulher da colônia, desde que não tenha contato com Jack.
Enquanto tentam navegar por esse campo minado romântico e profissional, um novo inspetor, Henry Boxer, chega à cidade caçando um serial killer que costura suas vítimas, e Fagin se envolve em um esquema perigoso com a Companhia das Índias Orientais.
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Crítica da temporada 2 de Cirurgias e Artimanhas
O amadurecimento do caos e o visual “glow-up”
A primeira coisa que salta aos olhos é a mudança de tom. A série abandonou parte daquele ar de aventura juvenil para abraçar consequências reais. O visual acompanhou essa maturidade: Port Victory parece mais suja, o sangue parece mais real e os figurinos estão deslumbrantes, criando uma estética que mistura o vintage com um toque moderno.
No entanto, essa urgência cobra seu preço no ritmo. A temporada começa com uma energia frenética — fuga da prisão, ataque de tubarão e cirurgias de emergência acontecem nos primeiros minutos —, o que pode deixar o espectador um pouco sem fôlego, como se a série estivesse correndo contra o próprio tempo. Apesar dessa correria inicial, a aposta em riscos mais altos funciona, transformando o que era uma série de conforto em algo que exige sua atenção total.

Jack e Belle: química à prova de balas
Se você está aqui pelo romance, pode respirar aliviado (mas nem tanto). A química entre Thomas Brodie-Sangster e Maia Mitchell continua sendo a espinha dorsal da série. É eletromagnética. O roteiro acerta ao colocar obstáculos reais entre eles — não apenas mal-entendidos bobos, mas barreiras sociais e legais de vida ou morte.
Ver Belle lutando por sua carreira médica enquanto tenta suprimir o que sente por Jack adiciona uma camada de tragédia e desejo que sustenta os oito episódios. Maia Mitchell, inclusive, brilha ao mostrar uma Belle que evolui de uma jovem rebelde para uma médica que enfrenta o machismo estrutural do hospital e da sociedade. O reencontro deles no final é a recompensa que a gente espera, mas o caminho até lá é doloroso da melhor forma possível.
Fagin e o elenco de apoio roubam a cena
David Thewlis como Fagin é, sem exagero, um espetáculo à parte. Ele consegue ser vil, manipulador e estranhamente paternal, entregando talvez a melhor performance de sua carreira. A dinâmica dele com Jack sofreu uma ruptura necessária, mas é na relação com Fanny Fox (Lucy-Rose Leonard) que a série surpreende.
A transformação de Fanny, que mergulha no mundo do crime não por rebeldia adolescente, mas por encontrar um propósito, é um dos arcos mais satisfatórios da temporada. Além disso, a introdução de vilões literários clássicos, como Uriah Heep, mostra que a série sabe brincar com suas origens literárias de forma inteligente.
Tropeços: o mistério do assassino e o triângulo amoroso
Nem tudo são flores em Port Victory. A subtrama do serial killer, embora sirva para introduzir o Inspetor Boxer, é o ponto fraco da temporada. O mistério sobre quem está costurando cadáveres se resolve de forma um tanto previsível (era o Professor McGregor treinando cirurgias), e muitas vezes parece distrair do que realmente importa.
Falando em Boxer, Luke Bracey entrega uma atuação sólida e vulnerável, mas o triângulo amoroso entre ele, Belle e Jack nunca convence totalmente. A gente sabe quem a Belle vai escolher desde o primeiro segundo, então as tentativas de criar dúvida nesse quesito soam um pouco forçadas, dignas de um filme clichê.
Conclusão
A 2ª temporada de Cirurgias e Artimanhas consegue o feito raro de superar a original ao não tentar copiá-la. Ela se reinventa como um drama mais “adulto”, onde as artimanhas têm consequências sangrentas e o passado nunca fica realmente para trás. Apesar de alguns tropeços no ritmo e em subtramas policiais genéricas, o coração da série — seus personagens complexos e o romance arrebatador — bate mais forte do que nunca.
O final, com Fagin literalmente enterrado vivo (uma consequência hilária e aterrorizante de seus próprios esquemas) e Jack e Belle finalmente juntos, deixa o terreno preparado para uma terceira temporada que, honestamente, agora é uma necessidade. Se você gostou da primeira temporada, vai ficar obcecado pela segunda.
Onde assistir à temporada 2 de Cirurgias e Artimanhas?
Trailer da 2ª temporada de Cirurgias e Artimanhas
Elenco da segunda temporada de Cirurgias e Artimanhas
- Thomas Brodie-Sangster
- David Thewlis
- Maia Mitchell
- Luke Bracey
- Tim Minchin
- Susie Porter















