Sabe aquela sensação de que a trama finalmente engatou? Pois é, o episódio 3 da temporada 2 de Fallout, intitulado “A Degenerada”, traz exatamente esse alívio. Depois de um início de temporada que parecia estar apenas preparando o terreno, aqui as coisas ficam sérias — e, claro, bizarramente engraçadas, como só essa série consegue ser. Afinal, em que outro lugar o trabalho infantil poderia parecer uma colônia de férias quase saudável?
O episódio mergulha fundo nas neuroses de seus personagens, dividindo o grupo principal para explorar novas facções, velhos amigos transformados em ghouls e dilemas éticos que fariam qualquer filósofo suar frio.
Sinopse
Neste capítulo, nossos protagonistas seguem caminhos distintos e perigosos. Lucy (Ella Purnell) acaba nas garras da Legião de César, um bando de fanáticos que levam o cosplay de Roma Antiga a sério demais, onde ela enfrenta a ameaça real de crucificação. Enquanto isso, o Ghoul (Walton Goggins), ainda lidando com ferimentos graves e memórias do passado, pondera sobre sua própria humanidade enquanto persegue pistas sobre Robert House.
Já Maximus (Aaron Moten) se vê em uma encruzilhada dentro da Irmandade de Aço. Após ser humilhado pelo Ancião Quintus, ele é “seduzido” pelo carismático Paladino Xander Harkness (Kumail Nanjiani), um representante da Commonwealth que o leva para uma “broderagem” regada a destruição de robôs e conversas sobre guerra. O destino de todos se cruza de formas inesperadas, especialmente quando descobrimos que Thaddeus (Johnny Pemberton), agora um ghoul, está tocando uma fábrica de Nuka-Cola operada por crianças.
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Resenha crítica do episódio 3 da temporada 2 de Fallout
O Navio de Teseu e a humanidade de Cooper
Um dos pontos altos do episódio é, sem dúvida, o aprofundamento na psique do Ghoul. Walton Goggins brilha ao trazer vulnerabilidade para um personagem que geralmente é pura casca grossa. A metáfora do “Navio de Teseu” que ele usa — questionando quantas tábuas você pode tirar de um barco antes que ele deixe de ser o mesmo barco — serve perfeitamente para sua condição física e moral. Ele está literalmente perdendo pedaços, mas a decisão de salvar Lucy da Legião sugere que ainda existe uma “tábua” original de Cooper Howard ali dentro.
Os flashbacks também funcionam bem para dar peso a essa dualidade. Ver o contraste entre o Cooper do passado, um soldado que se importava com vidas (como destacado no discurso de Charles Whiteknife), e o caçador de recompensas cínico do presente é fascinante. A interação com Robert House (Justin Theroux) no passado adiciona uma camada de tensão e mistério, embora a insistência da série em manter a identidade de House como algo enigmático para Cooper soe um pouco forçada, já que o público sabe exatamente quem ele é.

A evolução brutal de Maximus
Se o Ghoul está tentando redescobrir sua humanidade, Maximus está tentando definir a dele. A dinâmica entre ele e o Paladino Xander é excelente. Kumail Nanjiani entrega um personagem que exala carisma de vendedor de carros usados misturado com fanatismo militar. É fácil entender por que Maximus, carente de aprovação e direção, cai na lábia dele.
Mas o roteiro acerta em cheio ao usar Thaddeus como o catalisador da mudança. A cena na fábrica de Nuka-Cola é o ponto de virada. Ver Xander disposto a executar crianças “ghoulificadas” sem pestanejar é o choque de realidade que Maximus precisava.
O momento em que ele usa a marreta contra Xander não é apenas uma cena de ação (embora ver alguém levar uma marretada de Power Armor seja visualmente impactante); é a prova de que, apesar de toda a doutrinação da Irmandade, Maximus manteve sua bússola moral intacta. Ele escolheu ser o homem bom que seu pai queria, mesmo que isso signifique matar um superior.
Cosplay romano e comédia sombria
O núcleo da Legião de César traz aquele humor ácido característico da franquia. É hilário e aterrorizante ver um bando de caras de óculos escuros e metralhadoras fingindo ser romanos. A participação de Macaulay Culkin como um dos líderes da facção divide opiniões — para alguns, sua atuação soa um pouco rígida, mas ele capta bem a vibe de “príncipe petulante” que o papel pede.
Quem rouba a cena aqui, no entanto, é Ella Purnell. Lucy usando sua inteligência de Vault para corrigir a pronúncia de “Kai-sar” e refutar a lógica da primae noctis (com a pérola de que ela “nem é mais virgem, sem contar as coisas com os primos”) é impagável. É bom ver que a série mantém a essência de New Vegas, mostrando as disputas internas da Legião, mesmo que a escala do conflito pareça um pouco pequena para a TV — dois acampamentos brigando não passam exatamente a sensação de um exército massivo, mas funcionam para a narrativa focada nos personagens.
O paradoxal Thaddeus
Johnny Pemberton continua sendo o alívio cômico perfeito. A ideia de que Thaddeus, agora um ghoul, administra um local de trabalho infantil que é, ironicamente, o lugar mais “seguro” e acolhedor do episódio, é o tipo de piada de humor negro que Fallout faz melhor.
Ver as crianças cantando que “a maioria já estaria morta nessa idade” enquanto trabalham 22 horas por dia é horrível e engraçado na medida certa, servindo como uma crítica social afiada sobre o que constitui “bondade” no fim do mundo.
Conclusão
O episódio 3 da temporada 2 de Fallout pode ter alguns problemas de ritmo quando para para explicar demais a política das facções, e a escala da NCR e da Legião pode parecer modesta para os fãs mais puristas dos jogos. No entanto, é inegável que este é o episódio mais focado e eficiente da segunda temporada até agora.
Ao centralizar a trama nas escolhas difíceis de Maximus e na introspecção do Ghoul, a série consegue equilibrar a violência absurda com desenvolvimento de personagem genuíno. As guerras civis estão estourando por toda a Wasteland, mas são as batalhas internas de cada personagem que realmente prenderam a atenção nesta semana. Se a temporada continuar nesse “velocidade de cruzeiro”, estamos no caminho certo.
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Trailer da temporada 2 de Fallout
Elenco da segunda temporada de Fallout
- Ella Purnell
- Walton Goggins
- Aaron Moten
- Moises Arias
- Leer Leary
- Frances Turner
- Leslie Uggams
- Annabel O’Hagan

















