Parece que foi ontem que estávamos roendo as unhas com o final da terceira temporada, mas Invencível já está de volta ao Prime Video e, para a nossa alegria, a estreia trouxe logo um combo de três episódios explosivos. A série já chegou chutando a porta com uns impressionantes 100% de aprovação da crítica no Rotten Tomatoes, o que não é pouca coisa.
Se você achava que a vida do Mark Grayson não tinha como ficar mais caótica depois de tudo o que rolou com as suas versões malignas do multiverso e a batalha sangrenta contra o Conquest, prepare-se. Essa nova leva de episódios eleva a ambição da série a um patamar absurdo, expandindo o universo e nos entregando uma das histórias de super-heróis mais intensas e emocionalmente pesadas da atualidade.
Sinopse
A trama recomeça logo após os eventos desastrosos da guerra do multiverso. O mundo está quebrado, tentando se reconstruir, e Mark não está muito diferente. Lidando com o trauma e com o fato de que as pessoas agora olham para o seu rosto com pavor (já que os vilões tinham a mesma cara que ele), o herói tenta manter a rotina de salvar o mundo.
Enquanto Mark lida com ameaças na Terra — que vão de um dinossauro humanoide até uma invasão de parasitas espaciais —, o segundo episódio nos joga no espaço para acompanhar o Omni-Man (Nolan) e Allen, o Alien, em uma road trip cósmica em busca de fraquezas dos Viltrumitas para a grande guerra que se aproxima.
Crítica dos três primeiros episódios da temporada 4 de Invencível
O herói no limite e a quebra da moralidade
O que mais chama a atenção nesse começo de temporada é o estado mental do Mark. Ele não é mais aquele garoto otimista que estava descobrindo os poderes. O peso das perdas e as pressões diárias estão cobrando a conta, deixando o protagonista literalmente exausto. A grande pergunta que a série joga na nossa cara o tempo todo é: até que ponto não matar os vilões é a escolha certa?
A série não tem medo de colocar Mark em zonas cinzentas. Logo no primeiro episódio, ele enfrenta o Dinossauro, um vilão que traz um argumento distorcido, mas que faz Mark questionar o próprio heroísmo. E a coisa foge totalmente do controle quando, para impedir que os Sequids dominem a Terra de vez, Mark toma a decisão chocante e brutal de matar o astronauta Rus Livingston, arrancando a cabeça dele.
Aquele Mark “puro” ficou no passado. Essa guinada para o lado mais sombrio dá um peso enorme para a narrativa, mostrando o custo real de ser o cara que precisa tomar as decisões mais difíceis para salvar os outros.

Road trip espacial e um universo muito maior
Se o primeiro e o terceiro episódios pesam a mão no drama terrestre, o segundo episódio é um respiro maravilhoso e focado em puro worldbuilding. A dinâmica de “bromance” entre Nolan e Allen a bordo da nave caindo aos pedaços (com direito a piadas sobre o Nolan dormir no sofá enquanto Allen e Telia fazem barulho no quarto) traz um alívio cômico excelente. O trabalho de voz do J.K. Simmons (Nolan) e do Seth Rogen (Allen) transborda química.
Mas não se engane, esse núcleo não é só piada. O episódio joga muita história rica na tela, lembrando tramas de ficção científica clássicas, meio Star Trek e Star Wars. Descobrimos o passado sanguinário do Império Viltrumita, a criação do devastador Vírus da Punição (Scourge Virus) e a chocante revelação de que Thaedus é o “Grande Traidor” que o criou. A redenção do Omni-Man está sendo construída aos poucos, e ver o arrependimento sincero dele humaniza o personagem de um jeito fantástico.
Drama familiar, poderes falhos e ameaças que não dão trégua
A série também brilha ao não depender apenas do Mark para carregar o show. Todo mundo tem um arco interessante acontecendo simultaneamente. Eve, por exemplo, está passando por uma crise assustadora: seus poderes simplesmente começaram a falhar no meio das lutas. E a cena pós-créditos do terceiro episódio joga mais uma bomba no colo da personagem (e no nosso): um teste de gravidez positivo.
A vida normal da família Grayson também se adapta a essa nova realidade. Debbie finalmente está seguindo em frente com Paul, enquanto Oliver está crescendo bizarramente rápido por causa da genética e entrando numa fase de adolescente rebelde que já quer lutar, usando inclusive o símbolo do pai.
Enquanto isso, a ação não decepciona. As batalhas continuam gráficas, imersivas e brutais. Desde os confrontos urbanos e os esquemas mafiosos do Titã (que engana o Mark de um jeito tenso), até os Flaxans voltando com tecnologia que impede o envelhecimento rápido deles, o que acaba deixando Rex e a Menina Monstro presos em outra dimensão. E para fechar com a ansiedade a mil, descobrimos que o Conquest não morreu e fugiu da prisão da GDA. A escala de ameaças está fora de controle!
Conclusão
Essa estreia tripla prova que Invencível amadureceu de forma espetacular. A animação entrega conflitos éticos dignos das melhores histórias adultas e consegue nos fazer sentir a exaustão física e mental de seus personagens. Ao dosar o drama terreno com uma expansão galáctica profunda e cheia de lore, a quarta temporada promete não apenas a Guerra Viltrumita, mas também a maior provação de quem o Mark realmente quer ser.
Com um roteiro ágil e personagens secundários ganhando o desenvolvimento que merecem, a série se consolida, facilmente, como uma das melhores — se não a melhor — adaptação de super-heróis da televisão atual.
Elenco da temporada 4 de Invencível
- Steven Yeun
- Sandra Oh
- J.K. Simmons
- Chris Diamantopoulos
- Walton Goggins
- Gillian Jacobs
- Seth Rogen















