Sabe aquele tipo de filme de terror que, pela sinopse, parece ser “mais do mesmo”, mas quando você assiste percebe que tem um estilo próprio? Pois é, Olho por Olho (2025) cai exatamente nessa categoria. Dirigido por Colin Tilley, um cara que fez carreira dirigindo videoclipes de gente grande como Kendrick Lamar e Megan Thee Stallion, a obra marca sua estreia em longas-metragens trazendo uma estética muito particular.
Não é aquela revolução do gênero que vai mudar sua vida, mas traz uma mistura interessante de lenda urbana, gótico sulista e uma dose cavalar de culpa moral. Se você curte uma vibe meio pesadelo com uma pitada de drama adolescente, pode ser que esse aqui te pegue.
Sinopse
A trama gira em torno de Anna (vivida pela ótima Whitney Peak), uma adolescente que vê sua vida virar de cabeça para baixo após a morte dos pais num acidente de carro. Sem muitas opções, ela sai do Brooklyn, em Nova York, para morar numa cidadezinha pantanosa na Flórida com sua avó May (S. Epatha Merkerson). A relação das duas não é das melhores: May é cega, fria e carrega segredos do passado.
Tentando se enturmar, Anna acaba andando com uma galera meio barra-pesada local, Shawn e Julie. As coisas saem do controle quando Shawn faz bullying com um garoto mais novo, empurrando o menino de uma ponte. O garoto sobrevive, mas decide se vingar.
Orientado pela tia de Anna, Patty, ele invoca uma lenda local: o Sr. Sandman. A regra é clara: esse monstro só persegue bullies (agressores) e quem foi cúmplice da maldade. O objetivo da entidade? Arrancar e comer os olhos de quem tá devendo na praça. Agora, Anna e seus “amigos” precisam lidar com pesadelos que podem ser fatais.
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Crítica do filme Olho por Olho
Videoclipes e pesadelos: a estética visual
A primeira coisa que salta aos olhos (perdoem o trocadilho) é como o filme é bonito de se ver. Dá para notar o dedo do Colin Tilley na direção de arte. O filme abre com uma sequência de sonho surreal de uma líder de torcida que vira um pesadelo gravitacional, quase como um musical macabro.
A ambientação nos pântanos da Flórida ajuda a criar um clima de “Gótico Sulista” que é úmido, pegajoso e inquietante. Tilley aposta menos em sustos fáceis (os famosos jump scares) e mais numa atmosfera pesada, cheia de uma gosma preta nos sonhos e efeitos práticos que dão uma textura real ao horror. É visualmente estiloso, usando até tecnologia retrô como TVs antigas e Polaroids para compor o cenário.

Sr Sandman: um vilão com “princípios”
O monstro da vez, Sr. Sandman, é uma surpresa agradável. Diferente de um Jason ou Michael Myers que saem matando geral, ele tem um código de ética: ele vai atrás de quem faz bullying. A origem dele é trágica — ele foi um menino cego chamado Vincent, que teve seus olhos de vidro roubados e usados como projéteis contra ele. Isso dá uma camada de “justiça distorcida” ao filme.
Ele não é só um bicho papão; ele é a manifestação da vingança e da culpa. A ideia de que ele invade os sonhos lembra muito A Hora do Pesadelo, mas com essa pegada de tribunal moral: ele até dá uma chance para a vítima se arrepender antes de partir para a violência gráfica.
Ritmo e roteiro: onde o bicho pega
Apesar de ter um visual incrível e um monstro com uma história de fundo bacana (baseada numa graphic novel de Elisa Victoria), o filme dá umas escorregadas no ritmo. Algumas partes parecem se arrastar mais do que deveriam, e a duração de cerca de 100 minutos poderia ser mais enxuta.
A estrutura da história é um pouco formulaica: grupo de jovens faz besteira, monstro é invocado, jovens morrem um por um. Se você procura algo totalmente inovador no enredo, pode ficar meio decepcionado. O filme brilha mais na execução visual e na atuação da Whitney Peak, que segura bem a onda do drama e do terror, do que na originalidade do roteiro em si.
Conclusão
Olho por Olho é um filme que acerta mais do que erra. Ele pega tropos batidos do terror adolescente e os embala numa produção visualmente rica, com efeitos práticos nojentos na medida certa e uma mensagem sobre as consequências do bullying e da omissão.
Não é um clássico instantâneo e pode testar a paciência de quem prefere um terror mais frenético, mas para quem curte uma atmosfera bem construída e um vilão com uma mitologia interessante, vale a sessão. É uma estreia sólida para Colin Tilley no cinema, provando que ele sabe criar pesadelos tão bem quanto cria videoclipes.
Onde assistir ao filme Olho por Olho?
Trailer de Olho por Olho (2025)
Elenco do filme Olho por Olho (2025)
- Whitney Peak
- Laken Giles
- S. Epatha Merkerson
- Finn Bennett
- Golda Rosheuvel
- Ben Bladon
- Carson Minniear
- Oliver J Green

















