crítica do filme Sikandar da Netflix 2025

‘Sikandar’, quando a ação encontra o sentido da vida

Foto: Netflix / Divulgação
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Lançado sem grande alarde na Netflix, o filme “Sikandar” (2025) marca o retorno de Salman Khan a um papel que mistura ação e emoção com uma narrativa socialmente engajada. Dirigido por A.R. Murugadoss, o longa propõe ir além da fórmula consagrada de Bollywood, prometendo não apenas cenas eletrizantes, mas também reflexões sobre temas como luto, legado e empatia.

Salman interpreta Sanjay Rajkot, um rei amado por seu povo, que mergulha em uma missão pessoal para proteger os receptores dos órgãos doados por sua falecida esposa. Com um orçamento grandioso e elenco de peso, “Sikandar” chega com o propósito de comover, entreter e provocar o público, mesmo que nem sempre acerte o tom.

Mas afinal, “Sikandar” consegue entregar a promessa de um filme de ação com alma ou é mais uma vitrine de estrelismo sem substância? A resposta exige mais do que paixão por Bollywood — exige análise.

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Sinopse de Sikandar (2025)

Em “Sikandar”, Salman Khan vive Sanjay Rajkot, um rei moderno, carismático e adorado por seu povo, conhecido como Sikandar ou Raja Saab. Após a morte trágica de sua esposa Saisri (Rashmika Mandanna), que doa seus órgãos para três desconhecidos, Sanjay decide proteger essas vidas como forma de honrar sua memória. No entanto, seu maior obstáculo é um ministro corrupto (Sathyaraj), que tenta apagar todos os vestígios da influência de Saisri, inclusive eliminando os receptores dos órgãos.

Entre eles estão um garoto asmático das favelas de Dharavi, uma jovem universitária com problemas cardíacos e uma mulher reprimida por um sogro conservador. À medida que Sikandar interfere em suas vidas, também confronta seus próprios fantasmas e entra em rota de colisão com o sistema político e policial do país.

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cena do filme Sikandar da Netflix 2025
Foto: Netflix / Divulgação

Crítica de Sikandar, da Netflix

Salman Khan é, por definição, um gênero próprio em Bollywood. Sua simples presença em tela costuma ser suficiente para gerar comoção. Em “Sikandar”, ele entrega uma performance que oscila entre o heroico e o cansado. Enquanto suas cenas de ação ainda impressionam, falta a espontaneidade que marcava seus melhores trabalhos. As frases de efeito estão presentes, mas perdem impacto em um roteiro que soa repetitivo e previsível.

A tentativa de humanizar o personagem, explorando seu luto e altruísmo, é louvável. No entanto, a direção falha ao equilibrar ação e emoção de forma convincente. O resultado é um herói que parece agir por obrigação, não por convicção — e o espectador percebe isso.

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Rashmika e o feminino invisível

Rashmika Mandanna, no papel de Saisri, está subutilizada. Apesar de sua importância simbólica na trama, suas cenas carecem de profundidade e tempo de tela. Seu momento mais marcante — a justificativa do casamento forçado — acaba sendo uma nota desconfortável em meio a uma tentativa de construir romance.

Kajal Aggarwal, com pouco tempo em cena, entrega uma personagem mais impactante, ainda que envolta em clichês de empoderamento rápido. Ambas as atrizes mereciam personagens mais bem construídas, especialmente em uma história que fala tanto sobre amor, perda e força feminina.

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Trama forte, execução frouxa

A premissa de “Sikandar” é potente: um homem que transforma a dor da perda em um projeto de vida altruísta. A metáfora da doação de órgãos como forma de perpetuar o amor é bela e original. No entanto, a execução deixa a desejar. O roteiro é linear, previsível e, em muitos momentos, didático demais.

Faltam reviravoltas que realmente surpreendam. As conexões entre os três receptores poderiam ser mais orgânicas, e os vilões soam como caricaturas. O ministro interpretado por Sathyaraj é genérico e sem camadas. Já Prateik Babbar, como o filho mimado, tem um destino tão apressado que mal dá tempo de odiá-lo.

Ação e técnica: brilho com pouca alma

A direção de arte é vistosa, com cenas grandiosas e palácios que parecem saídos de novelas épicas. A fotografia de Tirru entrega momentos belos, mas não necessariamente marcantes. Já a trilha sonora de Santhosh Narayanan tem seus picos, especialmente no clímax, mas é esquecível no geral.

As cenas de ação, por sua vez, parecem saídas de um manual do gênero: câmera lenta, explosões, golpes coreografados com perfeição… mas sem inventividade. Faltam riscos criativos que poderiam elevar o filme a um novo patamar.

O que Sikandar quer dizer?

Apesar de suas falhas, o longa tenta — e em parte consegue — passar mensagens relevantes. A valorização da doação de órgãos, o empoderamento feminino, a crítica à corrupção institucional e a importância da memória afetiva são temas fortes e, por vezes, bem inseridos.

Porém, a tentativa de abordar todos esses assuntos em um único filme o torna raso em alguns pontos. Menos seria mais.

Vale a pena assistir ao filme Sikandar?

“Sikandar” é uma obra ambiciosa, mas desigual. Se por um lado entrega emoção, ação e boas intenções, por outro tropeça em um roteiro frágil, direção irregular e atuações que não atingem seu pleno potencial. Salman Khan segura o filme nas costas, mas até ele parece cansado da repetição.

Ainda assim, há beleza na proposta. O filme emociona em alguns momentos, principalmente ao tratar da doação de órgãos como forma de eternizar o amor. Os fãs de Salman devem se contentar com o espetáculo visual e a aura mítica do ator. Já o público mais exigente pode sair da sala de cinema com a sensação de que o filme poderia — e deveria — ter sido mais.

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Onde assistir Sikandar (2025)?

O filme está disponível para assistir na Netflix.

Trailer de Sikandar, da Netflix

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Elenco do filme Sikandar

  • Salman Khan
  • Rashmika Mandanna
  • Sathyaraj
  • Kajal Aggarwal
  • Kishore Kumar G.
  • Sharman Joshi
  • Prateik Babbar
  • Jatin Sarna
Escrito por
Wilson Spiler

Formado em Design Gráfico, Pós-graduado em Jornalismo e especializado em Jornalismo Cultural, com passagens por grandes redações como TV Globo, Globonews, SRZD e Ultraverso.

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