Sabe quando você junta aquelas amigas de infância que não vê há anos e a conversa oscila entre “nossa, que saudade” e “meu Deus, por que a gente era amiga mesmo?”? Agora, adicione a isso um funeral suspeito, uma viagem de carro pela Irlanda e um mistério que envolve cultos e identidades falsas. É exatamente essa a vibe de De Belfast ao Paraíso (How to Get to Heaven from Belfast).
Criada por Lisa McGee, a mente brilhante por trás de Derry Girls, a série chegou à Netflix em fevereiro de 2026 com uma promessa ousada: misturar a melancolia da vida adulta com um thriller de “quem matou?” regado a humor ácido. E, olha, o resultado é uma bagunça deliciosa.
Sinopse
A trama gira em torno de Saoirse, Robyn e Dara, três mulheres na casa dos 30 anos que, convenhamos, estão com a vida meio empacada. Saoirse é uma roteirista caótica, Robyn é a mãe sobrecarregada que tenta manter as aparências e Dara é a cuidadora contida do grupo. O trio, inseparável na adolescência, se reúne após receber a notícia da morte de Greta, a quarta integrante da turma que havia se afastado anos atrás.
O que deveria ser apenas um velório triste vira uma investigação maluca quando elas percebem algo bizarro no caixão: a falecida não tem a tatuagem que todas fizeram juntas no passado. Convencidas de que Greta está viva (ou que foram enganadas), elas embarcam numa odisseia perigosa para descobrir o que aconteceu na noite em que um incêndio selou o destino delas décadas atrás.
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Crítica da série De Belfast ao Paraíso
A química do caos
O que faz a série funcionar não é necessariamente o mistério central, mas a dinâmica entre as protagonistas. Roisin Gallagher (Saoirse), Sinéad Keenan (Robyn) e Caoilfhionn Dunne (Dara) entregam atuações que elevam o material. Elas conseguem transitar do drama pesado para a comédia pastelão em segundos.
A série acerta em cheio ao mostrar que, mesmo em meio a perseguições e cadáveres, amigas de longa data ainda vão arrumar tempo para discutir bobagens ou jogar na cara erros de 20 anos atrás. É essa “irmandade imperfeita” que segura o espectador quando o roteiro decide dar umas voltas meio longas demais.

Um roteiro que brinca com seus nervos (e com a lógica)
Lisa McGee tem um talento especial para o “humor da estranheza”. As situações são desconfortáveis e as piadas surgem nos momentos mais impróprios, como num velório ou durante uma invasão domiciliar. No entanto, é preciso dizer: a trama é caótica. Às vezes, parece que estamos assistindo a um thriller sério sobre traumas de infância e cultos religiosos; em outros momentos, vira uma farsa completa com personagens caricatos.
Para quem gosta de tudo explicadinho e linear, isso pode irritar. A história joga elementos como a “Sociedade da Evaporação” (um grupo que ajuda mulheres a sumirem, mas que também tem seus podres) e reviravoltas sobre quem morreu de verdade no lugar de Greta, o que exige uma certa suspensão de descrença. Mas, se você aceitar o convite para o absurdo, a experiência é divertidíssima.
Girl Power com trilha sonora de respeito
Não dá para ignorar a atmosfera criada pela direção e pela música. A série abusa de trilhas sonoras pop dos anos 90 e 2000, criando aquele sentimento nostálgico que bate forte em quem cresceu nessa época.
Visualmente, a Irlanda é filmada de um jeito que foge do cartão postal turístico, focando mais nas estradas rurais e no clima cinzento que combina perfeitamente com o humor seco das personagens. É uma série que tem estilo e sabe disso, usando câmeras angulares para causar desconforto e te lembrar que, ali, nada é exatamente normal.
O final: respostas ou mais perguntas?
O desfecho da temporada é daqueles que divide a galera no sofá. A gente descobre que Greta estava viva esse tempo todo (o corpo era de Jodie, uma amiga de infância envolvida na confusão do passado) e a série amarra as pontas sobre o incêndio na igreja.
Porém, o final deixa um gosto de “quero mais” — ou de “como assim?”. Temos um homem morto com uma chave de fenda e uma sacola misteriosa que foi esquecida para trás, sugerindo que os segredos dessas mulheres estão longe de acabar. É um encerramento que fecha o arco emocional, mas escancara a porta para o futuro, deixando claro que a paz é algo temporário para esse grupo.
Conclusão
De Belfast ao Paraíso não é uma série perfeita. Ela tem barrigas no roteiro e momentos que beiram o nonsense total. Mas ela tem alma. É uma produção que entende a complexidade da amizade feminina adulta — aquela que sobrevive ao tempo, à distância e até a cúmplices de crimes acidentais.
Se você curte o humor de Derry Girls mas quer algo com uma pegada mais madura e sombria, essa é a pedida certa. É caótica, engraçada e tensa na medida certa para te prender por oito episódios.
Onde assistir à série De Belfast ao Paraíso?
Trailer de De Belfast ao Paraíso (2026)
Elenco de De Belfast ao Paraíso, da Netflix
- Roísín Gallagher
- Sinéad Keenan
- Caoilfhionn Dunne
- Bronagh Gallagher
- Darragh Hand
- Natasha O’Keeffe
- Saoirse-Monica Jackson
- Emmett J. Scanlan
- Michelle Fairley
- Josh Finan

















