Portobello crítica do episódio 1 da série da HBO Max 2026 - Flixlândia (1)

Quando o sucesso na TV vira um pesadelo kafkiano: o que achamos do 1º episódio de ‘Portobello’

Foto: HBO Max / Divulgação
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Aos 86 anos de idade, o mestre italiano Marco Bellocchio prova mais uma vez que não perdeu o fôlego para contar histórias densas e reais sobre o seu país. A minissérie Portobello, que acaba de estrear no catálogo da HBO Max, chega com a promessa de recontar um dos casos judiciais mais escandalosos e absurdos da história da Itália.

Com seis episódios previstos para lançamento semanal, a obra já nos agarra pelo colarinho logo de cara, nos transportando para a Itália do início dos anos 80, onde a linha entre o entretenimento de massa e a criminalidade se cruza de forma trágica.

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Sinopse

O primeiro episódio, intitulado “28 Milhões de Espectadores”, nos coloca no auge da carreira do carismático apresentador Enzo Tortora (vivido por Fabrizio Gifuni). Seu programa de variedades, Portobello, é um fenômeno absoluto nas noites de sexta-feira. No entanto, em paralelo aos estúdios de TV coloridos e caóticos, acompanhamos o clima tenso no presídio de Poggioreale, dominado pelo chefão da máfia Raffaele Cutolo.

É de lá que o criminoso Giovanni Pandico, um membro da gangue que se sente traído após uma série de transferências e problemas na prisão, resolve fazer acusações falsas que ligam Enzo Tortora a uma rede criminosa da Camorra.

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Crítica do episódio 1 da série Portobello

A televisão como um espelho da sociedade

Logo nos primeiros minutos, Bellocchio dá uma aula de como mostrar o impacto de um fenômeno pop sem precisar de muita explicação didática.

Para ilustrar o peso dos 28 milhões de italianos que paravam para assistir a Enzo Tortora tentar fazer o famoso papagaio Loreto falar, a direção corta de forma genial para as mais diversas salas de estar: freiras amontoadas em um convento, aposentados em um asilo, uma família rica e engessada em sua sala, e até os próprios mafiosos assistindo ao programa em uma cela minúscula.

A TV aqui não é só um pano de fundo, mas um verdadeiro rito coletivo que unia um país inteiro, do norte ao sul, dos laicos aos religiosos.

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Portobello crítica do 1 episódio da série da HBO Max 2026 - Flixlândia (1)
Foto: HBO Max / Divulgação

O início de um pesadelo kafkiano

O que mais assusta nesse piloto é a banalidade do mal e o tom de absurdo que beira as obras de Franz Kafka. A derrocada de um homem tão amado pelo público começa por um motivo bizarro: alguns centrinhos de crochê. Pandico, o mafioso com problemas psiquiátricos, havia enviado essas peças para serem vendidas no programa de TV, mas elas nunca foram ao ar nem foram devolvidas.

A partir desse ressentimento, somado a uma crença delirante de que ele tinha uma conexão telepática com Tortora, nasce a mentira que destruiria a vida do apresentador. A cena em que Tortora é acordado no meio da noite e levado algemado pelos carabinieri é dolorosa e mostra como a justiça e a mídia podem rapidamente transformar um ídolo em um monstro.

Atuações magnéticas e a lente feroz de Bellocchio

Fabrizio Gifuni está simplesmente espetacular. Ele não tenta fazer uma imitação barata, mas sim capturar a elegância, a fôrma de falar e até o piscar de olhos constante do verdadeiro Tortora. O roteiro ainda ousa ao nos mostrar uma cena inesperada do apresentador cheirando cocaína antes de entrar no palco, um detalhe que brinca com os nossos próprios preconceitos como espectadores de um caso que envolve acusações de tráfico.

Do outro lado, Lino Musella rouba a cena como Giovanni Pandico, entregando um personagem invejoso, perturbado e profundamente assustador. Bellocchio mistura o realismo da época com toques surreais, utilizando a figura da máscara de Pulcinella para escancarar que tudo aquilo – os tribunais, a TV, a mídia – não passava de um grande e trágico teatro de absurdos.

Conclusão

O primeiro episódio de Portobello é muito mais do que um simples “true crime”; é um soco no estômago sobre a hipocrisia de uma sociedade que ama erguer ídolos com a mesma facilidade com que gosta de vê-los cair e ser linchados em praça pública.

Com uma fotografia impecável, uma montagem inteligente e um elenco afiadíssimo, Marco Bellocchio inaugura muito bem a jornada da série na HBO Max. Se as próximas cinco partes mantiverem esse nível de excelência, estamos diante de uma das produções europeias mais essenciais do ano. É daquelas séries que você termina o episódio já querendo dar o play no próximo.

Onde assistir online à série Portobello?

Trailer de Portobello (2026)

YouTube player

Elenco da série Portobello, da HBO Max

  • Fabrizio Gifuni
  • Barbora Bobulova
  • Romana Maggiora Vergano
  • Lino Musella
  • Alessandro Preziosi
  • Fausto Russo Alesi
  • Claudio Burei
  • Mauro Aversano
Escrito por
Juliana Cunha

Editora na ESPN Brasil e fã de cultura pop, Juliana se classifica como uma nerd saudosa dos grandes feitos da Marvel.

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