A Netflix continua investindo pesado em produções internacionais e, desta vez, a aposta é alta: adaptar uma obra de um vencedor do Prêmio Nobel. Estreou nesta sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026, a série turca O Museu da Inocência, baseada no romance homônimo de Orhan Pamuk.
A promessa era entregar uma história de amor épica, atravessando décadas e explorando a alma melancólica de Istambul. Mas será que a série consegue traduzir a complexidade do livro ou acaba se perdendo em um melodrama “xaroposo”? A resposta, infelizmente, pode depender da sua tolerância para protagonistas questionáveis e romances idealizados demais.
Sinopse
A trama nos transporta para a Istambul de 1975. Kemal (Selahattin Paşalı) é o típico “príncipe” da sociedade local: tem 30 anos, é herdeiro de uma família rica, estudou no Ocidente e está noivo da bela e igualmente abastada Sibel (Oya Unustası). A vida dele parecia um céu de brigadeiro até que ele decide jogar tudo para o alto ao iniciar um caso tórrido com Füsun (Eylül Lize Kandemir), uma parente distante de origem humilde e, vale ressaltar, de apenas 18 anos.
O que começa como desejo evolui para uma fixação que dura anos. Quando o relacionamento sai dos trilhos, Kemal não consegue seguir em frente. Em vez disso, ele começa a roubar e acumular objetos ligados a Füsun — desde brincos e bitucas de cigarro até bibelôs de porcelana —, transformando essas memórias materiais em um santuário para sua obsessão, ou como ele prefere chamar, seu “amor”.
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Crítica da série O Museu da Inocência
Um banquete visual, mas…
É inegável que a série enche os olhos. A direção de arte, comandada por Murat Güney, merece aplausos de pé. A recriação das casas da elite ocidentalizada de Istambul nos anos 70 é impecável, com carpetes luxuosos, lustres de cristal e uma atenção aos detalhes que informa ao espectador exatamente quem são aquelas pessoas e quanto dinheiro elas têm.
A atmosfera visual, apoiada por figurinos elegantes e cenários detalhados, consegue transportar a gente para aquele período de transformações culturais e tensões entre tradição e modernidade.

Romance ou caso de polícia?
Aqui é onde a série tropeça feio. Enquanto a fotografia ilumina Kemal com uma luz angelical enquanto ele “coleciona” itens da amada, o espectador mais atento pode sentir um arrepio na espinha, e não do tipo bom. Kemal é retratado, por vezes, como um cleptomaníaco que cheira assentos e lambe objetos roubados — incluindo um puxador de descarga de porcelana e o braço de plástico de uma boneca — para “reviver a memória” de Füsun.
A crítica especializada aponta que a série falha em satirizar esse comportamento (algo que o livro de Pamuk faz, zombando levemente do egoísmo de Kemal). Em vez disso, a adaptação da Netflix parece tratar essa toxicidade como algo positivo e comovente, uma verdadeira hagiografia de um laço profundamente doentio. Kemal trai sua noiva, manipula a amante e narra seus pensamentos sociopatas como se fossem poesia, sem que a série pareça condená-lo por isso.
Atuações desiguais
O elenco principal entrega resultados mistos. Selahattin Paşalı, vivendo Kemal, oscila entre o sorriso de garoto apaixonado e a expressão de “coitado de mim”, sem trazer muitas nuances para um personagem que deveria ser complexo. Já a escolha de Eylül Lize Kandemir para o papel de Füsun, embora traga delicadeza, é prejudicada por figurinos que não a favorecem.
Quem realmente brilha e segura as pontas são as mulheres ao redor do furacão. Oya Unustası está perfeita como a noiva socialite Sibel, e Tilbe Saran entrega uma mãe que conhece o filho problemático muito melhor do que aparenta.
Ritmo e tonalidade
Se você gosta de novelas com emoções à flor da pele, talvez o tom “açucarado” não incomode. Mas para quem busca um drama mais sóbrio, a trilha sonora e o excesso de melodrama podem cansar rápido, fazendo até filmes tristes de Bollywood parecerem contidos em comparação.
A narrativa é contemplativa, priorizando a atmosfera, mas às vezes parece apenas lenta, arrastando-se através dos nove episódios enquanto Kemal toma decisões cada vez mais egoístas.
Conclusão
O Museu da Inocência é uma produção tecnicamente deslumbrante que sofre de uma crise de identidade moral. Ao tentar transformar a obsessão patológica de um homem rico em uma grande história de amor, a série perde a oportunidade de criticar o que está retratando.
Funciona como um passeio turístico pela Istambul dos anos 70 e como vitrine para o talento de design de produção turco, mas falha em fazer com que a gente realmente torça pelo casal principal. Se você for assistir, vá pela estética, mas prepare o estômago para um protagonista que talvez precisasse mais de terapia do que de um museu.
Onde assistir à série O Museu da Inocência?
Trailer de O Museu da Inocência (2026)
Elenco de O Museu da Inocência, da Netflix
- Selahattin Paşalı
- Eylül Lize Kandemir
- Oya Unustası
- Tilbe Saran
- Bülent Emin Yarar
- Gülçin Kültür Şahin
- Ercan Kesal
- Zeynep Dinsel
- Tolga İskit
- Onur Ünsal

















