Por muito tempo, a Netflix tentou emplacar grandes adaptações de fantasia para bater de frente com gigantes do mercado, e parece que a busca pelo tesouro finalmente acabou. Quando a primeira temporada de One Piece: A Série saiu, a desconfiança era gigante, afinal, o histórico de live-actions de animes nunca foi dos melhores. Mas eles conseguiram quebrar essa maldição.
Agora, o desafio da segunda temporada era provar que o sucesso do primeiro ano não foi apenas sorte de principiante. E a boa notícia? A série não só mantém a qualidade, como expande o seu universo, perdendo de vez o medo de abraçar a verdadeira bizarrice da obra de Eiichiro Oda.
Sinopse
A história recomeça exatamente de onde paramos, com Monkey D. Luffy e os Chapéus de Palha finalmente entrando na perigosa e mítica Grand Line. Durante essa nova etapa da viagem, a tripulação navega por ilhas muito diferentes umas das outras, passando por Loguetown, Whiskey Peak, Little Garden e o gélido Reino de Drum.
No caminho, eles precisam lidar com os assassinos da organização criminosa Baroque Works, fogem da perseguição implacável do marinheiro Smoker, decidem ajudar a princesa Vivi a salvar seu país e, o mais importante, ganham um novo integrante para a tripulação: a adorável rena Tony Tony Chopper, que assume o posto de médico do navio.
Crítica da temporada 2 de One Piece: A Série
O ritmo da aventura e as sementes do futuro
Uma das maiores diferenças dessa temporada em relação à primeira é a quantidade de história adaptada: enquanto o ano um espremeu cerca de 95 capítulos do mangá, o segundo ano foca em apenas 59. Isso ajudou demais o ritmo da série, permitindo que a história respire e que a dinâmica entre os personagens principais se desenvolva sem tanta correria.
Apesar desse respiro em arcos fechados, a série sofre um pouco com a ansiedade de preparar o terreno para o futuro. Para evitar que o elenco envelheça rápido demais – um problema real que a Netflix enfrentou com Stranger Things –, os roteiristas decidiram adiantar a aparição de vários personagens cruciais, como Sabo, Bartolomeo e conexões com o Brook, muito antes do que acontece na obra original. Isso não estraga a experiência, mas faz com que a temporada soe, por vezes, como um grande prelúdio ou uma fase de transição para o aguardado arco de Alabasta.

Abraçando o bizarro com efeitos de ponta
Adaptar One Piece é pisar num campo minado porque o universo é muito excêntrico. Felizmente, a direção entendeu que uma abordagem sombria e realista destruiria a essência da obra, optando por ser “boba” e cafona do jeito certo. O CGI e a direção de arte melhoraram bastante, o que fica evidente nos cenários grandiosos e em personagens fantasiosos.
É impossível não se emocionar com personagens inteiramente digitais, como a melancólica baleia Laboon e o próprio Chopper. Aliás, o visual do Chopper ficou incrível, lembrando uma pelúcia felpuda na mesma pegada de Detetive Pikachu. Claro, rolam uns tropeços visuais aqui e ali, como os poderes de cera do Mr. 3 em Little Garden que ficaram um tanto esquisitos na tela, mas de forma geral, o impacto visual é sensacional.
O coração da tripulação e os novos rostos
O elenco principal continua esbanjando carisma e segurando a onda do show. Jacob Gibson rouba a cena com o seu Usopp em Little Garden, Mackenyu entrega um Zoro focado, e o Sanji de Taz Skylar teve uma ótima correção de rota, ganhando uma faceta vulnerável e mulherenga que passa bem longe de ser machista. Iñaki Godoy segue maravilhoso como Luffy, mesmo que em alguns momentos dramáticos mais exigentes ele ainda pareça estar afinando o tom do personagem.
Mas as palmas vão mesmo para os novatos. O arco focado no passado do Chopper e sua relação com o Dr. Hiriluk é de longe o ponto alto e mais emocionante da temporada, abordando dor, luto e aceitação de uma forma linda. Entre a Baroque Works, Lera Abova entregou tudo como Nico Robin (a Miss All Sunday), criando uma femme fatale sedutora e perfeita.
Já a Princesa Vivi, vivida por Charithra Chandran, dividiu um pouco a base: enquanto manda muito bem nos momentos de fragilidade da personagem, tem quem ache que ela parece ter saído direto do elenco de Bridgerton para o navio. O único lamento doloroso entre as novidades é o corte do adorável pato Karoo, que infelizmente fez falta.
Conclusão
No fim das contas, a segunda temporada da série One Piece é uma grande carta de amor de seus criadores para a genialidade do Eiichiro Oda. É uma adaptação imperfeita, com momentos de oscilação de ritmo e algumas atuações ainda em calibragem, mas que compensa qualquer erro pelo fato de ter muito coração.
A série prova que sabe brincar com o fantástico e deixa o espectador na beira do assento, ansioso para a já confirmada terceira temporada, onde a tripulação finalmente vai bater de frente com o assustador Crocodile. Pode embarcar sem medo, porque o mar do live-action está para peixe.
Onde assistir online à temporada 2 de One Piece: A Série?
Trailer da 2ª temporada de One Piece: A Série
Elenco da segunda temporada de One Piece: A Série
- Iñaki Godoy
- Emily Rudd
- Mackenyu
- Jacob Romero Gibson
- Taz Skylar
- Vincent Regan
- Jeff Ward
- Morgan Davies
- Michael John Dorman
- Charithra Chandran

















