Setembro, 5 Crítica do Filme em Cartaz nos Cinemas

Setembro 5: filme retrata o evento que mudou a forma de se fazer jornalismo

Foto: Divulgação
Compartilhe

Em Setembro 5, o diretor Tim Fehlbaum revisita um dos episódios mais trágicos da história recente, o sequestro e assassinato de atletas israelenses durante as Olimpíadas de Munique, em 1972. Através de uma abordagem única, o filme traz uma perspectiva jornalística, explorando as tensões e dilemas enfrentados por uma equipe da ABC enquanto cobre, ao vivo, a crise. Com uma narrativa claustrofóbica e eletricamente tensa, o longa se destaca por seu ritmo acelerado e pela profundidade emocional que carrega em cada cena, trazendo ao olhar de quem assiste a sensação de fascínio pela notícia e desespero pelo decorrer dos fatos que cada jornalista presente naquela equipe vivenciou.

Frete grátis e rápido! Confira o festival de ofertas e promoções com até 80% OFF para tudo o que você precisa: TVs, celulares, livros, roupas, calçados e muito mais! Economize já com descontos imperdíveis!

Sinopse do filme Setembro 5

O filme acompanha os jornalistas da ABC que, inicialmente, estão em Munique para cobrir os eventos esportivos das Olimpíadas de 1972. No entanto, quando os atletas israelenses são sequestrados por terroristas palestinos, a equipe se vê obrigada a alterar sua missão e relatar ao vivo a escalada do massacre.

A trama se passa quase que inteiramente dentro da sala de controle do canal, com destaque para a dinâmica entre os membros da equipe: Geof (John Magaro), o responsável pela transmissão; Roone (Peter Sarsgaard), o presidente da ABC Sports; Marvin (Ben Chaplin), chefe de operações; e Marianne (Leonie Benesch), a intérprete que media as barreiras linguísticas. O público acompanha sua jornada na busca por informações, enfrentando erros, dilemas morais e as limitações tecnológicas da época.

Você também pode gostar disso:

Versão 2025 de ‘O Maravilhoso Mágico de Oz’ é fofa e boa opção para a criançada

‘A Verdadeira Dor’: entre risos, luto e o peso da memória

‘Vítimas do Dia’, um retrato honesto e doloroso da violência urbana

Crítica de Setembro 5 (2024)

Setembro 5 é aquele tipo de thriller que consegue manter sua tensão contínua, ainda mais potencializada pelo fato de que toda a história traçada ali é real. Ao focar na sala de controle, o roteiro cria um microcosmo de caos e urgência. Fehlbaum consegue envolver o espectador ao mostrar a pressão enfrentada pela equipe jornalística, que se vê diante de questões éticas complexas e uma situação fora de seu controle. O uso de tecnologias rudimentares da época, como walkie-talkies e câmeras pesadas, acentua ainda mais essa tensão, tornando a missão de relatar a história não apenas uma corrida contra o tempo, mas também uma luta constante contra a ineficiência dos recursos disponíveis.

Enquanto Setembro 5 não aprofunda as questões políticas do massacre, ele traz à tona reflexões fundamentais sobre a cobertura de tragédias ao vivo. As escolhas dos jornalistas — de como relatar os eventos e como equilibrar a urgência de uma cobertura com a responsabilidade de não exacerbar a tragédia — se tornam o cerne da narrativa, com escolhas que foram tomadas na tragédia e que reverberam até hoje no modo de se cobrir eventos assim. Além disso, o filme levanta questões sobre a reação da Alemanha, ainda recente das feridas da Segunda Guerra Mundial, e o dilema moral de como a mídia deve abordar um evento que afeta diretamente um povo historicamente oprimido, como os judeus.

As atuações impecáveis do longa corroboram com o roteiro para a claustrofobia, com destaque para a performance de Peter Sarsgaard como Roone, equilibrando a pressão de liderar uma equipe de jornalistas diante de um evento sem precedentes. A direção de Fehlbaum é precisa e eficaz, criando uma atmosfera sufocante, onde cada erro ou decisão equivocada pode ter consequências devastadoras. A claustrofobia do local, a falta de recursos modernos e a urgência da situação são elementos fundamentais para envolver o espectador emocionalmente.

O filme também se destaca pela construção moral dos personagens, que são forçados a tomar decisões em um cenário de crise. Setembro 5 não apenas retrata o massacre, mas também a forma como o jornalismo e os meios de comunicação lidam com situações extremas e, por vezes, suas próprias falhas e limitações.

