Confira a crítica da série "Doce Engano", dorama sul-coreano de 2023 disponível para assistir no Globoplay.

‘Doce Engano’ e a arte de enganar o espectador — no bom e no mau sentido

Foto: Globoplay / Divulgação
Compartilhe

“Doce Engano” chegou ao catálogo do Globoplay prometendo repetir o sucesso de doramas como O Mundo dos Casados. Com direção de Su Hyun Lee e roteiro de Han Woo-Joo, a série mistura vingança, crime, dilemas morais e uma pitada de humor ácido.

O elenco liderado por Chun Woo-Hee e Kim Dong-Wook reúne rostos conhecidos do k-drama, mas é o roteiro — instável e ambicioso — que se torna o verdadeiro protagonista, para o bem e para o mal.

Frete grátis e rápido! Confira o festival de ofertas e promoções com até 80% OFF para tudo o que você precisa: TVs, celulares, livros, roupas, calçados e muito mais! Economize já com descontos imperdíveis!

Sinopse do dorama Doce Engano (2023)

A trama acompanha Ro-Eum (Chun Woo-Hee), uma jovem com memória fotográfica e habilidades geniais, libertada após dez anos de prisão por um crime que não cometeu: o assassinato dos próprios pais.

Ao lado de Moo-Young (Kim Dong-Wook), um advogado emocionalmente sensível, ela inicia uma jornada de vingança contra a Fundação Jeokmok, uma organização criminosa que disfarça seus crimes por trás de uma instituição para crianças superdotadas.

O grupo, formado por ex-vítimas da fundação, se reúne para aplicar golpes complexos e desmantelar um sistema corrupto — tudo sob a constante vigilância do oficial de condicional Go Yo-Han (Yoon Park).

Você também pode gostar disso:

+ ‘Doctor Who’ abre 2ª temporada com ousadia, sátira e uma companheira que promete

+ ‘Um Amor no Paraíso’ mistura fantasia, melancolia e humor com delicadeza

+ ‘Ransom Canyon’ é viciante, mas se contenta com pouco

Crítica da série Doce Engano, do Globoplay

“Doce Engano” começa com personalidade: a quebra da quarta parede, o humor inesperado, os enquadramentos criativos e a inversão de papéis tradicionais — com uma protagonista fria e calculista e um advogado emotivo — dão um frescor que prende o espectador. Os primeiros episódios são envolventes e instigantes, apresentando um universo moralmente ambíguo, com personagens excêntricos e brilhantemente traumatizados.

Mas, a partir do episódio 5, a série tropeça. O ritmo desacelera, os personagens parecem estagnados e o roteiro se perde em explicações arrastadas. A narrativa se torna excessivamente dependente de diálogos expositivos — muitas vezes dirigidos diretamente ao público — o que revela certa insegurança na condução do enredo. A quebra da quarta parede, antes charmosa, passa a parecer um artifício forçado para cobrir falhas de construção narrativa.

Entre os episódios 5 e 10, há um esvaziamento dramático. A ação dá lugar a longos flashbacks, e o suspense perde força. Algumas subtramas — como a do oficial Go Yo-Han e da psicóloga Mo Jae In — são promissoras, mas não recebem o desenvolvimento necessário.

A volta por cima e o final recompensador

A partir do episódio 12, “Doce Engano” reencontra sua essência. A tensão volta a crescer, os golpes são bem articulados e a crítica social ganha profundidade. A série levanta dilemas importantes sobre justiça, vigilância, marginalização e o que acontece com os excluídos do sistema. É quando a história finalmente entrega o que prometia: um thriller envolvente e provocador.

O final é surpreendentemente satisfatório. Ainda que a execução tenha sido desequilibrada, os arcos se fecham com coerência, e o desfecho é capaz de reparar — ao menos parcialmente — os desvios da trama no miolo da temporada.

Personagens potentes, mas nem sempre bem utilizados

Chun Woo-Hee está magnética como Ro-Eum. Sua frieza e inteligência fazem da personagem uma anti-heroína intrigante. Já Kim Dong-Wook, embora competente, entrega uma performance apagada, repetindo tiques de outros papéis e sem conseguir explorar todo o potencial emocional do advogado Moo-Young.

