A quarta temporada de O Poder e a Lei (The Lincoln Lawyer) chegou à Netflix no início de fevereiro de 2026 trazendo a premissa mais arriscada da série até agora. Baseada no livro The Law of Innocence (A Lei da Inocência), a trama vira o jogo completamente: Mickey Haller não está mais desfilando seus ternos caros enquanto salva criminosos de Los Angeles; desta vez, ele é o criminoso. Ou, pelo menos, é o que a promotoria quer que todos acreditem.
Essa mudança de perspectiva prometia sacudir a fórmula procedural da série, tirando o conforto do “caso da semana” para focar em uma narrativa contínua de sobrevivência. O resultado é uma temporada intensa e maratonável, mas que tropeça nas próprias pernas ao tentar equilibrar o drama emocional com resoluções jurídicas que, por vezes, testam a nossa suspensão de descrença.
Sinopse
A temporada começa exatamente onde a anterior parou: Mickey Haller (Manuel Garcia-Rulfo) é parado pela polícia e, para seu horror, o corpo de um ex-cliente, o golpista Sam Scales, é encontrado no porta-malas do seu Lincoln. Acusado de homicídio em primeiro grau, Mickey se vê preso e lutando contra uma montanha de evidências circunstanciais plantadas para incriminá-lo.
A acusação é liderada pela implacável promotora Dana Berg, conhecida como “Iceberg”, que parece ter uma vingança pessoal contra Haller. Enquanto Mickey tenta se defender de dentro da prisão (e depois em prisão domiciliar), ele precisa confiar cegamente em sua equipe — Lorna, Cisco e Izzy — e, surpreendentemente, em sua ex-esposa Maggie, que assume um papel crucial na defesa.
A investigação revela que a morte de Scales está ligada a um esquema complexo de fraude de biocombustíveis e máfia armênia, forçando Mickey a provar não apenas que é inocente, mas que foi alvo de uma armadilha elaborada.
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Crítica da temporada 4 de O Poder e a Lei
Um Mickey Haller mais humano e vulnerável
O grande trunfo desta temporada é, sem dúvida, a desconstrução de Mickey Haller. Manuel Garcia-Rulfo entrega sua performance mais madura até aqui. Acostumados a ver o advogado sempre um passo à frente, é angustiante (e fascinante) vê-lo acuado, cansado e com medo real de perder a vida.
As cenas iniciais na prisão, onde ele sofre agressões e isolamento, dão um peso psicológico que a série raramente explorou antes. Ele não está no controle da narrativa, e essa insegurança torna o personagem muito mais interessante.

O retorno triunfal de Maggie e a força do elenco de apoio
Se nas temporadas anteriores a dinâmica familiar parecia apenas um acessório, aqui ela é o motor da trama. A decisão de trazer Maggie McPherson (Neve Campbell) para a defesa muito antes do que acontece nos livros foi um acerto gigantesco.
Ver a “Maggie McPherson Implacável” usar seu talento para salvar o ex-marido trouxe uma energia nova para o tribunal. A química entre os dois, agora focada na sobrevivência mútua e no respeito profissional, funcionou muito melhor do que o “vai-não-vai” romântico de antes.
Além disso, o Juiz Lionel Stone foi uma grata surpresa, trazendo uma gravidade e imparcialidade que muitas vezes faltam em dramas jurídicos televisivos, sendo citado por muitos como o melhor juiz da série até agora.
Uma vilã que deixa a desejar
Por outro lado, a série derrapou feio na construção da antagonista. Dana Berg, a promotora rival, foi escrita de forma quase caricata. Em vez de uma oponente jurídica formidável, ela muitas vezes soou apenas vingativa e irracional, insistindo na culpa de Mickey mesmo quando as evidências gritavam o contrário.
Faltou aquela nuance de uma promotora que realmente acredita estar fazendo a coisa certa; Berg parecia apenas querer vencer a qualquer custo, o que tirou um pouco do brilho das batalhas no tribunal.
Roteiro com buracos e conveniências
Apesar de viciante, o roteiro pediu que o público ignorasse algumas coisas óbvias. A ideia de que um advogado experiente como Mickey removeria a própria placa do carro (o que levou à parada policial) ou não perceberia a armação do “dinheiro devido” como motivo fraco para assassinato incomodou.
Além disso, o desfecho do julgamento pode ter frustrado quem esperava aquele momento “Eureca!” clássico de Mickey diante do júri. A resolução veio através de um acordo técnico e intervenção do FBI, o que, embora realista para o mundo de conspirações federais da trama, tirou o clímax de ver Mickey humilhar a acusação com um veredito de “Inocente” dado pelos jurados.
O tom sombrio e a despedida de Legal Siegel
A temporada assumiu um tom mais “dark”, marcado pela perda. A morte de Legal Siegel (Elliott Gould) foi um golpe duro. Diferente dos livros, onde ele morre mais tarde e de outra forma, a série usou esse evento para isolar ainda mais Mickey. Foi uma escolha narrativa corajosa que aumentou as apostas emocionais, embora alguns fãs tenham sentido que o luto foi apressado em meio à correria do julgamento.
Conclusão
A 4ª temporada de O Poder e a Lei pode não ser perfeita — com seus vilões unidimensionais e alguns saltos lógicos questionáveis —, mas compensa com atuações poderosas e um senso de urgência real. Ao colocar o protagonista no banco dos réus, a série renovou seu fôlego e entregou um drama mais pessoal e impactante.
O final, que resolve o caso mas deixa Mickey emocionalmente esgotado, prepara o terreno para o futuro com um gancho explosivo: a introdução de uma suposta irmã (interpretada por Cobie Smulders) e a renovação confirmada para uma 5ª temporada baseada no livro Resurrection Walk. Mickey Haller sobreviveu, mas as cicatrizes dessa temporada certamente moldarão o advogado que veremos a seguir.
Onde assistir à temporada 4 de O Poder e a Lei?
Trailer da 4ª temporada de O Poder e a Lei
Elenco da quarta temporada de O Poder e a Lei
- Manuel Garcia-Rulfo
- Neve Campbell
- Becki Newton
- Angus Sampson
- Jazz Raycole
- Yaya DaCosta
- Krista Warner
- Elliott Gould
- Fiona Rene
- Christopher Gorham















