Made in Korea Resenha crítica do episódio final da série 1 temporada Disney+ 2026 (1)

[CRÍTICA] O triunfo da ambição: por que o final de ‘Made in Korea’ dói tanto?

Foto: Disney+ / Divulgação
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Se você começou a assistir Made in Korea esperando que o herói vencesse no final e os vilões fossem algemados, provavelmente terminou o sexto episódio com um nó na garganta. Esse thriller político, ambientado na turbulenta Coreia do Sul dos anos 70, encerrou sua primeira temporada sem a menor intenção de confortar o público.

O que vimos foi uma aula de realismo cínico, onde a moralidade é um peso morto e a sobrevivência é a única moeda que vale alguma coisa. Sob a direção de Woo Min-ho, a série nos arrastou para um jogo de poder onde as regras mudam conforme a conveniência de quem está no topo.

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Sinopse

O episódio final começa resolvendo o mistério do paradeiro do promotor Jang Geon-yeong: ele não morreu, mas sua situação é terrível. Sequestrado e espancado por Baek Gi-tae, Geon-yeong vê sua própria irmã ser usada como refém através de provas forjadas de ligação com o comunismo. Paralelamente, a trama nos leva ao Vietnã, onde Gi-tae tenta fechar um acordo de suprimentos de heroína com o fornecedor Jason Chang, enquanto seu irmão, o íntegro Ki-hyun, atua como espião infiltrado na mesma área.

Após uma explosão tensa no local do encontro, os laços familiares se rompem definitivamente. De volta à Coreia, a tragédia atinge Dae-il, que se sacrifica para proteger So-yeong, e o confronto final entre o promotor e o criminoso culmina na vitória absoluta do sistema corrupto, alçando Gi-tae ao posto de Diretor-Geral da KCIA enquanto Geon-yeong termina preso e desmoralizado.

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Resenha crítica do episódio final de Made In Korea

A filosofia do “poder protege, obediência não”

O ponto mais alto deste finale é a explanação da visão de mundo de Baek Gi-tae. Através de um flashback crucial da Guerra do Vietnã em 1965, entendemos que ele se tornou um monstro porque o sistema o transformou em bucha de canhão. A história de como ele foi sacrificado por seus superiores enquanto o verdadeiro culpado era promovido justifica seu desprezo pelo patriotismo tradicional.

Para Gi-tae, o país é apenas um modelo de lucro. Hyun Bin entrega uma atuação magnética, transformando esse operador da KCIA em uma figura que transita entre o carisma e a frieza absoluta, especialmente na cena da roleta russa, que serve mais para demonstrar dominância do que para punir de fato.

Made in Korea Resenha crítica do episódio final da série temporada 1 Disney+ 2026 (1)
Foto: Disney+ / Divulgação

O sacrifício do amor em um mundo de narcóticos

Enquanto os gigantes brigam por cargos e influência, personagens menores como Dae-il trazem o peso emocional da série. Viciado e encurralado, sua decisão de injetar uma dose letal para evitar que So-yeong fosse envolvida é um dos momentos mais tristes da temporada.

É um contraste doloroso: em um mundo onde Gi-tae sacrifica a família pelo poder, Dae-il sacrifica a própria vida por amor. O fato de So-yeong terminar a temporada grávida e trabalhando para o irmão apenas reforça a ideia de que ninguém escapa ileso da teia de Gi-tae.

Uma estrutura de “meio de caminho”

Apesar da qualidade técnica impecável, que lembra a sofisticação dos noirs clássicos, o episódio deixa uma sensação de que a história foi cortada ao meio. Algumas reviravoltas, como a traição do Promotor Kim e a facilidade com que Gi-tae recuperou o controle sobre Pyo Hak-su, parecem um pouco apressadas para caber em apenas seis episódios.

Geon-yeong, interpretado com uma intensidade quase fanática por Jung Woo-sung, acaba sendo uma figura trágica que, apesar de todo o esforço, nunca esteve realmente à altura do tabuleiro montado por Gi-tae. O final sugere que a corrupção não é um problema a ser resolvido, mas o próprio sangue que faz a política coreana circular.

Conclusão

Made in Korea entrega um encerramento que não é feliz nem triste, mas profundamente perturbador e frio. Gi-tae conseguiu tudo o que queria: o cargo de Diretor-Geral, o apoio do alto escalão e a consolidação do seu império de drogas. No entanto, o último plano dele fumando um charuto, vitorioso mas isolado de todos os seus afetos, deixa claro que o poder exige sacrifícios eternos.

A boa notícia é que não precisaremos esperar para sempre por respostas; a 2ª temporada de Made in Korea já está confirmada para o final de 2026 e promete elevar as apostas agora que Gi-tae está no topo da cadeia alimentar. Se você curte thrillers que mostram as engrenagens sujas do poder, esta série já se consolidou como uma das melhores produções do gênero recentemente.

Onde assistir à série Made in Korea?

Trailer do dorama Made in Korea (2025)

YouTube player

Elenco da série Made in Korea, do Disney+

  • Hyun Bin
  • Jung Woo-sung
  • Seo Eun-su
  • Cho Yeo-jeong
  • Won Ji-an
  • Jung Sung-il
  • Kang Gil-woo
  • Lee Kyu-hoi
  • Cha Hee
  • Lee Ju-yeon
Escrito por
Wilson Spiler

Formado em Design Gráfico, Pós-graduado em Jornalismo e especializado em Jornalismo Cultural, com passagens por grandes redações como TV Globo, Globonews, SRZD e Ultraverso.

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