O Morro dos Ventos Uivantes, a obra-prima de Emily Brontë publicada em 1847, é um marco da literatura gótica que nunca deixa de fascinar. A história de amor e vingança entre Heathcliff e Catherine Earnshaw nas charnecas de Yorkshire transcende o tempo, inspirando artistas de todas as épocas e culturas.
Com o anúncio de uma nova versão cinematográfica para 2026, o interesse pela obra se renovou. Para entender como chegamos até aqui, preparamos uma linha do tempo detalhada com todas as adaptações registradas, desde o cinema mudo, passando por novelas brasileiras e episódios de comédia, até as superproduções modernas.
Wuthering Heights (1920)
A primeira adaptação cinematográfica registrada foi dirigida por A.V. Bramble. Infelizmente, nenhuma cópia deste filme mudo britânico sobreviveu ao tempo, tornando-o uma obra perdida. Diferente de muitas versões posteriores, registros da época indicam que o roteiro cobria a trama completa do livro.

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O Morro dos Ventos Uivantes (1939)
Este clássico dirigido por William Wyler é frequentemente citado como a versão definitiva da era de ouro de Hollywood. Estrelado por Laurence Olivier e Merle Oberon, o filme foca apenas na primeira geração da história e venceu o Oscar de Melhor Fotografia, consolidando a imagem romântica do casal.

Adaptações de Rádio (Anos 1940 e 1950)
O drama também dominou as ondas do rádio. Em 1941, o Philip Morris Playhouse transmitiu uma versão com Raymond Massey e Sylvia Sidney. Seguiram-se adaptações no Screen Guild Players (1946), Lux Radio Theater (1949) e Screen Director’s Playhouse (1951), muitas vezes trazendo estrelas de cinema para reencenar a trama apenas com a voz.

Wuthering Heights (1948)
A BBC iniciou sua longa tradição de adaptar a obra com este filme para a televisão. Dirigido por George More O’Ferrall, contou com Kieron Moore e Katherine Blake nos papéis principais, marcando a entrada da emissora britânica na interpretação do clássico.

Arzoo (1950)
O cinema indiano logo percebeu o potencial dramático da obra. O filme Arzoo, dirigido por Shaheed Latif, é vagamente baseado no romance. Estrelado por Dilip Kumar e Kamini Kaushal, transpôs os conflitos de classe e paixão para o contexto cultural da Índia.

Wuthering Heights (1950)
Nos Estados Unidos, a CBS produziu este especial para a série Studio One. O destaque é a presença de Charlton Heston interpretando Heathcliff, ao lado de Mary Sinclair como Catherine, em uma das primeiras tentativas da TV americana de abordar o texto de Brontë.

Hulchul (1951)
Outra adaptação do cinema hindi, dirigida por S. K. Ojha. O filme trouxe novamente o astro Dilip Kumar, desta vez ao lado de Nargis, interpretando versões indigenizadas dos personagens originais, provando a universalidade dos temas de amor proibido e obsessão.

Wuthering Heights (1951) – Ópera
O compositor Bernard Herrmann transformou o romance em uma ópera, com libreto de Lucille Fletcher. Embora a obra tenha sido gravada em 1966, sua estreia completa nos palcos só ocorreu décadas depois, sendo uma peça importante para o repertório lírico baseado em literatura inglesa.

Wuthering Heights (1953)
A BBC retornou à obra com um roteiro escrito às pressas por Nigel Kneale. A produção, estrelada por Richard Todd e Yvonne Mitchell, foi transmitida ao vivo. Infelizmente, não existem gravações sobreviventes desta versão, que focava apenas na primeira metade do livro.

Escravos do Rancor (1954)
O mestre Luis Buñuel dirigiu esta aclamada versão mexicana, intitulada originalmente Abismos de Pasión. Com Jorge Mistral e Irasema Dilián (atriz nascida no Brasil), o filme é famoso por manter a crueldade e o tom surrealista da obsessão dos protagonistas, chamados aqui de Alejandro e Catalina.

Cime Tempestose (1956)
A Itália produziu sua primeira grande adaptação televisiva em formato de minissérie. Dividida em quatro partes, a produção estrelada por Massimo Girotti e Anna Maria Ferrero permitiu um desenvolvimento mais lento e detalhado dos personagens em comparação aos filmes de duração limitada.

