Quem acompanha Virgin River sabe que a série da Netflix é aquele conforto garantido na rotina, sempre entregando paisagens lindas, um clima acolhedor de cidade pequena e personagens que a gente adora torcer a favor.
Mas se você achou que a sétima temporada, lançada agora em março de 2026 com 10 episódios, seria só paz e tranquilidade para os recém-casados Mel e Jack, achou bem errado. A nova leva de episódios entrega uma verdadeira montanha-russa emocional, misturando dramas profundos e extremamente reais com algumas escolhas de roteiro que deixam a desejar.
Sinopse
A história engata logo após o casamento de Mel e Jack, que agora lutam para adotar o bebê de Marley, uma jovem paciente da clínica. Enquanto o casal enfrenta os medos e desafios desse processo de adoção, a cidade vira de cabeça para baixo quando o corpo do traficante Calvin é encontrado na casa de Charmaine, que desaparece com seus gêmeos misteriosamente.
Paralelo a isso, a temporada acompanha Lizzie e Denny enfrentando as duras realidades de serem pais de primeira viagem com a chegada da bebê Koko, Doc tomando decisões polêmicas sobre o futuro da saúde na cidade (o que abala seu casamento com Hope), e o triângulo amoroso de Brie, Mike e Brady chegando a um desfecho que, infelizmente, termina em uma tragédia.
Crítica da temporada 7 de Virgin River
O ponto alto: a paternidade e a vida real
O que realmente salva a temporada e traz o melhor de Virgin River para a tela são os arcos envolvendo a paternidade. A jornada de adoção de Mel e Jack é intensa e foge completamente do clássico “conto de fadas”. A série acerta em cheio ao mostrar as idas e vindas de Marley (que até cogita voltar com o ex, Eamon) e o baque devastador que é descobrir que o bebê tem uma cardiopatia congênita grave. É de partir o coração ver Mel processando esse diagnóstico, equilibrando o lado racional de enfermeira com a emoção de uma futura mãe.
Outra grata surpresa é o arco de Lizzie. Ela e Denny sempre dividiram a opinião dos fãs, mas a forma como a série abordou a ansiedade pós-parto de Lizzie foi de uma sensibilidade rara na TV. A atuação de Sarah Dugdale foi elogiadíssima e trouxe muita empatia para o casal, mostrando Denny como um grande apoio. Ah, e não dá para esquecer a trama do câncer de Muriel; Hollywood adora transformar doença em um drama apelativo, mas aqui a história foi tratada com enorme compaixão, sustentada por uma ótima performance.

Mistérios e clichês: aquele roteiro “jogado na parede”
Por outro lado, cá entre nós, parece que os roteiristas resolveram jogar um monte de ideias na parede para ver o que colava no resto da temporada. O mistério do assassinato de Calvin tinha tudo para render, mas a resolução foi meio sem sal e escrita de forma branda. Descobrimos que o culpado foi Grant, o dono do salão obcecado por Charmaine, que matou o traficante após ele ameaçar levar os bebês e acabou mantendo a própria Charmaine sequestrada. Toda essa pegada de suspense acabou ficando com cara de trama inacabada e difícil de se importar.
Outra coisa que irritou bastante foi o drama forçado entre Doc e Hope. Doc decide, de forma muito coerente, fazer uma parceria com o hospital Grace Valley porque a cidade precisa de equipamentos melhores – algo vital até para o diagnóstico do bebê da Mel. A reação de Hope? Ela surta, expulsa o marido de casa e vai chorar nos braços do ex, Rollins. Inserir um triângulo amoroso a essa altura do campeonato para um casal veterano e tão amado soou como um truque muito barato para gerar conflito.
Despedidas, retornos e aquele acidente chocante
Para bagunçar ainda mais a cabeça do público, tivemos a resolução claudicante do triângulo Brie, Mike e Brady. Depois de um pedido de casamento que soou mais como uma exigência de Mike, Brie percebe que seu coração ainda é de Brady e eles finalmente se acertam. O problema é que, no melhor estilo Virgin River de punir os personagens quando eles estão felizes, Brady sofre um acidente brutal de moto nos minutos finais, tentando desviar de um caminhão, e ficamos sem saber se ele sobrevive ou não.
Para apimentar o futuro, a cirurgia urgente do bebê recém-nascido de Mel no final da temporada fica nas mãos de Eli, um cirurgião pediátrico em Los Angeles que, adivinha, é ex-namorado dela, prometendo chacoalhar a dinâmica do casal na próxima temporada. Ao menos tivemos decisões maduras também: Preacher encerrou sua sociedade com Jack de forma amigável para focar no sonho de abrir seu próprio restaurante, o que dá um frescor para o personagem.
Conclusão
Resumindo a ópera, a sétima temporada de Virgin River peca um pouco pela quantidade excessiva de tramas e por resoluções preguiçosas em seus mistérios, mas acerta o alvo em cheio quando volta o foco para as relações humanas, a saúde mental e os desafios imprevisíveis da vida real. É nesses momentos que o verdadeiro coração da série bate forte.
Com um salto temporal de quatro meses já confirmado pelo criador para o oitavo ano, a expectativa fica lá no alto: será que Brady saiu vivo dessa? Como Mel e Jack vão lidar com o retorno de Eli? E o principal, como vai ficar a saúde do bebê? Agora é segurar a ansiedade e esperar.
Elenco da temporada 7 de Virgin River
- Alexandra Breckenridge
- Martin Henderson
- Tim Matheson
- Annette O’Toole
- Colin Lawrence
- Benjamin Hollingsworth
- Zibby Allen
- Sarah Dugdale
- Marco Grazzini
- Kai Bradbury
