Conclusão

Setembro 5 poderia ser apenas mais um filme sobre o evento terrorista que ocorreu durante as Olimpíadas de 1972, em Munique. Mas, as escolhas certeiras do diretor suíço Tim Fehlbaum levam o longa a um patamar acima. O tom jornalístico dita toda a construção do roteiro e se mantém presente na claustrofóbica sala de comando de uma transmissão, enquanto o mundo vira seus olhos para o apartamento da delegação de Israel, sequestrada em pleno Jogos Olímpicos, nossa pulsação acelera vendo as escolhas e ações dos jornalistas que tentavam transmitir para o planeta inteiro a dimensão do ato terrorista.

O filme tenta fugir do julgamento de valores envolvendo Israel, tal qual uma boa mídia imparcial, e conquista por conseguir transmitir a angústia da equipe que presenciava tudo ao vivo com a missão de noticiar ao mundo algo inédito e trágico na mesma proporção.

Siga o Flixlândia nas redes sociais

Instagram

Twitter

TikTok

YouTube

Onde assistir ao filme Setembro 5?

O filme está disponível para assistir nos cinemas.

Trailer de Setembro 5 (2024)

YouTube player

Elenco do filme Setembro 5

  • Peter Sarsgaard
  • John Magaro
  • Ben Chaplin
  • Leonie Benesch
  • Zinedine Soualem

Ficha técnica de Setembro 5 (2024)

  • Título original: Setember 5
  • Direção: Tim Fehlbaum
  • Roteiro: Tim Fehlbaum, Alex David e Moritz Binder
  • Gênero: drama
  • País: Alemanha, EUA
  • Ano: 2024
  • Duração: 95 minutos
  • Classificação: 12 anos
Escrito por
Taynna Gripp

Formada em Letras e pós-graduada em Roteiro, tem na paixão pela escrita sua essência e trabalha isso falando sobre Literatura, Cinema e Esportes. Atual CEO do Flixlândia e redatora do site Ultraverso.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Procuram-se colaboradores
Procuram-se colaboradores

Últimas

Artigos relacionados
Maldição da Múmia 2026 crítica do filme - Flixlândia (1)
Críticas

Crítica | ‘Maldição da Múmia’ é um pesadelo repugnante (no bom sentido)

Quando a gente pensa em filmes de múmia, a memória logo resgata...

O Advogado de Deus crítica do filme 2026 - Flixlândia (1)
Críticas

Crítica | ‘O Advogado de Deus’: a vida é uma escola

Caro leitor e apreciador de temas espirituais, seja bem-vindo! Sabemos que há...

O Estrangeiro crítica do filme 2026 - Flixlândia
Críticas

Crítica | O absurdo revisitado: por que o novo ‘O Estrangeiro’ é um soco no estômago necessário

Mexer em uma obra-prima da literatura mundial é sempre pisar em ovos....

Pinóquio 2026 crítica do filme russo - Flixlândia (1)
Críticas

Crítica | Versão russa de ‘Pinóquio’ não acrescenta em nada às várias adaptações da obra

Chega aos cinemas nesta quinta-feira (16), uma nova adaptação de Pinóquio (título...

Vidas Entrelaçadas crítica do filme com Angelina Jolie 2026 - Flixlândia
Críticas

Crítica | ‘Vidas Entrelaçadas’ faz um belo exercício de conscientização, mas carece de fôlego dramático

Vidas Entrelaçadas, filme dirigido pela cineasta francesa Alice Winocour, que estreia nos...

A Voz de Deus crítica do documentário 2026 - Flixlândia
Críticas

‘A Voz de Deus’ e o retrato de um Brasil que prega para sobreviver

A Voz de Deus, dirigido por Miguel Ramos, que estreia nos cinemas...

Caso 137 crítica do filme 2026 - Léa Drucker em Caso 137 - crédito Autoral Filmes (Flixlândia) (1)
Críticas

Crítica | ‘Caso 137’: todos os erros são passíveis de punição?

Olá, caro leitor. Bem-vindo! Em “Caso 137”, esqueça a Paris glamorosa de...

Rio de Sangue crítica do filme brasileiro 2026 - Flixlândia
Críticas

Crítica | ‘Rio de Sangue’: o poder de quem salva é o mesmo de quem mata?

Olá, caro(a) leitor(a)! Bem-vindo(a)! Vamos conversar sobre “Rio de Sangue” (2026), mais...