Wuthering Heights (1958) – TV
Exibida no DuPont Show of the Month da CBS, esta versão era considerada perdida até ser redescoberta em 2019. Traz Richard Burton como Heathcliff e Rosemary Harris como Catherine, oferecendo um registro raro da intensidade de Burton no início de sua carreira televisiva.

Wuthering Heights (1958) – Ópera
No mesmo ano, Carlisle Floyd estreou sua própria versão operística da história na Santa Fe Opera. Com Phyllis Curtin no papel principal, a peça demonstrou que o drama de Brontë continuava sendo um terreno fértil para compositores clássicos.

Ravina (1959)
O Brasil produziu sua própria interpretação cinematográfica sob a direção de Rubem Biáfora. Fortemente influenciado pelo clássico de 1939, o filme transpôs a atmosfera densa e trágica para cenários nacionais, mostrando a força da história em terras brasileiras.

Wuthering Heights (1959)
A Austrália entrou no mapa das adaptações com uma transmissão ao vivo pela ABC, utilizando o roteiro de Nigel Kneale da BBC. Foi gravada em Sydney, mas, assim como muitas produções da época, não se sabe se a gravação original sobreviveu.

Wuthering Heights (1962)
A BBC revisitou o roteiro de Nigel Kneale para uma nova produção televisiva, desta vez estrelada por Claire Bloom e Keith Michell. A obra sobreviveu nos arquivos da emissora, focando novamente na infância e juventude dos protagonistas e ignorando a segunda geração.

Cumbres Borrascosas (1964)
O formato de telenovela provou ser ideal para a trama. O México lançou esta versão seriada, adaptando os conflitos longos e apaixonados do livro para o público que acompanhava dramas diários, consolidando a popularidade da história na América Latina.

Dil Diya Dard Liya (1966)
Bollywood entregou uma de suas adaptações mais famosas com este filme estrelado por Dilip Kumar e Waheeda Rehman. A produção alterou nomes e locais para se adequar à audiência indiana, mas manteve a essência da vingança de Heathcliff (aqui chamado de Shankar).

Wichrowe Wzgórza (1966)
A Polônia produziu uma adaptação em formato de radionovela pelo Teatro da Rádio Polonesa. Dirigida por Janusz Warnecki, a obra demonstrou como a narrativa de Brontë podia ser poderosa mesmo sem o apelo visual, focando na performance vocal de Stanisław Zaczyk e Zofia Kucówna.

O Morro dos Ventos Uivantes (1967) – Novela Brasileira
A TV Excelsior levou ao ar esta telenovela brasileira, com os inesquecíveis Altair Lima e Irina Grecco. Foi um marco na teledramaturgia nacional, trazendo o clássico gótico para a sala de estar dos brasileiros em formato de folhetim.

Wuthering Heights (1967) – Série BBC
Esta minissérie britânica foi um divisor de águas por incluir a segunda geração de personagens, frequentemente cortada. Com Ian McShane como Heathcliff, a produção ofereceu aos puristas uma visão mais completa da tragédia familiar dos Earnshaws e Lintons.

Les Hauts de Hurlevent (1968)
A televisão francesa produziu esta versão, estrelada por Claude Titre e Geneviève Casile. A adaptação seguiu a tendência europeia de explorar a complexidade psicológica dos personagens com a sensibilidade característica das produções francesas da época.

O Solar dos Ventos Uivantes (1970)
A primeira versão colorida de grande destaque no cinema, estrelada por Timothy Dalton (antes de ser 007) e Anna Calder-Marshall. O filme é visualmente belo, mas polêmico por alterar o final da história, sugerindo um desfecho sobrenatural e menos vingativo do que o livro.

Monty Python’s Flying Circus (1970)
O grupo de comédia britânico satirizou a obra na esquete A versão semafórica de O Morro dos Ventos Uivantes. Nela, os personagens tentam se comunicar dramaticamente usando bandeiras de sinalização, transformando o sofrimento gótico em humor absurdo.

Dark Shadows (1971)
A famosa novela gótica americana utilizou a trama de O Morro dos Ventos Uivantes como inspiração direta para seu arco final de histórias (episódios 1186 a 1245), provando a influência do livro na cultura pop de terror e mistério.

Takarazuka Revue (Anos 1970)
A companhia de teatro japonesa Takarazuka Revue, composta exclusivamente por mulheres, criou sua adaptação musical. A peça foi encenada diversas vezes nas décadas seguintes, trazendo uma estética única e estilizada para o romance inglês.

