Quando pensamos em filmes de pirata, a primeira imagem que vem à cabeça costuma ser a de grandes navios cruzando oceanos, batalhas de canhões espalhafatosas e uma visão quase romantizada e aventuresca de foras da lei bebendo rum. O gênero, muito marcado por franquias como Piratas do Caribe, acostumou o público a um espetáculo grandioso, porém um tanto higienizado e voltado para a família.
É exatamente por ir na contramão de tudo isso que O Refúgio (The Bluff), nova aposta do Prime Video com classificação indicativa para maiores, chama tanta atenção. Dirigido por Frank E. Flowers e produzido pelos irmãos Russo, o filme arrasta o cinema de piratas para a terra firme, trocando a fantasia marítima por um thriller de invasão tenso, brutal e banhado a sangue.
Sinopse
A trama nos leva para a ilha de Cayman Brac, no Caribe do século XIX. Lá, conhecemos Ercell Bodden (Priyanka Chopra Jonas), uma mulher que deixou para trás seu passado obscuro e letal como a lendária pirata “Bloody Mary” (Maria Sangrenta) para viver uma vida tranquila ao lado do marido T.H. (Ismael Cruz Córdova), do filho Issac e da cunhada Elizabeth.
Essa paz vira pó quando o implacável e sádico Capitão Connor (Karl Urban), antigo mentor e abusador de Ercell, descobre seu paradeiro e invade a ilha com sua tripulação em busca de um ouro roubado e de vingança. Com sua casa sitiada e sua família em perigo, Ercell não tem outra escolha a não ser desenterrar as habilidades violentas que jurou abandonar.
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Crítica do filme O Refúgio (2026)
A força da fisicalidade e a ação de “sujar as mãos”
O grande trunfo de O Refúgio é como ele lida com a ação. Esqueça as lutas de espadas coreografadas como se fossem danças; aqui, o buraco é mais embaixo. O filme aposta em combates corpo a corpo intensos, exigindo uma entrega física absurda do elenco e focando em uma brutalidade nua e crua. Ercell usa absolutamente tudo ao seu redor para sobreviver: móveis, facões, armas de fogo antigas e armadilhas elaboradas em cavernas.
O diretor Frank E. Flowers flerta sem medo com o gênero splatter (filmes com muito sangue explícito), entregando mortes criativas e combates onde a protagonista joga sujo — literalmente puxando dreads pela raiz ou cuspindo na cara dos inimigos. É uma abordagem visceral que dá peso a cada golpe, fazendo com que o espectador sinta o impacto da luta pela sobrevivência em cenários incríveis, que vão desde pântanos cheios de crocodilos até florestas densas.

O protagonismo feroz de Priyanka Chopra Jonas e o peso de Karl Urban
Se a ação funciona tão bem, grande parte do mérito é de Priyanka Chopra Jonas. Ela abraça o papel com uma fisicalidade impressionante, trazendo uma vulnerabilidade humana que contrasta perfeitamente com a raiva de uma mãe protegendo sua família. Colocar uma mulher não branca liderando um filme de piratas já é uma subversão fantástica do arquétipo tradicionalmente masculino do gênero, mas a atriz vai além e carrega o peso emocional da trama nas costas.
Do outro lado, temos Karl Urban fazendo o que sabe fazer de melhor: ser uma presença magnética e ameaçadora. Seu Capitão Connor tem uma voz gutural e uma postura imponente, mas a relação dele com Ercell é bem mais sombria do que uma simples rixa. O roteiro deixa claro que Connor a “adotou” e a explorou desde os 12 anos de idade, o que transforma o embate deles em uma verdadeira história de libertação contra um abusador.
Um roteiro que tropeça nas próprias ambições
Apesar de mandar muito bem na pancadaria e na tensão, o filme escorrega no roteiro. Escrito por Flowers e Joe Ballarini, a história acaba caindo em vários clichês batidos de filmes de “protetor da família”. Em determinado ponto, o longa perde um pouco a confiança no público e freia o ritmo com flashbacks excessivos e diálogos super expositivos para explicar o passado de Ercell, o que quebra a adrenalina da perseguição.
Além disso, há um desperdício claro de temas mais profundos. Os piratas aqui não são aventureiros charmosos, mas sim retratados como colonizadores racistas e senhores de escravos brutais. Só que a mão dos irmãos Russo na produção parece ter suavizado o tom, impedindo que o filme mergulhasse de cabeça nessas questões políticas para se manter como um entretenimento mais comercial e mastigado para as massas. Algumas falas carregadas de um sexismo caricato por parte dos piratas e diálogos irritantes de personagens secundários também tiram um pouco do brilho da obra.
Conclusão
No fim das contas, O Refúgio pode não ser uma obra-prima irretocável do roteiro, mas entrega exatamente o que promete: um espetáculo de ação tenso, sangrento e com muita personalidade. Ao deslocar a ameaça dos oceanos para um ambiente doméstico e hostil, o filme se torna uma das opções mais interessantes do catálogo do Prime Video atualmente.
Para quem está cansado das aventuras pasteurizadas e sente falta de uma pegada mais John Wick em cenários históricos, a jornada vingativa e feroz de Priyanka Chopra Jonas é um prato cheio — e, convenhamos, uma alternativa muito mais empolgante do que os últimos e cansativos filmes da franquia Piratas do Caribe.
Onde assistir online ao filme O Refúgio
Trailer de O Refúgio (2026)
Elenco de O Refúgio, do Prime Video
- Priyanka Chopra Jonas
- Karl Urban
- Safia Oakley-Green
- Vedanten Naidoo
- Ismael Cruz Cordova
















