Meu Ídolo resenha crítica dorama série Netflix 2025 Flixlândia

[CRÍTICA] Início de ‘Meu Ídolo’ entrega uma mistura instável de potencial e clichês

Foto: Netflix / Divulgação
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Meu Ídolo, o novo dorama da Netflix, chega com uma premissa que mistura o brilho dos palcos com a frieza dos tribunais. Com direção de Lee Gwang-young e roteiro de Kim Da-rin, a série nos apresenta um cenário onde a devoção dos fãs colide com crimes brutais.

Após assistir aos episódios 1 e 2 (cada um com pouco mais de uma hora de duração), fica claro que o drama tenta equilibrar críticas sociais pesadas à indústria do entretenimento com a leveza — às vezes exagerada — da comédia romântica.

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Sinopse

A história gira em torno de Maeng Se-na (Choi Soo-young), uma advogada de defesa talentosa e invicta, que acaba de se tornar sócia de seu escritório. No entanto, por trás de sua fachada fria e profissional, ela esconde um segredo: é uma fã devota (e secreta) de Do Ra-ik (Kim Jae-young), o vocalista principal do grupo Golden Boys. Enquanto Se-na vive essa vida dupla, Ra-ik enfrenta a parte sombria da fama, lidando com ansiedade, uma gestão abusiva e a perseguição aterrorizante de sasaengs (fãs obsessivos).

A trama engata de vez quando, após uma noite de bebedeira e desabafos com seu colega de grupo Woo-seong, Ra-ik acorda e encontra o amigo morto em sua sala. O ídolo é imediatamente preso como o principal suspeito. Com a agência lavando as mãos e advogados recusando o caso, Se-na decide assumir a defesa de seu ídolo, movida não apenas pelo dever profissional, mas por uma conexão profunda do passado: anos atrás, uma música de Ra-ik a salvou de cometer suicídio durante sua época de escola, quando sofria bullying severo.

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Resenha crítica dos episódios 1 e 2 do dorama Meu Ídolo

O retrato cru da indústria e a atuação de Kim Jae-young

O ponto mais forte desses episódios iniciais é, sem dúvida, a representação da toxicidade na indústria do K-pop. A série não tem medo de mostrar o lado feio: o controle excessivo das gravadoras, a pressão pela perfeição e a violação de privacidade. A atuação de Kim Jae-young como Ra-ik é convincente, transmitindo genuinamente a paranoia e a ansiedade de alguém que se sente preso em um sistema que o oprime.

As cenas envolvendo as sasaengs invadindo o apartamento dele são legitimamente perturbadoras e trazem um tom de suspense necessário. O drama acerta ao questionar se os ídolos são vistos como humanos ou apenas produtos, ecoando escândalos reais da indústria.

Meu Ídolo 2025 resenha crítica dorama série Netflix Flixlândia
Foto: Netflix / Divulgação

Problemas de roteiro e verossimilhança

Apesar do tema interessante, o roteiro tropeça na construção de mundo e na lógica. Para começar, a caracterização de Se-na é confusa. Ela é apresentada como uma sócia de sucesso em um escritório de advocacia de elite, mas seu estilo de vida e sua casa parecem os de uma estagiária mal paga. Além disso, seu comportamento como fã, às vezes, soa imaturo demais para sua idade e posição, lembrando uma colegial obsessiva em vez de uma fã adulta madura.

Do lado jurídico, a série pede uma suspensão de descrença enorme. A lógica investigativa é falha e a promotoria constrói teorias implausíveis apenas para mover a trama. O dorama se vende como um thriller legal, mas ignora procedimentos básicos, o que pode frustrar quem espera um embate jurídico mais inteligente. O conflito ético de uma fã defendendo seu ídolo também é, até agora, pouco explorado com a seriedade que merecia.

Melodrama e química

Enquanto o protagonista masculino entrega uma performance sólida, alguns personagens secundários parecem caricatos. O gerente de Ra-ik, por exemplo, tem momentos de melodrama exagerado — chorando copiosamente pelo fim de um contrato, mas reagindo de forma morna à morte de um membro da equipe — o que quebra a imersão.

Quanto ao romance, a química entre Choi Soo-young e Kim Jae-young ainda é fraca. O ritmo é lento e, por enquanto, a relação funciona mais na base da gratidão e do destino (o clássico tropo de “salvamento na infância”) do que numa atração palpável.

Conclusão

Os dois primeiros episódios de Meu Ídolo entregam uma mistura instável de potencial e clichês. Se por um lado a série oferece uma crítica social válida e uma atuação principal masculina louvável ao expor os horrores da fama, por outro, ela peca em um roteiro que desafia a lógica e cai em exageros melodramáticos.

É uma obra que parece feita sob medida para fãs de K-drama que gostam do tropo “fã e ídolo” e não se importam com furos de roteiro em prol do entretenimento. Resta saber se os próximos episódios focarão mais no mistério do assassinato e na profundidade dos personagens ou se continuarão presos a conveniências narrativas. Vale a pena continuar se você gosta de bastidores do K-pop, mas não espere um rigoroso drama de tribunal.

Onde assistir ao dorama Meu Ídolo?

Trailer da série Meu Ídolo (2025)

YouTube player

Elenco do dorama Meu Ídolo, da Netfix

  • Choi Soo-young
  • Kim Jae-yeong
Escrito por
Taynna Gripp

Formada em Letras e pós-graduada em Roteiro, tem na paixão pela escrita sua essência e trabalha isso falando sobre Literatura, Cinema e Esportes. Atual CEO do Flixlândia e redatora do site Ultraverso.

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