Se você acompanhou a primeira temporada de O Cavaleiro dos Sete Reinos (spin-off de Game of Thrones na HBO), provavelmente já percebeu que a série tem um tom bem mais leve do que a sua “irmã mais velha”. Mas não se deixe enganar: o universo de George R. R. Martin adora esconder segredos obscuros bem debaixo do nosso nariz. E o episódio final da temporada, intitulado “O Amanhã”, fez exatamente isso ao confirmar uma teoria que rolava entre os fãs dos livros há quase três décadas.
A grande revelação? Sor Duncan, o Alto (Peter Claffey), nunca foi oficialmente sagrado cavaleiro.
Abaixo, a gente te explica como a série construiu essa revelação, o que isso significa para o personagem e como isso se conecta com figuras lendárias que você já conhece de Game of Thrones, como Brienne de Tarth e Hodor.
Dunk nunca foi cavaleiro? Entenda a revelação do episódio 6 de O Cavaleiro dos Sete Reinos
A pulga atrás da orelha dos leitores começou lá em 1998, quando o primeiro conto de Dunk e Egg (O Cavaleiro Andante) foi publicado. Nos livros, Dunk sempre desviava o olhar ou olhava para os próprios pés quando alguém perguntava sobre a sua sagração. A série da HBO decidiu ser um pouco mais direta, mas ainda assim genial.
No sexto e último episódio, vemos um flashback no qual Dunk conversa com seu mentor, Sor Arlan de Pennytree (Danny Webb), que está em seu leito de morte debaixo de uma árvore. Na cena, Dunk pergunta diretamente: “Por que você nunca me sagrou cavaleiro?”. O velho Sor Arlan morre logo em seguida, sem dar uma resposta e, mais importante, sem realizar a cerimônia.
Isso prova que Dunk assumiu o título de cavaleiro por pura necessidade de sobrevivência, mantendo essa farsa desde o primeiro dia da série.
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Por que Sor Arlan não o nomeou?
A série (e os livros) deixam isso em aberto, mas existem motivos lógicos e emocionais. A explicação mais forte é que Arlan já havia perdido o seu sobrinho, Roger, em uma batalha violenta chamada Campo do Capim Vermelho.
Transformar Dunk em um cavaleiro oficial significaria enviá-lo para a guerra, e Arlan provavelmente queria protegê-lo. Outra possibilidade é que a doença de Arlan tenha avançado rápido demais, e ele simplesmente morreu antes de achar que o garoto estava pronto.
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As pistas geniais que a série deixou (e você talvez não tenha notado)
O mais legal de revisitar a temporada sabendo dessa verdade é notar as pistas espalhadas desde o primeiro episódio. A produção plantou detalhes muito inteligentes:
- A história do passarinho: No episódio 1, Dunk diz ao administrador Plummer que a única testemunha de sua sagração foi “um tordo em um espinheiro”. A série realmente mostra essa cena, mas o tordo não estava assistindo a um juramento honroso: ele estava olhando o Dunk fazer suas necessidades no mato. Ou seja, a história dele era, literalmente, “conversa fiada”.
- O peso na consciência: Quando Dunk e Lyonel Baratheon discutem sobre a morte do Príncipe Baelor Quebralanças, Lyonel diz que os deuses não favorecem uma fraude. Dunk, sentindo o peso da sua mentira, rebate: “Então por que eles me favoreceram?”. Baelor morreu para defender um impostor.
- A recusa em sagrar Raymun: No 5º episódio, antes do Julgamento de Sete, Dunk se recusa a sagrar seu amigo Raymun Fossoway. O que parecia insegurança era, na verdade, um dilema moral: Dunk sabia que não podia conceder um título que ele mesmo não possuía (um cavaleiro falso não pode criar um verdadeiro).

O que isso muda na história? (O paradoxo do “Verdadeiro Cavaleiro”)
A grande sacada de George R. R. Martin aqui é a ironia poética. Ao revelar que o protagonista é um “impostor técnico” perante a lei de Westeros, a história nos mostra que a verdadeira cavalaria não está em rituais burocráticos ou em ter sangue azul.
Dunk é, de longe, o personagem mais ético, honrado e protetor de toda a franquia. Suas ações no Torneio de Vaufreixo provam que ele é o padrão de ouro que os nobres cruéis da série falharam miseravelmente em ser. O título é falso, mas o cavaleiro é real.
Conexões com Game of Thrones: Brienne, Hodor e Summerhall
Se você é fã da série original, o arco de Dunk esbarra em várias histórias e personagens famosos de Westeros.
Qual a relação entre Dunk e Brienne de Tarth?
Brienne é descendente direta de Sor Duncan, o Alto. George R. R. Martin já confirmou essa relação, que era uma teoria forte dos fãs. As semelhanças são gritantes: ambos são incrivelmente altos, desajeitados socialmente, mas possuem uma lealdade e honra inabaláveis. Além disso, Brienne também passa boa parte de Game of Thrones agindo como a cavaleira mais pura dos Sete Reinos sem ser oficialmente reconhecida com o título.
Dunk é parente do Hodor?
Existe outra teoria fortíssima, impulsionada por uma visão do Bran Stark nos livros, de que Dunk também é ancestral de Hodor. Na visão de Bran, um cavaleiro da altura de Hodor (Dunk tem quase 2,15m) beija uma jovem em Winterfell. Os fãs acreditam que essa jovem seria a Velha Ama na juventude. Como Martin já confirmou que planeja levar Dunk e Egg a Winterfell em contos futuros (“As Lobas de Winterfell”), a matemática bate perfeitamente.
O destino trágico em Summerhall
Eventualmente, as mentiras e a nobreza de Dunk o levarão ao topo. Ele se tornará o Lorde Comandante da Guarda Real de seu escudeiro, que no futuro será o Rei Aegon V (o Egg). O fim de ambos, no entanto, é sombrio: eles morrem juntos na infame Tragédia de Summerhall (ano 259 d.C.), um grande incêndio supostamente causado por uma tentativa de chocar ovos de dragão com magia de sangue. Foi neste mesmo evento, em meio às chamas que mataram Dunk e Egg, que nasceu Rhaegar Targaryen.
E você, o que achou dessa revelação de O Cavaleiro dos Sete Reinos? Se George R. R. Martin tiver tempo para escrever os próximos contos (como ele mesmo já sugeriu), o futuro de Dunk e Egg na HBO promete ser ainda mais recheado de pequenos segredos com impactos gigantes na história de Westeros.












