Crítica do filme Quero Você, da Netflix (2025) - Flixlândia

A promessa vazia e sem alma de ‘Quero Você’

Foto: Netflix / Divulgação
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O cinema de romance passou por transformações profundas na última década. No Brasil, o gênero nunca saiu de moda, mas a forma como ele é retratado mudou, oscilando entre narrativas leves e histórias mais complexas e ousadas. No entanto, em outras indústrias, como a de Bollywood, que um dia teve o romance como seu pilar, o gênero cedeu espaço a dramas políticos e filmes de ação.

No meio dessa mudança de maré, a Netflix parece estar apostando em uma espécie de “ressurgimento” do romance, misturando-o com drama e suspense. É nesse contexto que “Quero Você”, um filme alemão, chega com a promessa de uma trama erótica e envolvente. Com locações paradisíacas e uma premissa de sedução e traição, o filme tenta se posicionar como o “hit do verão”, mas acaba tropeçando na sua própria ambição.

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Sinopse

Em Quero Você, conhecemos Lilli (Svenja Jung), uma auditora reservada que decide visitar sua irmã mais nova, Valeria (Tijan Marei), em Maiorca. O que deveria ser uma viagem tranquila se torna um pesadelo quando Lilli descobre que Valeria está noiva de um homem misterioso, Manu (Victor Meutelet), e planeja investir na compra de uma pousada caríssima.

Desconfiada, Lilli tenta alertar a irmã, mas seus planos são interrompidos pelo enigmático Tom (Theo Trebs), um gerente de boate que a atrai com sua sedução. O romance entre Lilli e Tom é intenso, mas esconde um segredo sombrio.

Quando a verdadeira intenção por trás dos personagens é revelada—uma herança de família, um golpe orquestrado e um jogo perigoso — a história se desenrola em uma espiral de suspense e traição, com reviravoltas que, no fim das contas, parecem familiares demais.

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Crítica

O filme de Sherry Hormann, baseado no roteiro de Stefanie Sycholt, parece se inspirar em histórias reais de golpes, como o famoso “O Golpista do Tinder”, mas opta por um final fantasioso e, honestamente, pouco crível. A reviravolta em que o golpista se arrepende e decide ajudar suas vítimas soa como um eco fraco de outros filmes, como o indiano Senhoras vs Ricky Bahl.

O grande problema é que, ao tentar subverter a fórmula, Quero Você esquece de desenvolver seus personagens. Lilli e Valeria são apenas peões, movidos de uma cena a outra para justificar um encontro sexual. Elas não têm personalidade, iniciativa ou profundidade.

Ao contrário do que se vê em tramas mais bem construídas, onde as mulheres se unem para confrontar o golpista, aqui elas são figuras passivas, que reagem aos acontecimentos em vez de agir. A motivação de Tom para se “transformar” em um herói relutante é frágil, dependendo unicamente da incapacidade das heroínas de se ajudarem, o que revela uma escrita preguiçosa.

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Cena do filme Quero Você, da Netflix (2025) - Flixlândia
Foto: Netflix / Divulgação

Erotismo vazio e a falta de química

Embora a Netflix anuncie o filme como um “drama erótico”, as cenas sensuais parecem desconfortáveis e até repulsivas. A direção de Hormann não consegue traduzir a suposta paixão em algo visualmente envolvente. A química entre os protagonistas, Svenja Jung e Theo Trebs, simplesmente não existe.

A tentativa de misturar “erotismo” com “tensão” cria uma cena de sexo que, para o espectador, beira o inaceitável, sugerindo uma falta de consentimento que é, no mínimo, perturbadora. O filme confunde nudez com sensualidade. Os corpos expostos e a proximidade física não criam a faísca prometida. O que deveria ser um ponto forte do filme se torna seu maior ponto fraco, ressaltando que sensualidade vai muito além da exposição do corpo.

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Ritmo lento e edição amadora

Um dos maiores problemas de Quero Você é sua falta de ritmo. O filme se arrasta em uma lentidão desconcertante, fazendo com que as quase duas horas de duração pareçam uma eternidade. O clímax é apressado e a edição é tão amadora que chega a ser cômica. Parece que a equipe não sabia como dar a devida urgência à trama, resultando em um desfecho confuso e risível.

A narrativa se move de forma desorganizada, sem uma progressão natural que prenda a atenção do público. Enquanto os atores, que se esforçaram para parecer “quentes” e sedutores, mereciam uma direção mais competente, o roteiro e a edição os deixaram à deriva.

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Conclusão

“Quero Você” é um filme que promete muito em sua premissa e em seus materiais de divulgação—cenários deslumbrantes, romance, suspense—mas entrega muito pouco. A beleza das paisagens de Maiorca e o comprometimento do elenco não são suficientes para compensar um roteiro fraco e uma direção sem pulso. O filme falha em criar personagens interessantes, em construir uma narrativa envolvente e em estabelecer uma química convincente.

No final, é apenas mais uma história genérica de sedução, sem a complexidade ou o entretenimento que o gênero exige. Para quem busca uma comédia romântica ou um drama com mais substância e humor, há opções muito melhores. Quero Você é uma oportunidade perdida, uma história que se contenta em ser superficial, vendendo a falsa ideia de que um corpo bonito em um cenário exótico é o suficiente para fazer um bom filme.

Onde assistir ao filme Quero Você?

O filme está disponível para assistir na Netflix.

Assista ao trailer de Quero Você (2025)

YouTube player

Quem está no elenco de Quero Você, da Netflix?

  • Svenja Jung
  • Theo Trebs
  • Thomas Kretschmann
  • Tijan Marei
  • Victor Meutelet
  • Antje Traue
  • Lucía Barrado
Escrito por
Wilson Spiler

Formado em Design Gráfico, Pós-graduado em Jornalismo e especializado em Jornalismo Cultural, com passagens por grandes redações como TV Globo, Globonews, SRZD e Ultraverso.

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