Algumas histórias parecem sugar o ar do ambiente de tão tensas, e “Me Conte Mentiras” (Tell Me Lies) construiu sua narrativa exatamente em cima dessa sensação sufocante. O que era para ser apenas o fim da terceira temporada acabou sendo anunciado, de surpresa, como o encerramento definitivo da série.
Com uma trama que sempre mergulhou sem medo na dependência emocional, manipulação e toxicidade, a criadora Meaghan Oppenheimer nos entregou um desfecho cru, indigesto e, acima de tudo, condizente com o desastre ambulante que esses personagens sempre foram. Não espere arco de redenção: a série prova que quem constrói a vida em cima de mentiras acaba soterrado por elas.
Sinopse
O último episódio alterna de forma frenética entre o ano de 2009 e o tão aguardado casamento de Bree e Evan em 2015. Na linha do tempo do passado, a vida de Lucy vira de cabeça para baixo quando uma fita comprometedora é vazada no campus, resultando na sua expulsão da faculdade de Baird.
Já no casamento, no futuro, Stephen pega o microfone e detona uma verdadeira bomba, revelando na frente de todos os convidados que Bree teve um caso com Wrigley e, para o choque de Lucy, que foi a própria Bree quem vazou a fita anos atrás como vingança. O episódio culmina com Stephen convencendo Lucy a ir embora com ele após o caos, apenas para abandoná-la sozinha no meio da noite em um posto de gasolina.
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Crítica do episódio 8, final da temporada 3 de Me Conte Mentiras
A bomba-relógio do casamento
A escolha de costurar as duas linhas do tempo sempre foi o ponto forte do programa, mas aqui ela funciona como uma bomba-relógio prestes a explodir. O casamento de Bree nunca pareceu uma celebração genuína; estava mais para um teatro onde todos seguravam as pontas de suas próprias mentiras.
O momento em que Stephen toma o microfone expõe o narcisismo do personagem em sua forma mais pura: ele não faz isso em nome da “verdade”, mas sim porque não suporta perder o controle da narrativa e precisa ser o arquiteto do caos. Descobrir que Bree agiu de forma fria e calculista ao vazar a fita da Lucy, guardando esse segredo por seis anos enquanto posava de vítima, muda totalmente a forma como enxergamos a personagem.

Desenvolvimento de personagens e as injustiças
Se tem algo que deixou muita gente de sangue fervendo (com razão) é como a série retrata as injustiças e a forma desigual como a culpa é distribuída. Homens como o professor Oliver e o abusador Chris saem praticamente ilesos das situações horrendas que criaram, quase sempre protegidos por outras pessoas.
Enquanto isso, Lucy, que passou a série inteira assumindo a culpa para tentar ser uma boa amiga para Pippa, é jogada aos leões e perde seu futuro. É frustrante e incômodo notar a hipocrisia do grupo. Pippa, que deveria ter apoiado Lucy, e Evan, que foi o real pivô da traição, se fingem de desentendidos e deixam a “amiga” afundar sozinha.
O sorriso da libertação
A cena final no posto de gasolina já nasce icônica. Ela é devastadora não por ser chocante, mas porque era o único fim possível para Stephen e Lucy. Stephen larga Lucy ali para tentar fazê-la se sentir minúscula, buscando a sua “vitória” num último ato sádico.
Mas a grande virada acontece na reação dela. Em vez de desmoronar ou implorar por ele, Lucy olha em volta e simplesmente começa a rir. Esse riso carrega um peso enorme: é uma metáfora pura da liberdade. Como apontado por Diana anteriormente, a única forma de vencer um narcisista é deixá-lo achar que ganhou. Ao ser abandonada, Lucy finalmente entende que o ciclo se quebrou e que ele não tem mais nada para tirar dela.
Um final apressado ou necessário?
O fato de a série ter chegado ao fim de surpresa dividiu os fãs. Para muitos, a sensação foi de um final corrido, com tramas apressadas — como a repentina evolução emocional de Wrigley logo após a morte do irmão, ou a falta de explicação de como Stephen ficou tão bem de vida mesmo sem ter ido para a faculdade de Direito em Yale.
Apesar dessas pontas soltas causarem frustração, a decisão da showrunner Meaghan Oppenheimer faz total sentido. Esticar a série só por esticar exigiria reinventar completamente o formato, já que os personagens não estariam mais na escola, estariam morando longe uns dos outros e atuando em indústrias diferentes. Terminar agora evitou que a produção perdesse sua qualidade tentando forçar conexões que já não existiam organicamente.
Conclusão
“Me Conte Mentiras” se despede sendo absurdamente leal ao que sempre se propôs a ser. A série nunca prometeu histórias de cura ou crescimento pessoal; ela sempre foi um estudo desconfortável sobre pessoas que escolhem a toxicidade porque é o que lhes é familiar.
Embora o ritmo do encerramento pudesse ter sido um pouco mais cadenciado para amarrar melhor o destino de alguns personagens secundários, a essência da obra foi entregue com maestria. A imagem da Lucy rindo sozinha naquele posto de gasolina vai ficar martelando na nossa cabeça por um bom tempo. É um final sem vencedores, e é exatamente por isso que é perfeito.
Onde assistir online à temporada 3 de Me Conte Mentiras?
Trailer da 3ª temporada de Me Conte Mentiras
Elenco da terceira temporada de Me Conte Mentiras
- Grace Van Patten
- Jackson White
- Catherine Missal
- Spencer House
- Sonia Mena
- Branden Cook

















