Se tem uma coisa que os países escandinavos sabem fazer com maestria, é o tal do Nordic Noir. Aquele clima gélido, paisagens desoladoras e detetives que carregam mais traumas que munição no coldre. A Netflix começa 2026, neste dia 2 de janeiro, apostando exatamente nisso com Terra de Pecados (título original: Synden).
Muitos vão correr para comparar a série com sucessos americanos como Mare of Easttown ou True Detective, mas a definição mais precisa seria chamar essa produção sueca de uma “Ozark escandinava”. Só que, acredite se quiser, ainda mais sombria e triste. Com apenas cinco episódios de cerca de 45 minutos, é uma maratona rápida, mas que pesa uma tonelada.
Sinopse
A trama nos leva à península de Bjäre, no sul da Suécia. O que antes era uma região agrícola próspera, onde famílias viviam da terra há gerações, agora é um cenário de decadência. Os jovens não querem saber de fazendas e o vácuo econômico abriu as portas para gangues que usam a área rural como esconderijo e centro de produção de drogas.
É nesse cenário que o corpo do adolescente Silas é encontrado em uma fazenda, com sinais de afogamento e agressão. Para investigar o caso, temos uma dupla improvável: Dani (Krista Kosonen), uma detetive experiente, antissocial e com uma bagagem emocional pesadíssima, e Malik (Mohammed Nour Oklah), um policial recém-formado e cheio de boa vontade.
As coisas complicam quando descobrimos que Dani tem uma conexão pessoal com a vítima e, pior, precisa lidar com Elis (Peter Gantman), o patriarca da família de Silas. Elis dá um ultimato: ou a polícia resolve o caso rápido, ou ele vai aplicar a “justiça da família” com as próprias mãos.
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Resenha crítica da série Terra de Pecados
Uma jornada pela psicologia do trauma
O que separa Terra de Pecados da vala comum das séries policiais é a direção e roteiro de Peter Grönlund (Beartown). Ele não está interessado apenas em “quem matou”, mas em dissecar uma comunidade à beira do abismo.
Dani: A depressão personificada
É impossível falar desta série sem exaltar Krista Kosonen. A atriz finlandesa entrega uma performance visceral como Dani. Esqueça a policial durona padrão; Dani é descrita como “a detetive perpetuamente irritada, estranha, mas altamente inteligente”. Ela é a personificação da depressão.
A caracterização remete muito à icônica Sarah Lund (The Killing): rabo de cavalo baixo, sem maquiagem, roupas andróginas e um rosto que parece carregar o peso do mundo. Dani mal sorri — no máximo, solta um meio sorriso de escárnio quando homens tentam intimidá-la.
É uma atuação de microexpressões, onde a angústia e a solidão estão gravadas em cada movimento. O conflito dela não é só com o assassino, mas com a culpa pelo destino de Silas e o afastamento de seu próprio filho, Oliver, que luta contra o vício.

Dinâmica de dupla e inversão de papéis
Um ponto alto da crítica social da série é a dinâmica entre Dani e Malik. Temos aqui uma inversão interessante dos clichês de gênero: Dani assume o papel do “homem amargurado e sênior”, enquanto Malik, o homem, ocupa o espaço do “parceiro novato, capaz e organizado”, que muitas vezes é reservado às mulheres nessas produções.
Malik não é um bobo; ele sabe o que faz, mas Dani o ignora na maior parte do tempo. Embora essa dinâmica funcione bem para destacar a personalidade difícil de Dani, ela gera um dos poucos pontos fracos da série: o desenvolvimento de Malik. Enquanto entendemos profundamente as motivações e traumas de Dani e até dos vilões rurais, Malik acaba recebendo menos atenção do roteiro do que merecia, especialmente sendo o principal personagem de cor na trama.
O “Ozark” do gelo
A comparação com Ozark não é gratuita. Estamos lidando com famílias rurais, drogas, lealdades ferozes e violência geracional. Mas Terra de Pecados tira o glamour (se é que havia algum) e deixa apenas a sobrevivência crua.
O cenário é quase um personagem: casas abarrotadas e desgastadas, dias curtos com pouca luz solar e uma sensação constante de que não há saída. Não existem vilões ou heróis claros aqui. Até os personagens moralmente questionáveis demonstram ternura e lealdade distorcida. É uma história sobre pessoas encurraladas, tentando sobreviver a dívidas, vergonha e legados malditos.
Conclusão
Land of Sin é uma experiência densa. Se você busca algo leve para curar a ressaca de Ano Novo, passe longe. Mas se você aprecia narrativas que exploram a psicologia humana, o luto e as complexidades de comunidades esquecidas, esta é uma pedida certa.
Apesar da atmosfera desoladora, a série surpreende ao entregar um final agridoce, talvez até mais esperançoso do que o tom geral sugeriria, fechando os arcos e respondendo a todas as perguntas. Com uma produção visual impecável e uma atuação monstruosa de Krista Kosonen, a série prova que o Nordic Noir ainda tem muito fôlego. É crua, honesta e, acima de tudo, humana.
Onde assistir à série Terra de Pecados?
Trailer de Terra de Pecados (2026)
Elenco de Terra de Pecados, da Netflix
- Krista Kosonen
- Mohamed Nour Oklah
- Peter Gantman
- Ceasar Matijasevic
- Alexander Persson
- Lisa Lindgren
- William Jannert
- Harry Westerlund
- Wilmer Rosén
















