Se a primeira temporada de Detetive Alex Cross foi sobre enfrentar demônios pessoais e o luto pela esposa, o início da segunda temporada deixa claro que a série do Prime Video quer expandir o tabuleiro. Baseada na obra de James Patterson, a produção retorna com Aldis Hodge vestindo a pele do detetive com aquele carisma habitual, mas agora o jogo mudou.
Não estamos mais caçando apenas um serial killer excêntrico; estamos mergulhando em uma conspiração que mistura tráfico humano, traumas do passado e uma crítica nada sutil aos bilionários intocáveis. A pergunta que fica após essa maratona inicial de três episódios é: ao tentar abraçar o mundo, a série perdeu aquela intimidade que nos prendeu no ano passado?
Sinopse
A temporada abre chutando a porta (literalmente) com uma sequência brutal em uma ilha privada, onde conhecemos Rebecca (ou Luz) e seu parceiro Donnie. Eles não são vilões comuns; são “justiceiros” eliminando pedófilos ricos e resgatando vítimas de tráfico sexual.
O cartão de visita deles? Dedos decepados. Quando esses dedos chegam numa caixa para Lance Durand (Matthew Lillard), um bilionário estilo “tech bro” com complexo de salvador, Alex Cross e a agente do FBI Kayla Craig são forçados a trabalhar juntos para protegê-lo.
Enquanto Cross tenta conectar os pontos entre os dedos cortados e um misterioso “homem sorridente” (Lincoln Esteban) que parece estar seguindo os passos dos justiceiros, ele precisa lidar com sua vida pessoal bagunçada e um novo envolvimento romântico inesperado. Paralelamente, seu parceiro John Sampson enfrenta um fantasma do passado quando descobre que sua mãe, que ele achava estar morta, está viva e presa por assassinato.
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Crítica da temporada 2 de Detetive Alex Cross
Vilões ou anti-heróis?
O ponto alto desses primeiros episódios é, sem dúvida, a complexidade moral trazida pelos antagonistas. Diferente do “Fanboy” da primeira temporada, que era um monstro clássico, Rebecca/Luz (interpretada por Jeanine Mason) opera numa área cinzenta que nos faz questionar para quem estamos torcendo. A motivação dela é vingança pura, enraizada na morte da mãe e na exploração de sua comunidade.
É fascinante ver como a série aborda temas atuais, como a impunidade dos superricos e o tráfico humano, sem parecer (muito) sermão. Quando vemos Luz executando sua vingança, há uma catarse ali. Ela é uma antagonista magnética, e a série acerta ao humanizar sua fúria, contrastando-a com a frieza corporativa de Lance Durand, que Matthew Lillard interpreta com uma energia “Elon Musk do mal” que você ama odiar.

O dilema de Aldis Hodge
Aldis Hodge continua sendo a âncora da série. Ele entrega a intensidade necessária, mas o roteiro destes primeiros episódios parece, às vezes, deixar o próprio Alex Cross em segundo plano em prol da expansão da trama. Com o foco dividido entre tantos núcleos, perdemos um pouco daquela profundidade psicológica do Cross “pai de família em luto”.
Por outro lado, a química dele com a agente Kayla Craig (Alona Tal) está pegando fogo. A dinâmica profissional que virou “algo a mais” no episódio 3, durante a viagem ao Texas, trouxe um tempero novo e bem-vindo. É uma relação complicada, cheia de farpas e tensão sexual, que funciona muito melhor do que o vai-e-vem cansativo com a ex-namorada Elle. A série ganha vida quando Hodge e Tal estão trocando farpas (ou beijos) em tela.
Excesso de bagagem narrativa
Se há um pecado nessa estreia, é a ambição desmedida de querer contar histórias demais ao mesmo tempo. Além da caçada aos justiceiros e o mistério dos dedos, temos: o drama da mãe de Sampson (que, embora emocionante e bem atuado por Isaiah Mustafa, às vezes parece um desvio da trama principal); a subtrama da Kayla com o tal projeto “Bad Religion” e o chantagista “Mastermind”; e as questões familiares do Cross.
Em alguns momentos, a narrativa fica inchada. O episódio 3, “Nutrir”, por exemplo, é denso e longo, tentando equilibrar a ação no Texas com o drama de Sampson em DC e a viagem de Rebecca ao México. A série corre o risco de virar um procedural genérico se não amarrar essas pontas soltas logo, embora a ação, como a perseguição no metrô de Chicago ou o tiroteio no posto de gasolina, continue muito competente.
Conclusão
O início da temporada 2 de Detetive Alex Cross prova que a série tem fôlego para ir além do trauma pessoal do protagonista, apostando em um thriller mais político e socialmente carregado. Embora perca um pouco da intimidade emocional da estreia ao tentar equilibrar pratos demais, compensa com vilões carismáticos e uma discussão relevante sobre justiça versus lei.
Os episódios “Devastar”, “Fragmentar” e “Nutrir” preparam o terreno para um confronto explosivo. Se você gosta de tramas onde a linha entre o certo e o errado é tênue e não se importa com um roteiro que às vezes dá voltas demais para chegar ao ponto, Cross continua sendo uma maratona sólida e envolvente. Agora, resta saber se Alex vai prender a justiceira ou acabar concordando com ela.
Onde assistir à temporada 2 de Detetive Alex Cross?
Trailer da 2ª temporada de Detetive Alex Cross
Elenco da segunda temporada de Detetive Alex Cross
- Aldis Hodge
- Isaiah Mustafa
- Alona Tal
- Jeanine Mason
- Samantha Walkes
- Juanita Jennings
- Caleb Elijah
- Melody Hurd
- Wes Chatham
- Johnny Ray Gill
- Matthew Lillard