Cumbres Borrascosas (1976)
A Venezuela produziu sua própria telenovela baseada na obra. Seguindo a tradição latina de melodramas intensos, a produção adaptou o enredo de paixão e ódio para o formato diário, mantendo viva a história na televisão sul-americana.

Wuthering Heights (1977)
O CBS Radio Mystery Theater produziu uma adaptação para rádio escrita por Elizabeth Pennell. Com Paul Hecht e Roberta Maxwell, a versão focou nos elementos de mistério e atmosfera sombria que caracterizam a série de antologia.

Wuthering Heights (1978)
Esta minissérie da BBC é amplamente considerada uma das mais fiéis já feitas. Estrelada por Ken Hutchison, cobriu toda a saga das duas gerações. Foi a inspiração direta para que a cantora Kate Bush escrevesse seu sucesso mundial Wuthering Heights.

Cumbres Borrascosas (1979)
O México retornou à história com mais uma telenovela. Refazendo a adaptação para uma nova geração de telespectadores, a produção reforçou como os temas de vingança e amor impossível continuavam relevantes para o público de novelas.

Wuthering Heights (1979) – Álbum
Um álbum de “spoken word” (palavra falada) foi lançado com grandes nomes como Judith Anderson e James Mason. A produção focou na dramaticidade do texto original e chegou a ser indicada ao Grammy de Melhor Álbum Falado.

Dehleez (1983)
O Paquistão produziu este filme dramático em língua urdu. Embora seja uma adaptação livre, a trama segue os passos do romance de Brontë. O filme foi um sucesso de crítica, ganhando vários prêmios locais e inspirando remakes posteriores.

Hurlevent (1985)
O diretor francês Jacques Rivette transpôs a história para a França rural dos anos 1930. Com uma abordagem psicológica densa e nomes alterados, o filme cria uma atmosfera de estranheza e sonho, focando na obsessão destrutiva dos protagonistas.

Arashi ga Oka (1988)
O diretor Yoshishige Yoshida levou a trama para o Japão medieval. Nesta versão visualmente impressionante e austera, Heathcliff é um forasteiro em uma comunidade feudal, transformando o romance em uma tragédia de isolamento social e honra.

Hihintayin Kita sa Langit (1991)
Um grande sucesso comercial nas Filipinas, este filme adaptou a história para o cenário local. Com Richard Gomez e Dawn Zulueta, a produção é elogiada por capturar o coração emocional da obra, mesmo com as mudanças culturais necessárias.

O Morro dos Ventos Uivantes (1992) – Cinema
Estrelada por Ralph Fiennes e Juliette Binoche, esta versão cinematográfica é uma das mais completas, cobrindo também a segunda geração. Destaca-se pela atuação intensa de Fiennes e pela participação da cantora Sinéad O’Connor como a narradora Emily Brontë.

Wuthering Heights (1992-1994) – Musical
Bernard J. Taylor criou um musical baseado no livro, gravado inicialmente como um álbum conceitual com a cantora Lesley Garrett. A obra foi posteriormente traduzida e encenada em países como Alemanha e Polônia.

Heathcliff (1996)
O cantor Cliff Richard protagonizou e encomendou este musical focado no personagem título. A produção gerou polêmica entre os fãs do cantor por mostrar o lado brutal de Heathcliff, mas resultou em um álbum e uma turnê no Reino Unido.

Wuthering Heights (1998)
Feito para a TV britânica, este filme com Robert Cavanah e Orla Brady trouxe uma abordagem moderna e crua. A produção não suaviza a maldade de Heathcliff e inclui a história da segunda geração, sendo elogiada pela fidelidade ao tom do livro.

Sai de Baixo: O Zorro dos Ventos Uivantes (1999)
Na sitcom brasileira Sai de Baixo, o episódio 13 da 4ª temporada recebeu este título. Embora seja uma paródia, mostra como o nome da obra está enraizado na cultura popular, servindo de pano de fundo para as confusões de Caco Antibes e companhia no Largo do Arouche.

The Ghost of Wuthering Heights (2000)
A série Radio Tales produziu esta adaptação para a rádio americana (NPR e XM). A versão focou especificamente nos elementos de história de fantasma do romance, misturando drama sonoro com narração clássica.

Wuthering Heights (2001/2002) – Ballet
A companhia Northern Ballet Theatre do Reino Unido estreou uma adaptação em balé com trilha sonora de Claude-Michel Schönberg. A produção traduziu a paixão e a violência da história para a linguagem da dança.