Os coadjuvantes, como Da Jeong (a hacker introspectiva), Na-Sa (o engenheiro instável) e Ring-Go (o apaixonado inconsequente), funcionam bem como peças do tabuleiro, ainda que alguns fiquem subaproveitados. O policial Go Yo-Han, vivido por Yoon Park, é um destaque inesperado, trazendo leveza e ambiguidade moral à narrativa.

Mais impacto em menos episódios?

É inegável: “Doce Engano” poderia ter sido mais eficaz com 12 episódios. O excesso de conteúdo no meio da temporada compromete o impacto geral. Ao tentar abraçar drama psicológico, crítica institucional, comédia sarcástica e ação policial, a série muitas vezes se perde em seu próprio labirinto narrativo.

Ainda assim, a complexidade dos temas — como a luta por pertencimento, o trauma infantil e a ética da vingança — dá estofo ao drama. Quando a série acerta, acerta em cheio.

Acompanhe o Flixlândia no Google Notícias e fique por dentro do mundo dos filmes e séries do streaming

Conclusão

“Doce Engano” é um dorama de extremos. Oscila entre momentos de genialidade e trechos de marasmo narrativo. Começa como uma série afiada e cheia de estilo, mergulha em um período confuso e, por fim, ressurge com força e entrega uma conclusão digna.

Apesar das falhas de ritmo e estrutura, é uma produção corajosa, que desafia o espectador a refletir sobre justiça, empatia e os limites da moralidade. Para quem tem paciência de atravessar os altos e baixos, a recompensa chega — ainda que tardiamente.

Siga o Flixlândia nas redes sociais

Instagram

Twitter

TikTok

YouTube

Onde assistir ao dorama Doce Engano?

A série está disponível para assistir no Globoplay.

Trailer de Doce Engano (2023)

YouTube player

Elenco de Doce Engano, do Globoplay

  • Chun Woo-hee
  • Kim Dong-wook
  • Yoon Park
  • Park So-jin
  • Lee Hae-young
  • Kim Jeong-yeong
  • Lee Yeon
  • Yoo Hee-je

Ficha técnica da série Doce Engano

  • Título original: Delightfully Deceitful / Beneficial Fraud
  • Gênero: drama, policial
  • País: Coreia do Sul
  • Temporada: 1
  • Episódios: 16
  • Classificação: 14 anos
Escrito por
Wilson Spiler

Formado em Design Gráfico, Pós-graduado em Jornalismo e especializado em Jornalismo Cultural, com passagens por grandes redações como TV Globo, Globonews, SRZD e Ultraverso.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Procuram-se colaboradores
Procuram-se colaboradores

Últimas

Artigos relacionados
Mal de Amores série de 2026 da Netflix
Críticas

O fogo da revolução e a urgência de pertencer a si mesma em ‘Mal de Amores’

Se você der o play na nova minissérie de sete episódios da...

Jennifer Connelly e Joel Edgerton no episódio 1 da 2 temporada de Matéria Escura
Críticas

‘Matéria Escura’ destrói final feliz da 1ª temporada e joga Jason em pesadelo ainda maior

Quem terminou o primeiro ano de Matéria Escura com a sensação de...

Lanternas 3 episódio da série
Críticas

Episódio 3 de ‘Lanternas’ destrói o maior clichê dos super-heróis

Quem esperava que o episódio 3 de Lanternas engatasse a quinta marcha...

Fúria episódio 8 final da 1 temporada da série do Disney+
Críticas

Final arrebatador de ‘Fúria’ inverte o jogo e transforma caçadora em predadora

Fechar uma temporada de suspense policial sem cair em atalhos fáceis ou...

Sua Mãe Te Conhece reality da Netflix (1)
CríticasReality Show

‘Sua Mãe Te Conhece?’ disseca a superproteção familiar com o carisma arrebatador de Claudia Raia

Depois de transformar conflitos entre genros, noras e sogras no fenômeno Ilhados...

O Rato série de 2026 da Netflix
Críticas

Inspirado em lenda macabra de unhas cortadas, ‘O Rato’ desafia tudo o que você sabe sobre identidade

O Rato (Deuljwi) estreou na Netflix trazendo uma daquelas premissas que batem...