Sabe aquela série que tem uma premissa tão boa que você já prepara a pipoca achando que vai ser a nova explosão de explosão de audiência do streaming? Pois é, Day One, a nova aposta espanhola do Prime Video, chega exatamente com essa promessa.
Ambientada no coração pulsante da inovação europeia, durante o famoso Mobile World Congress em Barcelona, a produção propõe um mergulho profundo e assustador nos limites éticos da inteligência artificial e da manipulação de dados.
Mas será que a série consegue segurar a barra das expectativas que ela mesma cria? Vamos bater um papo sincero sobre o que funciona e o que decepciona nessa jornada cibernética.
Sinopse
A trama acompanha Ulises Albet (vivido por Álex González), um verdadeiro prodígio da computação que resolveu chutar o balde e abandonar o mundo corporativo da tecnologia após o trágico suicídio de sua irmã, Anna. Dez anos de isolamento vão por água abaixo quando ele recebe um alerta desesperado de seu antigo sócio, Samuel Barrera (Asier Etxeandia), avisando que uma invenção do passado deles caiu em mãos muito perigosas e que o mundo está em risco.
Antes de entender direito o que está rolando, Samuel é assassinado, e Ulises vira o principal suspeito. Em sua fuga, ele se junta a Rebecca (Alba Planas), uma jovem que acaba envolvida por acaso, para tentar expor os planos da poderosa corporação Diskin. O grande segredo? Uma tecnologia invisível — baseada em lentes de contato com microchips — capaz de acessar sinais neurais, suprimir emoções e, basicamente, controlar o livre-arbítrio e o comportamento humano em massa.
Crítica da série Day One
Uma premissa de peso, mas apressada
No papel, Day One soa incrível. É o tipo de história que nos faz olhar com desconfiança para os nossos próprios celulares. O grande problema da série, no entanto, é o ritmo. Composta por apenas seis episódios de cerca de 40 a 45 minutos, a narrativa corre tanto que acaba tropeçando nas próprias pernas.
Em vez de construir uma tensão real, o roteiro entrega o ouro muito cedo: logo de cara, você já sabe quem é o vilão, quais são as motivações dele e como a tecnologia funciona. Isso esvazia quase por completo o elemento de mistério, transformando o que deveria ser um thriller de roer as unhas em uma simples correria de gato e rato que beira o previsível.

Elenco talentoso, personagens nem tanto
A série conta com um elenco de peso na Espanha, mas que infelizmente fica limitado por um roteiro superficial. Álex González manda bem como o protagonista atormentado pela culpa, e a química que ele desenvolve com Alba Planas (Rebecca) é um dos poucos alicerces firmes que mantêm a investigação interessante de se acompanhar.
No entanto, dói ver talentos como Jordi Mollà e Iván Massagué em papéis tão subaproveitados. Os personagens acabam soando um pouco artificiais, servindo mais para mover a história do ponto A ao ponto B do que para nos fazer sentir algo real por eles. O desenvolvimento emocional fica em segundo plano para dar espaço aos conceitos tecnológicos.
O visual futurista e o charme de Barcelona
Se tem algo em que Day One realmente acerta é na estética e na escolha de locações. A fotografia é moderna, limpa e passa perfeitamente aquela frieza tecnológica que o enredo exige. Usar Barcelona não apenas como um cenário bonito, mas como um elemento ativo da história, foi uma sacada de mestre.
Ver locações reais e icônicas como o Barcelona Supercomputing Center, o Síncrotron ALBA e a Torre Glòries dá um peso de realidade e um ar futurista fascinante à série. Ainda que, às vezes, a produção pareça um vídeo promocional de luxo para a cidade, não dá para negar que enche os olhos.
O dilema ético: emoção x controle
A cereja do bolo — que acaba ficando um pouco murcha no final — é o debate sobre o uso da tecnologia. A ideia de que um programa criado inicialmente para prever ações perigosas e evitar tragédias possa ser distorcido para manipular decisões e suprimir emoções é brilhante e muito assustadora.
O plano da empresa Diskin (liderada pelo inescrupuloso Damian) de vender isso como “segurança pública” enquanto domina a mente da população toca em feridas muito atuais sobre privacidade, coleta de dados e os limites da Inteligência Artificial. É uma pena que a série tente abraçar todos esses temas tão grandiosos e acabe tratando-os apenas na superfície, sem se aprofundar de verdade nas consequências filosóficas disso tudo.
Conclusão
No fim das contas, Day One é o famoso “tinha tudo para ser, mas não foi”. Não é um desastre completo, já que consegue ser bem dinâmica, entregando um entretenimento rápido para quem quer fazer uma maratona descompromissada de fim de semana.
A série acerta ao levantar questões super pertinentes sobre a nossa relação com o mundo digital e a ambição das corporações de tecnologia. Porém, por causa do roteiro apressado, da previsibilidade e da falta de profundidade de seus personagens, ela acaba sendo apenas mais uma na infinidade de catálogos dos streamings — um thriller competente, porém esquecível, que desvanece da memória pouco tempo depois de os créditos subirem. Vale pelo debate, mas abaixe as expectativas antes de dar o play.
Elenco da série Day One, do Prime Video
- Álex González
- Iván Massagué
- Alba Planas
- Jordi Mollà
- Renata Notni
- Asier Etxeandia
- Mireia Oriol
- Melina Matthews
- David Janer
- Peter Vives
- Àgata Roca
- Mercè Martínez
- Oscar Muñoz
- David Selvas
















