Sabe aquele ditado de que “falem bem ou falem mal, mas falem de mim”? Pois é, parece que a nova série turca da HBO Max, Jasmine, levou isso ao pé da letra. Desde que o trailer saiu e, mais especificamente, após o lançamento do primeiro episódio em 12 de dezembro de 2025, a internet virou um campo de batalha. De um lado, gente elogiando a coragem e a estética; do outro, um público chocado com o que viu na tela.
Para quem está acostumado com as novelas turcas tradicionais (as famosas dizis), onde um beijo demora trinta episódios para acontecer e o romance é super recatado, Jasmine chega como um soco no estômago — ou um balde de água fria, dependendo da sua expectativa. A série não só ignora os padrões conservadores da TV aberta turca, como parece fazer questão de desafiá-los a cada cena. Mas será que por trás de todo esse barulho existe uma boa história? Vamos dissecar esse piloto.
Sinopse
A trama gira em torno de Yasemin (interpretada por Asena Keskinci), que adota o nome “Jasmine” em sua vida profissional. Ela é uma jovem que vive uma vida dupla e extremamente perigosa. Oficialmente, ela busca manter uma aparência de luxo e estabilidade, mas nos bastidores, ganha a vida como acompanhante de luxo e criadora de conteúdo adulto, atendendo aos desejos mais peculiares de seus clientes.
Mas Jasmine não faz isso apenas por vaidade. Ela carrega uma “bomba relógio” no peito: uma doença cardíaca grave, a mesma que matou sua mãe precocemente. Para sobreviver, ela precisa de um transplante de coração urgente. A sua desesperança é tamanha que ela custeia ilegalmente as despesas hospitalares de um homem em coma, esperando que ele morra para que ela possa comprar o coração dele.
Além de lutar pela própria vida, ela ainda precisa lidar com Tufan (Burak Can Aras), seu meio-irmão problemático, obcecado e agressivo, que atua como uma espécie de protetor e cafetão, criando uma dinâmica familiar tóxica e sufocante.
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Resenha crítica da série Jasmine
O choque cultural e a “síndrome da HBO”
A primeira coisa que salta aos olhos é que Jasmine tenta, a todo custo, se distanciar da imagem da Turquia conservadora. A série aproveita que está no streaming (onde há um controle parental e, teoricamente, maior liberdade que na TV aberta) para entregar cenas que deixaram o público tradicional de queixo caído. Logo no início, temos uma transição brusca de um casamento tradicional para uma cena de sexo oral num carro, culminando em um momento de violência gráfica e humilhação (envolvendo urina) protagonizada pelo irmão da protagonista.
Essa abordagem divide águas. Para alguns, certamente vai ser uma representação “suficientemente realista” e corajosa da vida de uma garota de programa e do submundo de Istambul, algo que as novelas escondem. Para outros, pode soar como apelação gratuita — uma tentativa forçada de parecer “HBO” (no estilo ocidental de Euphoria ou The Idol) que acaba soando exagerada e desconfortável, com nudez e situações que parecem estar ali apenas para gerar engajamento no X (ou Twitter, como queira).

Asena Keskinci: o fim da inocência
Mas o maior ponto de discórdia nas redes sociais envolve a protagonista. Quem cresceu vendo Asena Keskinci em produções infantis e familiares sofreu um choque térmico. Ver a ex-atriz mirim em cenas tão explícitas e moralmente ambíguas causou um estranhamento gigante no público turco, algo similar ao que acontece com ex-estrelas da Disney no Ocidente.
Apesar da polêmica, há de se reconhecer o mérito artístico. Quem conseguir olhar além do choque, verá uma performance que tenta trazer profundidade. A série explora o mundo interior de Jasmine com sinceridade, mostrando que ela não é uma vítima passiva chorosa, mas uma mulher endurecida pelas circunstâncias, tentando sobreviver. A fotografia, a música e os figurinos são muito bem cuidados, dando um ar de “obra de arte” que tenta elevar o texto, mesmo quando o roteiro pesa a mão no sensacionalismo.
O risco de cancelamento
Não dá para analisar esse episódio sem falar do elefante na sala: a censura. A série mal estreou e o RTÜK (o conselho supremo de rádio e TV da Turquia) já abriu investigação. As acusações são pesadas: “atacar a estrutura familiar”, “explorar mulheres” e ferir os “valores morais nacionais”.
Isso coloca Jasmine numa posição delicada. A série mostra uma realidade crua — abuso de substâncias, voyeurismo (como na cena da chefe que assiste ao marido com Jasmine) e corrupção médica. Enquanto defensores argumentam que esconder esses problemas sociais (como a prostituição e famílias desestruturadas) é hipocrisia, o governo vê isso como uma afronta. Esse embate extra-tela acaba tornando a experiência de assistir à série ainda mais tensa, pois a sensação é de que ela pode ser interrompida ou censurada a qualquer momento.
Conclusão
O primeiro episódio de Jasmine é, sem dúvida, uma aposta arriscada. É uma produção que acerta em cheio na qualidade técnica, visual e na coragem do elenco, especialmente de Asena, que se despe (literal e figurativamente) de qualquer estigma do passado. No entanto, o roteiro caminha numa linha muito tênue entre o drama psicológico profundo e o choque pelo choque.
Se você procura o romance turco clássico e familiar, fuja — essa série vai te decepcionar e provavelmente te ofender. Mas, se você busca uma narrativa que tenta quebrar barreiras, discutir a hipocrisia social e não tem medo de cenas desconfortáveis, Jasmine pode ser uma experiência interessante. Resta saber se a série terá tempo de desenvolver a complexidade de sua trama (como a questão do transplante e a relação doentia com o irmão) antes que a tesoura da censura entre em ação.
Onde assistir à série Jasmine?
Trailer de Jasmine (2025)
Elenco de Jasmine, da HBO Max
- Burak Can Aras
- Mark Lewis
- Reyhan Asena Keskinci
- Aziz Caner Inan
- Dilara Melami
- Önder Selen
- Serkan Acay
- Esref Seyitoglu


















