Confira a crítica do Flixlândia para o filme "Os Bad Boas", comédia holandesa de 2025 disponível para assistir na Netflix

‘Os Bad Boas’: patrulha de clichês em um filme esquecível

Foto: Netflix / Divulgação
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O gênero buddy cop, ou comédia de parceiros policiais, é um terreno fértil para o cinema de ação, consagrado por duplas icônicas que equilibram caos e camaradagem. A produção holandesa “Os Bad Boas”, recém-chegada à Netflix, tenta importar essa fórmula americana para as ruas de Roterdã.

A proposta é ambiciosa: unir o carisma de um dos maiores comediantes do país a um ator de dramas densos, criando uma dinâmica de opostos. No entanto, apesar do cenário visualmente atraente e de uma premissa com potencial dramático, o filme se contenta em seguir um manual de instruções, resultando em uma aventura previsível que raramente surpreende ou provoca gargalhadas genuínas.

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Sinopse

A trama acompanha Ramon (Jandino Asporaat), um “Boa” – Oficial de Investigação Especial com poderes limitados – que patrulha seu bairro com um otimismo contagiante e o sonho de honrar o legado heroico de seu pai. Seu mundo colide com o de Jack (Werner Kolf), um detetive experiente e amargurado, rebaixado para o serviço comunitário após uma operação desastrosa que resultou na morte de seu parceiro.

O que une essa dupla improvável é justamente essa morte, já que a vítima era também irmão de Ramon. Forçados a trabalhar juntos, eles mergulham em uma investigação que revela uma teia de corrupção dentro da própria polícia, transformando uma missão profissional em uma busca pessoal por justiça e redenção.

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Crítica

O roteiro de “Os Bad Boas” parece ter sido montado a partir de um checklist do gênero. A dinâmica do “certinho e rebelde” é o motor da narrativa, mas a engrenagem falha em produzir faíscas memoráveis. Desde os primeiros minutos, o arco dos personagens é telegrafado: o agente ingênuo descobrirá sua força interior, e o policial cínico aprenderá a confiar novamente.

A previsibilidade se estende à trama de corrupção, cujo vilão é tão genérico que sua identidade se torna irrelevante antes mesmo do clímax. O filme flerta com um drama mais profundo sobre luto e traição, mas o abandona em favor de sequências que não conseguem construir tensão ou peso emocional.

A comédia, por sua vez, apoia-se em palavrões e piadas visuais que oscilam entre o exagerado e o constrangedor, carecendo da sagacidade e dos diálogos afiados que marcam os clássicos do gênero.

➡️‘Brick’ é uma boa ideia aprisionada em um roteiro frágil
➡️‘O Esquema Fenício’: Wes Anderson previsível e deslumbrante
➡️‘Meu Amor Vai Fazer Você Desaparecer’ é leve, doce e imperfeito – como o amor verdadeiro

Cena do filme 'Os Bad Boas', da Netflix (2025) - Flixlândia
Cena do filme ‘Os Bad Boas’ (Foto: Netflix / Divulgação)

O carisma desigual da dupla central

O maior trunfo do filme é, sem dúvida, a energia de Jandino Asporaat. Como Ramon, ele entrega um protagonista carismático e simpático, cuja inocência serve como o coração da história. É seu desempenho que carrega o filme nos momentos mais mornos.

Em contrapartida, Werner Kolf, interpretando Jack, parece tão imerso na dor silenciosa e na seriedade de seu personagem que esquece de injetar o carisma necessário para que a química da dupla funcione.

A escolha de elenco, que para o público holandês representa um contraste intencional entre um famoso comediante e um ator dramático, resulta em uma parceria desequilibrada na tela. O restante do elenco de apoio é funcional, mas seus personagens são rasos e facilmente esquecíveis, existindo apenas para mover a trama adiante.

Ação fica no meio-termo

Se o roteiro tropeça, a execução visual de “Os Bad Boas” merece elogios. O diretor Gonzalo Fernández Carmona utiliza Roterdã não apenas como pano de fundo, mas como uma personagem vibrante.

A fotografia e a direção de arte exploram a arquitetura moderna e os canais da cidade, conferindo ao filme uma identidade visual forte e uma atmosfera urbana envolvente. Certas cenas de ação, como uma criativa perseguição envolvendo um kart e uma bicicleta elétrica, se destacam pela energia e inventividade.

Contudo, em outros momentos, a ação cai em um limbo insatisfatório. As lutas corpo a corpo carecem de fluidez e impacto, e as sequências de tiroteio não são realistas o suficiente para gerar tensão, nem absurdas o bastante para empolgar. O resultado é uma experiência que agrada aos olhos, mas que raramente acelera o pulso.

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Conclusão

“Os Bad Boas” é um passatempo razoável, um filme que se contenta em existir sem a ambição de deixar sua marca. Funciona como uma vitrine para a cidade de Roterdã e para o talento cômico de Jandino Asporaat, mas falha em entregar uma história memorável ou uma dupla verdadeiramente cativante.

Para os fãs mais ardorosos do gênero, pode valer pela curiosidade de ver uma abordagem europeia de uma fórmula americana consagrada. No entanto, para quem busca reviravoltas inesperadas e humor inteligente, a patrulha aqui se revela um pouco desarmada e o passeio, em grande parte, esquecível. É o tipo de filme que se assiste em uma tarde despretensiosa, mas que some da memória assim que os créditos sobem.

Assista ao trailer do filme Os Bad Boas

YouTube player

Elenco de Os Bad Boas, da Netflix

  • Jandino Asporaat
  • Werner Kolf
  • Florence Vos Weeda
  • Ferdi Stofmeel
  • Ergun Simsek
  • Juliette van Ardenne
  • Stephanie van Eer
  • Rian Gerritsen
  • Romana Vrede
  • Teun Kuilboer
Escrito por
Wilson Spiler

Formado em Design Gráfico, Pós-graduado em Jornalismo e especializado em Jornalismo Cultural, com passagens por grandes redações como TV Globo, Globonews, SRZD e Ultraverso.

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