Quando a Netflix anunciou o thriller psicológico indiano A Acusada (2026), dirigido por Anubhuti Kashyap, as expectativas foram lá em cima. Afinal, o filme trazia uma premissa ousada e super atual: inverter os papéis de gênero em uma história sobre assédio no ambiente de trabalho, colocando uma mulher queer em posição de poder no centro de um escândalo.
Contando com duas atrizes incríveis, Konkona Sen Sharma e Pratibha Ranta, o longa tinha a faca e o queijo na mão para entregar um drama tenso sobre misoginia médica, ambição e dinâmicas de relacionamento. Mas será que a execução fez jus à ideia? Infelizmente, o consenso é que o filme prometeu tudo e entregou um suspense morno que testa a paciência do espectador.
Sinopse
A história nos leva a Londres, onde acompanhamos a Dra. Geetika Sen (Konkona Sen Sharma), uma renomada e arrogante cirurgiã e ginecologista que está prestes a ser promovida a reitora do hospital. Ela vive um relacionamento aparentemente estável com sua esposa mais jovem, a pediatra Dra. Meera (Pratibha Ranta), e as duas estão no meio de um processo de adoção.
A vida perfeita de Geetika desmorona quando o RH do hospital recebe e-mails anônimos a acusando de má conduta e assédio sexual contra pacientes e ex-funcionárias. Enquanto o hospital conduz uma investigação, Geetika é suspensa e perde a vaga de reitora para um colega, o Dr. Logan. A crise transborda para o seu casamento, e Meera, consumida pela dúvida ao ver a esposa mentir, contrata um detetive particular para descobrir a verdade.
No final das contas, descobre-se que tudo não passou de uma armação do Dr. Logan para roubar o cargo de Geetika. No entanto, o filme dá uma guinada: embora inocente das acusações de assédio sexual, Geetika confessa que realmente abusou de seu poder, sendo tóxica, dura demais com seus subordinados e até sabotando carreiras, o que a leva a recusar o cargo de reitora e pedir perdão à esposa.
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Crítica do filme A Acusada
Uma premissa corajosa, mas “sem noção”
A ideia de explorar como a sociedade julga mulheres em posições de poder e de discutir a misoginia no campo médico é excelente. O grande problema de A Acusada é como ele lida com a temática pós-#MeToo. O roteiro tenta subverter o gênero, mas acaba soando insensível (ou “sem noção”) ao criar uma narrativa onde os acusadores são falsos ou têm segundas intenções.
Em uma época em que se luta tanto para dar voz às vítimas, focar em uma trama de assassinato de reputação onde todo mundo é suspeito de querer derrubar a protagonista acaba tirando o peso do debate real.

Atuações e a falta de química
Konkona Sen Sharma é uma atriz fenomenal, e aqui ela tenta trazer uma energia bem “Lydia Tár”, focando na postura autoritária e na arrogância de uma mulher que teve que endurecer para sobreviver em um meio dominado por homens. Enquanto alguns acham sua atuação contida e no ponto, a verdade é que o roteiro a achata tanto que ela acaba parecendo apenas rígida e irritante, dificultando qualquer conexão emocional com o público.
Do outro lado, Pratibha Ranta traz uma vulnerabilidade e um frescor necessários como a esposa cheia de dúvidas, mas sua personagem é muito mal desenvolvida profissionalmente. E o pior de tudo: a química entre as duas como casal praticamente não existe, fazendo com que o drama matrimonial pareça acidental e sem paixão.
Problemas técnicos e sotaques bizarros
Para um filme com uma grande produtora por trás (Dharmatic Entertainment) e lançado globalmente pela Netflix, o nível técnico de A Acusada é quase amador. A escolha de ambientar o filme em Londres parece servir apenas para facilitar a existência do casal lésbico sem julgamentos sociais pesados, mas a execução disso é um desastre.
O elenco de apoio britânico é fraco e, bizarramente, os atores brancos parecem ter sido dublados por indianos com sotaques forçados e péssimos. Isso quebra totalmente a imersão e dá ao filme uma cara de produção barata.
O final: muito sermão e pouca emoção
Thrillers psicológicos precisam de um clímax que deixe a gente sem fôlego, mas o final de A Acusada é abrupto e não tem impacto emocional nenhum. Quando o mistério é resolvido e descobrimos a armação, o filme recorre à famosa “Netflixficação” da trama: em vez de nos mostrar as nuances, ele prefere mastigar tudo em um longo e preguiçoso monólogo final.
Geetika simplesmente dá uma palestra para o espectador sobre como as mulheres são punidas por serem ambiciosas, o que soa muito mais como uma lição de moral forçada do que uma conclusão natural da história.
Conclusão
No fim das contas, A Acusada é um filme que sofre de uma crise de identidade: não sabe se quer ser um drama de relacionamento, um suspense investigativo ou uma crítica política sobre o ambiente de trabalho. Apesar de trazer temas cruciais e necessários, como dinâmicas queer e machismo institucional, a direção frouxa, os diálogos engessados e a produção desleixada sabotam o que poderia ter sido um grande filme.
Se você gosta de ver atrizes talentosas tentando salvar um roteiro confuso, talvez valha a pena dar o play. Caso contrário, é um suspense que promete muito, mas que acaba sendo apenas culpado por desperdiçar o próprio potencial.
Onde assistir online ao filme A Acusada?
Trailer de A Acusada (2026)
Elenco de A Acusada, da Netflix
- Konkona Sensharma
- Pratibha Rannta
- Mashhoor Amrohi
- Aditya Nanda
- Sukant Goel
- Monica Mahendru
- Kallirroi Tziafeta
- Christopher Jones
- Keshav Bhardwaj
- Barbara Blum

















