O episódio 4 de Pluribus não é apenas um avanço na trama de ficção científica; é uma sessão intensa e pessoal que nos força a questionar até onde Carol Sturka está disposta a ir pela humanidade, e o que significa a verdade quando a mentira já não existe.
A série continua se destacando por construir tensão lentamente, focando nas nuances psicológicas de sua protagonista, com este quarto capítulo, “Por favor, Carol”, sendo um excelente exemplo de como a exposição sutil e a ação tensa podem se misturar para criar algo realmente memorável.
Sinopse
“Por favor, Carol” nos tira da cabeça de Carol (Rhea Seehorn) momentaneamente com uma abertura engenhosa, apresentando o novo personagem, Manousos Oviedo (Carlos-Manuel Vesga), um gerente de depósito no Paraguai que está lidando com a assimilação de uma forma bem “à moda antiga” — isolamento total, sobrevivendo de restos, e desconfiado de tudo. Vemos, da perspectiva dele, o momento em que Carol tentou contatá-lo no episódio anterior, percebendo que a agressividade dela foi o que o convenceu de que ela era uma sobrevivente “de verdade”.
De volta a Albuquerque, Carol deixa o hospital em um carro de polícia emprestado e é confrontada com a solicitude invasiva dos “Outros”, que já estão consertando o buraco que ela causou em sua casa. Determinada a encontrar uma fraqueza, ela usa um membro do coletivo chamado Larry/Shorty (Jeff Hiller) para testar sua principal teoria: os integrantes do Coletivo não conseguem mentir. Esta busca pela verdade leva a uma revelação dolorosa sobre o que sua falecida esposa, Helen, realmente pensava de seu trabalho.
Com essa informação crucial, Carol retorna ao hospital para interrogar Zosia (Karolina Wydra). Ela descobre que a reversão da “União” é possível, mas Zosia não revela o como. Isso a leva ao seu plano mais arriscado até agora: invadir a farmácia do hospital para roubar tiopental sódico (o popular “soro da verdade”) e usá-lo em Zosia, desencadeando um clímax assustadoramente tenso que culmina com Zosia entrando em parada cardíaca sob o olhar de um coro de Joined aterrorizados, todos repetindo o título do episódio: “Por favor, Carol”.
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Resenha crítica do episódio 4 de Pluribus
A chegada de Manousos e a dualidade da resistência
A introdução de Manousos Oviedo, com sua abordagem “Charlton Heston em A Última Esperança da Terra“ para o apocalipse, é um contraste excelente e muito necessário para a resistência mais intelectual e orientada para a investigação de Carol. Enquanto Carol está ativamente interagindo e experimentando com os Joined, Manousos está simplesmente tentando sobreviver e manter a integridade de seu isolamento.
O fato de ele se alimentar de sachês de adoçante, cremes de café e até mesmo ração de cachorro para evitar o “agrado” dos Outros mostra um nível de comprometimento que eleva as apostas para todos os não-infectados. Vê-lo ligar os pontos após ser xingado por Carol é um toque de gênio que usa a grosseria como prova de autenticidade humana.

A questão da mentira e a devoção em crise
O interrogatório de Carol com Larry, o “Larry sorridente em shorts de ciclista” interpretado pelo Jeff Hiller (perfeito no papel!), é o núcleo emocional do episódio. Começando com uma busca fria por fraquezas, a cena rapidamente se torna a autoflagelação mais comovente da protagonista. Carol, que já enfrentou o trauma de um campo de “terapia de conversão” na juventude, decide enfiar o dedo na ferida mais dolorosa: a validação de sua arte.
A verdade é brutal: a obra Wycaro é “igual a Shakespeare” para os Joined porque proporciona contentamento, não por seu valor literário. E o romance sincero, Bitter Chrysalis, é apenas “meh” — Helen nunca o terminou, mas o incentivou por amor a Carol.
Essa revelação não é só informação de enredo, é um soco no estômago que questiona o propósito da vida de Carol. Se a Joined oferece amor e aceitação incondicionais, mas a custa da verdade e da individualidade criativa, qual é o valor daquela “aceitação”? Para Carol, a rendição é mais aterrorizante do que o risco.
O clímax do soro da verdade e a vulnerabilidade coletiva
O último ato, com Carol roubando tiopental sódico para forçar Zosia a falar, é uma masterclass em tensão silenciosa e construção de planos. A série confia em nós, espectadores, para juntarmos as peças — desde o teste cômico e revelador que Carol faz em si mesma (incluindo a admissão bêbada de atração por Zosia) até a injeção final.
O momento em que os Joined se reúnem, cercando Carol e a agora paralisada Zosia, e começam a chorar e a implorar “Por favor, Carol,” é o mais assustador e mais revelador da série. Não é um ataque raivoso; é um desespero coletivo e infantil, uma exposição de sua vulnerabilidade como massa. Carol não está apenas atacando uma pessoa; ela está causando dor e dano a uma consciência global, agindo como um vírus dentro do petri dish da colmeia.
O desfecho com Zosia em parada cardíaca e o olhar de arrependimento no rosto de Carol não apenas encerra o episódio com um gancho devastador, mas nos lembra que, embora a sobrevivência seja sua missão, a protagonista ainda tem um limite para a brutalidade, mesmo contra seus “inimigos”.
Conclusão
“Por favor, Carol” é um episódio forte e emocionalmente carregado de Pluribus, que avança o enredo de forma significativa ao confirmar que o Joined pode ser revertido e não pode mentir. Ao mesmo tempo, ele aprofunda a motivação de Carol, transformando sua resistência em uma luta profundamente pessoal contra a assimilação, que ela compara à terapia de conversão traumática de seu passado.
A chegada de Manousos e o destino incerto de Zosia garantem que a jornada de Carol será tudo, menos solitária ou simples. A série continua a ser um exercício de contar histórias com inteligência, evitando explicações óbvias e exigindo que o público preste atenção em cada passo lógico de sua heroína.
















