Sirât é um drama surpreendente dirigido pelo cineasta franco-espanhol Óliver Laxe (O Que Arde). O longa foi um dos grandes destaques do circuito de festivais em 2025, consolidando Laxe como uma das figuras mais potentes do cinema contemporâneo.
Com produção da prestigiada El Deseo, dos irmãos Almodóvar, a obra arrebatou o Prêmio do Júri no Festival de Cannes e reafirmou sua força internacional ao abrir a 49ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.
Através de uma estética minimalista e hipnótica, o filme utiliza a cinematografia sensorial de Mauro Herce e a trilha eletrônica pulsante de Kangding Ray para construir uma atmosfera que transita entre o realismo bruto e o misticismo escatológico, posicionando Laxe como um realizador indispensável na atualidade.
Sinopse
Luis (Sergi López) e seu filho pequeno, Esteban (Bruno Núñez Arjona), chegam a uma rave isolada nas montanhas do sul de Marrocos. Eles buscam por Mar, filha e irmã, que desapareceu meses antes em um evento semelhante. Cercados por uma maré humana em transe e uma sensação crua de liberdade, os dois distribuem fotos da jovem em uma busca que parece cada vez mais vã.
Quando a esperança começa a se apagar, decidem seguir um grupo de frequentadores rumo a uma última festa em pleno deserto, uma jornada que os levará a confrontar seus próprios limites físicos e espirituais em uma paisagem tão bela quanto implacável.
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Crítica do filme Sirât
Com o prestígio de quem já conquistou Cannes, Óliver Laxe retorna sob o selo da El Deseo para entregar o que muitos críticos apontam como um dos favoritos às premiações de 2026. O filme chega ao circuito em um momento de tensão global latente, capturando o espírito de um mundo que parece flertar com um conflito de proporções mundiais.
Há uma aura de desolação que permeia cada frame, como se a busca de Luis e Esteban não fosse apenas por uma pessoa, mas por um resquício de humanidade em um planeta que se desfaz em poeira e niilismo.

O deserto como personagem
A cinematografia de Mauro Herce transforma o Marrocos em um cenário de beleza aterrorizante, onde a vastidão da areia funciona como uma metáfora visual para uma viagem de ácido que deu errado.
A luz estourada do sol e as cores saturadas das festas criam uma distorção sensorial que coloca o espectador em um estado de alucinação constante. É uma experiência transformadora que exige do público não apenas o olhar, mas uma entrega física à exaustão dos protagonistas, tornando a travessia um rito de passagem tão doloroso quanto fascinante.
A busca por Mar
Diferente dos clichês de sequestro, o roteiro minimalista sugere uma dor muito mais profunda: a aceitação da vontade alheia. Fica implícito que a filha não foi levada, ela simplesmente partiu, escolhendo o fascínio das raves e a imensidão das dunas em vez de uma estrutura familiar sufocante.
Essa revelação despe a jornada de Luis de qualquer heroísmo, transformando o pai em um homem que luta não contra um vilão, mas contra o direito da própria filha de desaparecer. É essa busca que o faz atravessar a ponte metafórica chamada de Sirât, o caminho estreito que, segundo a tradição, cada alma deve cruzar no dia do julgamento.
Raver x Natureza
O auge dessa colisão entre o humano e o ancestral ocorre nas sequências de festa, onde o techno de Kangding Ray serve como o pulsar de uma geração desesperada. No entanto, o filme reserva para o seu ato final uma reviravolta cruel que subverte qualquer expectativa de catarse.
É um soco no estômago que redefine o título da obra: a “ponte” para o paraíso se revela mais estreita e perigosa do que Luis poderia suportar, deixando o público em um silêncio atônito.
Conclusão
Sirât não é um filme feito para o entretenimento passivo, é uma obra que exige resistência. Óliver Laxe entrega sua peça mais ambiciosa ao converter o deserto marroquino em um purgatório moderno. A atuação de Sergi López, vivendo um pai que precisa processar o abandono voluntário da filha, é de uma humanidade devastadora.
Diante de um cenário global que respira um ar de finitude, o longa se estabelece como uma experiência capaz de incomodar e deslumbrar na mesma medida.
Entre telas e sapatos
Ainda em tempo, vale mencionar a polêmica envolvendo o Brasil. Durante a promoção para o Oscar 2026, Laxe disparou uma ironia que inflamou o patriotismo digital brasileiro ao sugerir que o público local era tão fervoroso que votaria em qualquer coisa indicada pelo país, “até em um calçado”.
O comentário gerou o onipresente meme: “bom filme, mas inferior aos sapatos brasileiros”. Vale lembrar que Sirât é um dos concorrentes diretos do brasileiro O Agente Secreto.
Onde assistir ao filme Sirât?
O filme estreia estreia no dia 26 de fevereiro de 2026, exclusivamente nos cinemas brasileiros.
Trailer de Sirât (2026)
Elenco do filme Sirât
- Sergi López
- Bruno Núñez Arjona
- Stefania Gadda
- Joshua Liam Herderson
- Richard ‘Bigui’ Bellamy
- Tonin Janvier
- Jade Oukid
- Ahmed Abbou


