Sparkhouse (2002)
A BBC inovou radicalmente com esta minissérie moderna que inverteu os gêneros. Heathcliff tornou-se uma mulher e Catherine um homem. A trama explorou dinâmicas sociais contemporâneas mantendo a estrutura de amor obsessivo do original.

Wuthering Heights (2003)
A MTV tentou modernizar o clássico para o público jovem, ambientando a trama na Califórnia atual. Com trilha sonora de rock e Heathcliff como um músico, o filme foi criticado por transformar a tragédia gótica em um melodrama adolescente superficial.

Cime tempestose (2004)
A Itália retornou à obra com um filme para a televisão dirigido por Fabrizio Costa. Estrelado por Alessio Boni e Anita Caprioli, a produção manteve a tradição europeia de adaptações de época luxuosas e românticas.

The Promise (2007)
As Filipinas produziram este remake que adapta livremente o filme de 1991 (Hihintayin Kita sa Langit), que por sua vez era baseado no livro. A trama moderniza os conflitos, mantendo o núcleo de amor proibido e vingança familiar.

Wuthering Heights (2008) – Álbum
Mark Ryan lançou um álbum com canções narradas e cantadas, contando com a voz do ator Ray Winstone. O projeto incluiu videoclipes e trouxe uma abordagem multimídia para a narrativa clássica.

O Morro dos Ventos Uivantes (2009)
Esta minissérie da ITV é famosa por unir Tom Hardy e Charlotte Riley, que se casaram na vida real. A química do casal é o ponto forte desta versão, que consegue abordar a história da segunda geração e foca no aspecto passional e sombrio dos personagens.

O Morro dos Ventos Uivantes (2011) – Cinema
A diretora Andrea Arnold entregou a versão mais crua e sensorial já feita, focando na natureza hostil. O filme escalou James Howson, sendo a primeira produção a ter um ator negro como Heathcliff, resgatando a descrição original do livro sobre a origem do personagem.

Graphic Novel (2011)
A editora Classical Comics lançou uma adaptação em quadrinhos (graphic novel) da obra. Com arte pintada à mão por John M. Burns, o livro visual permitiu que uma nova geração de leitores acessasse o texto original através da arte sequencial.

Walang Hanggan (2012)
Uma novela filipina de enorme sucesso que se baseou livremente no filme de 1991 e, consequentemente, no livro de Brontë. A série dominou a audiência local, provando mais uma vez a adaptabilidade do enredo para formatos longos de TV.

Wuthering High School (2015)
Produzido pelo canal Lifetime, este filme leva a trama para uma escola de elite em Malibu. Repleto de clichês adolescentes, é visto como uma adaptação “trash” que falha em capturar a profundidade da obra, focando apenas no drama colegial.

O Morro dos Ventos Uivantes (2018)
Uma adaptação cinematográfica independente dirigida por Elisaveta Abrahall. O filme buscou trazer uma visão moderna para o romance, mas teve uma circulação mais restrita em comparação às grandes produções de estúdio.

The World Between Us (2021)
Série das Filipinas que moderniza a trama para os dias atuais. A produção foi elogiada por manter a intensidade do drama original enquanto atualizava os conflitos sociais para a realidade contemporânea do país.

Wuthering Heights (2022) – Cinema
Um filme independente dirigido e estrelado por Bryan Ferriter. A produção tentou trazer a história de volta às telas com uma abordagem autoral, embora tenha tido um alcance limitado de público e crítica.

Wichrowe Wzgórza (2022) – Áudio Drama
Uma nova superprodução polonesa em formato de audiolivro dramatizado (audioteka). Com elenco completo e efeitos sonoros, esta versão reafirmou a força do texto de Brontë no formato de “teatro para os ouvidos”.

Wuthering Heights (2022) – Teatro
A diretora Emma Rice concebeu uma adaptação teatral aclamada para o National Theatre. A peça inovou ao misturar música, dança e marionetes, trazendo uma energia caótica e moderna para o palco.

O Morro dos Ventos Uivantes (2026)
A mais nova superprodução da Warner Bros., dirigida por Emerald Fennell. Com Margot Robbie como Catherine e Jacob Elordi como Heathcliff, o filme promete uma visão estilizada e provocadora, renovando o legado de Emily Brontë para as futuras gerações.














