Se você acabou de assistir ao terror folclórico islandês “Os Malditos” (The Damned), dirigido por Thordur Palsson, na HBO Max, é muito provável que esteja se perguntando: afinal, o monstro era real ou Eva cometeu um erro terrível? O filme, que tem dividido opiniões desde sua estreia em festivais como Tribeca, aposta em uma ambiguidade perturbadora.
Abaixo, dissecamos o final, as teorias principais e o que o diretor quis dizer com aquela última cena chocante.
Atenção: Spoilers completos da trama a seguir.
Os Malditos: explicação do final do filme
O clímax: fogo e revelação
Para entender o final, precisamos relembrar o contexto. Eva (Odessa Young) e seu grupo de pescadores estão isolados, famintos e consumidos pela culpa após deixarem a tripulação de um naufrágio morrer para proteger seus próprios suprimentos. À medida que o inverno avança, a paranoia se instala, alimentada pela lenda do Draugr — uma criatura morta-viva da mitologia nórdica que busca vingança.
No ato final, após a morte de grande parte do grupo (seja por suicídio ou violência interna), Eva se vê encurralada na cabana. Acreditando estar diante da criatura maligna, ela atira e ateia fogo no local, seguindo o conselho da personagem Helga de que o Draugr só pode ser destruído pelo fogo.
É aqui que o filme puxa o tapete do espectador. Enquanto a cabana queima, Eva tem uma visão (ou flashback) do que realmente aconteceu segundos antes. A “criatura” não ruge como um monstro; em vez disso, vemos um homem falando em uma língua estrangeira (basco), segurando um relógio de bolso e implorando.
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O que significa a cena do relógio e do sobrevivente?
A interpretação mais literal e trágica sugere que não havia monstro algum.
1. A identidade do homem: O homem que Eva mata no final seria, na verdade, um sobrevivente humano do naufrágio. O relógio que ele mostra é idêntico ao que foi encontrado em um dos corpos no início do filme. Isso indica que ele era o irmão do homem morto, recuperou o relógio do caixão (o que explica o caixão vazio encontrado antes) e estava escondido na estação de pesca, roubando comida para sobreviver.
2. A explicação racional: Segundo essa teoria, os eventos “sobrenaturais” — o sumiço dos peixes, os barulhos — eram obra desse sobrevivente faminto e vingativo, não de um espírito. Ele admite (nas legendas traduzidas para o público, embora Eva não o entenda) que roubou a comida por raiva de terem deixado seu irmão e tripulação morrerem.
Se seguirmos essa linha, o filme é uma tragédia sobre culpa e histeria coletiva. A “assombração” foi uma manifestação psicológica da culpa de Eva e seus companheiros por não terem ajudado os náufragos. Ao matar o sobrevivente, Eva completa sua condenação moral, escolhendo novamente a autopreservação em vez da humanidade.

Teoria sobrenatural: o Draugr era real?
Apesar da explicação lógica parecer fechar a trama, muitos espectadores e análises apontam furos intencionais que sustentam a existência do sobrenatural. O filme deixa pistas de que o Draugr pode ter fingido ser humano ou manipulado a percepção de Eva.
- Furos na sobrevivência física: Como um homem sobreviveria nadando nas águas congelantes do Ártico, permaneceria molhado por dias (suas pegadas e roupas estão encharcadas na cena final) e ainda teria uma aparência “arrumada” após semanas de fome e frio extremo?. A hipotermia mataria um humano comum em minutos naquelas condições.
- O truque da mente: Uma característica do Draugr no folclore e no filme é a capacidade de entrar na mente das vítimas. É possível que a entidade tenha assumido a forma do irmão morto (ou projetado essa imagem) como um último tormento para Eva, garantindo que ela vivesse com a culpa eterna de ter matado um “inocente”.
- As enguias: Vale lembrar a cena anterior onde vemos enguias dentro do estômago de uma das aparições, sugerindo algo inumano.
Como resume uma discussão popular sobre o filme: “Os vivos são sempre mais perigosos que os mortos”. Seja um monstro real ou um homem, o resultado é a destruição da humanidade de Eva.
O que o diretor Thordur Palsson diz sobre o final?
O diretor Thordur Palsson construiu o filme para habitar exatamente nessa área cinzenta. Em entrevistas, ele destaca que queria colocar o público na “cabeça de Eva”. A ambiguidade é intencional.
“O que eu estava tentando passar é essa ambiguidade. Você tenta plantar uma semente que possivelmente dará frutos no terceiro ato… Honestamente, o filme inteiro é basicamente o rosto de Odessa [Young].” — Thordur Palsson.
Palsson reforça que o verdadeiro terror não reside no sobrenatural, mas nas escolhas morais impossíveis que as pessoas são forçadas a fazer quando levadas ao limite.
FAQ: Perguntas Frequentes sobre “Os Malditos”
O Draugr existe mesmo ou foi alucinação?
O filme não dá uma resposta definitiva. Pode ser interpretado como um caso de folie à deux (loucura compartilhada) e histeria causada por intoxicação alimentar ou fome, ou como uma entidade real que se aproveitou da culpa do grupo para destruí-los.
Por que o caixão estava vazio?
Na teoria realista, o sobrevivente basco abriu o caixão para pegar o relógio do irmão morto. Na teoria sobrenatural, o Draugr (o morto-vivo) se levantou do túmulo.
O que acontece com Eva no final?
Eva sobrevive fisicamente, mas sua alma está condenada (daí o título “Os Malditos” ou “The Damned”). Ao queimar o local e matar o último sobrevivente (seja humano ou monstro), ela sela seu destino isolado e traumático.
Veredito sobre o filme Os Malditos (2025)
“Os Malditos” é menos sobre fantasmas e mais sobre o peso esmagador da culpa. Se Eva matou um homem ou um monstro, o resultado psicológico é o mesmo: ela se tornou aquilo que mais temia.
Gostou da análise? Você é do time “Histeria Coletiva” ou “Draugr Real”?













