Finalmente a espera acabou. Depois de um final de segunda temporada que deixou todo mundo de queixo caído, Espíritos na Escola retornou ao Paramount+ com seus três primeiros episódios. Se você, assim como eu, estava na expectativa para ver como a série resolveria o “cliffhanger” da Maddie voltando para o corpo dela, prepare-se: a série decidiu dobrar a aposta.
A narrativa adolescente fofinha de “quem matou quem” deu lugar a algo bem mais pesado, flertando abertamente com o terror e expandindo uma mitologia que, sinceramente, está ficando perigosamente complicada.
Essa nova leva de episódios mostra uma ambição clara dos criadores em transformar o show, mas a sensação que fica é um misto de empolgação com algumas atuações brilhantes e uma leve dor de cabeça tentando entender as novas regras do além.
Sinopse
A trama recomeça exatamente onde parou. Maddie Nears (Peyton List) acorda no hospital, viva, mas com um ferimento grave na cabeça e todas as memórias do tempo que passou como fantasma. O problema? Simon (Kristian Ventura), seu melhor amigo e âncora emocional, trocou de lugar com ela. Ele agora está preso na escola, existindo num limiar estranho onde sangra e sente dor como um humano, mas não consegue sair da propriedade.
Para piorar, Janet se sacrifica e desaparece para tentar salvar Simon, deixando o grupo sem sua guia espiritual. Enquanto Maddie tenta lidar com uma mãe que voltou a beber e a própria readaptação ao mundo dos vivos (onde ela ainda vê fantasmas em locais de morte), uma nova ameaça surge na forma da Superintendente Dra. Deborah Hunter-Price (Jennifer Tilly), que quer fechar a escola. Ah, e o Sr. Martin finalmente revela que não é o santo que parecia: ele causou o acidente de ônibus anos atrás após encontrar uma entidade sombria no subsolo da escola.
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Resenha crítica da temporada 3 de Espíritos na Escola
A inversão de papéis e o peso dramático
A decisão criativa mais ousada — e controversa — foi inverter a dinâmica da série. Antes, tínhamos Simon investigando no mundo real para salvar a Maddie fantasma. Agora, temos Maddie no mundo real tentando salvar o Simon “fantasma”. Embora essa repetição da estrutura de “alguém está preso e precisa ser salvo” possa parecer que os roteiristas estão andando em círculos, ela se sustenta graças a uma pessoa: Kristian Ventura.
A performance dele como Simon é devastadora. Ele consegue vender a frustração e o medo de estar preso naquele purgatório de forma visceral. Por outro lado, Peyton List entrega talvez sua atuação mais “crua” até agora. As cenas dela lidando com a mãe alcoólatra, Sandra, são pesadas e necessárias, evitando que o drama familiar pareça barato. A troca de farpas entre mãe e filha atinge um nível doloroso quando Maddie joga na cara da mãe a culpa pelo que aconteceu.

O fator Jennifer Tilly e o tom de terror
Se as temporadas anteriores eram um mistério teen, a terceira temporada decidiu abraçar o terror. A introdução de Jennifer Tilly como a vilã burocrática é um acerto enorme. Mesmo aparecendo pouco nesses primeiros episódios, ela traz uma energia “camp” e ameaçadora que a série precisava. A personagem dela começa como um arquétipo de autoridade má, mas deixa claro que há algo muito mais perturbador por trás.
A série também aposta em visuais mais macabros e entidades que beiram o demoníaco, especialmente com a revelação do Sr. Martin sobre a força sombria embaixo da escola. Isso dá um ar de Stranger Things para a produção, elevando o suspense, mas também nos faz questionar se Espíritos na Escola não está perdendo um pouco daquela inocência que a tornava especial.
Excesso de personagens e regras confusas
Aqui é onde a coisa pega. O maior defeito desses três primeiros episódios é a falta de equilíbrio. O elenco cresceu demais e a série luta para dar tempo de tela para todo mundo. Temos subplots do Xavier vendo fantasmas no hospital, a Nicole tentando se infiltrar nas “meninas malvadas” e o drama de relacionamento do Charley e Yuri.
Falando neles, o arco do Quinn (anteriormente conhecida apenas como a “fantasma do drama”) é um ponto alto e baixo ao mesmo tempo. A revelação de que Quinn é não-binário e escolheu esse nome para fugir das expectativas de gênero é tocante e muito bem atuada. Porém, no meio de tanta coisa acontecendo — portais, entidades aquáticas, superintendentes malignas —, esses momentos de desenvolvimento de personagem acabam parecendo apressados ou desconexos da trama principal de “Salvar o Simon”.
Além disso, as novas regras do universo estão confusas. Maddie vê fantasmas, mas só em lugares onde gente morreu? Simon sangra mas é fantasma? Há uma sensação de que os roteiristas estão inventando regras conforme a necessidade, o que pode alienar quem gostava da lógica mais “fechadinha” da primeira temporada.
Conclusão
Os três primeiros episódios da 3ª temporada de Espíritos na Escola provam que a série não tem medo de mudar. É uma produção visualmente mais rica e emocionalmente mais madura, impulsionada pelas atuações fantásticas de Kristian Ventura e Peyton List. No entanto, ao tentar ser maior, mais assustadora e mais complexa, ela corre o risco de tropeçar nas próprias pernas.
A introdução de Jennifer Tilly e o aprofundamento na mitologia do Sr. Martin são ótimos ganchos, mas a série precisa urgentemente focar sua narrativa. Se continuar expandindo o mistério sem resolver as pontas soltas, pode acabar sofrendo da “síndrome de Lost“, onde o mistério importa mais que a resolução. Por enquanto, o saldo é positivo: o suspense ainda prende e a gente se importa demais com esses personagens para abandonar o barco agora.
Onde assistir à temporada 3 de Espíritos na Escola?
Trailer da 3ª temporada de Espíritos na Escola
Elenco da terceira temporada de Espíritos na Escola
- Kiara Pichardo
- Kristian Ventura
- Milo Manheim
- Peyton List
- Spencer Macpherson
















