O Agente Secreto e a Lei Rouanet tornaram-se os nomes mais citados em discussões acaloradas na internet recentemente. Após a conquista de prêmios internacionais, como o Globo de Ouro, surgiram diversos questionamentos sobre como o longa foi financiado. A curiosidade do público se transformou em uma polêmica sobre o uso de impostos e verbas de setores essenciais.
De onde veio o dinheiro para o filme ‘O Agente Secreto’?
A produção do cineasta Kleber Mendonça Filho teve um custo estimado em R$ 27 milhões, chegando a R$ 28 milhões com a coprodução internacional. Desse valor, a parcela brasileira correspondeu a R$ 13,5 milhões. É importante destacar que o projeto não utilizou nenhum recurso da Lei Rouanet em sua fase de produção.
A Lei Rouanet, na verdade, não se aplica a longas-metragens de ficção, sendo voltada para curtas, documentários e festivais. O financiamento público que o filme recebeu, cerca de R$ 7,5 milhões, veio do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA). O restante do orçamento foi garantido por recursos privados e parceiros da França, Alemanha e Holanda.
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O filme de Wagner Moura recebeu verba da Saúde?
Não existe qualquer registro ou possibilidade legal de que o filme tenha utilizado verba destinada à Saúde ou ao SUS. Os mecanismos de fomento à cultura e ao cinema são específicos e operam sob fiscalização rigorosa de órgãos como o TCU e a Receita Federal. O dinheiro do FSA, por exemplo, é liberado apenas após editais técnicos e análise de mérito.
Além dos recursos para a produção, a comercialização do filme custou R$ 4 milhões. Desse total, R$ 3 milhões foram captados via Lei do Audiovisual, que é um mecanismo diferente da Rouanet. Essa lei permite que empresas destinem parte do Imposto de Renda especificamente para obras cinematográficas aprovadas pela Ancine.

Entenda a diferença entre Lei Rouanet e incentivos ao cinema
A polêmica muitas vezes ignora que a Lei Rouanet funciona por renúncia fiscal, onde empresas escolhem apoiar projetos culturais em vez de pagar parte do imposto ao governo. Já o cinema conta com fundos próprios, como o FSA, que são geridos pela Agência Nacional do Cinema e não se misturam com orçamentos de pastas como a Saúde.
Dados de 2024 revelam que a Lei Rouanet é um instrumento democrático utilizado por artistas de diversos espectros políticos. Naquele ano, os maiores volumes de recursos captados foram para artistas do gênero sertanejo, frequentemente associados à direita. Isso demonstra que o mecanismo não é um privilégio de um único grupo ideológico, mas uma política de estado.














