A Empregada 2026 resenha crítica do filme Flixlândia (2)

[CRÍTICA] A casa perfeita e o monstro invisível: a adaptação de ‘A Empregada’ (com spoilers)

Foto: Paris Filmes / Divulgação
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A adaptação cinematográfica de “A Empregada” chega aos cinemas em 2025 com a difícil tarefa de traduzir um thriller psicológico marcado por manipulação, falsa percepção e reviravoltas morais. O livro conquistou leitores justamente por sua capacidade de enganar, conduzindo a narrativa por caminhos que só se revelam plenamente no final. O filme opta por manter grande parte da estrutura da história, mas simplifica sua abordagem.

Dirigido com foco no suspense acessível, o longa A Empregada aposta em uma narrativa direta, menos profunda psicologicamente, mas fiel aos acontecimentos centrais do romance. Essa escolha resulta em uma adaptação bastante semelhante ao livro em termos de enredo, porém menos inquietante, substituindo a complexidade psicológica por uma leitura mais clara e linear.

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Sinopse

A trama acompanha Millie, interpretada por Sydney Sweeney, uma jovem que aceita trabalhar como empregada doméstica na casa de um jovem casal aparentemente perfeito. No início, o ambiente parece apenas levemente desconfortável, marcado por pequenas tensões e situações constrangedoras.

Nina, vivida por Amanda Seyfried, começa a demonstrar comportamentos instáveis, sendo apresentada como bipolar, imprevisível e emocionalmente agressiva. Andrew, interpretado por Brandon Sklenar, surge como o marido paciente e compreensivo, criando uma dinâmica que confunde tanto Millie quanto o espectador.

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Resenha crítica do filme A Empregada

A falsa vilã e o jogo de aparências

O primeiro ato do filme constrói Nina como a grande antagonista da narrativa. Seus surtos, humilhações e injustiças contra Millie criam uma atmosfera de medo e instabilidade, colocando a empregada em constante estado de alerta. Essa construção funciona bem para enganar o público, ainda que de forma mais explícita do que no livro.

Ao mesmo tempo, Andrew é retratado como um homem dócil e exausto, alguém que tenta manter a família unida apesar do comportamento da esposa. Essa oposição entre a “esposa louca” e o “marido paciente” é essencial para o impacto da virada narrativa, embora o filme já deixe pistas visuais que diminuem o choque da revelação.

➡️ [CRÍTICA] ‘A Empregada’ (Sem spoilers)

A Empregada trailer do filme 2025
Foto: Paris Filmes / Divulgação

Desejo, culpa e a quebra do limite moral

O envolvimento emocional e sexual entre Millie e Andrew surge como um ponto de ruptura da história. A viagem para a cidade, a ida ao teatro e a noite no hotel funcionam como o momento em que a narrativa abandona qualquer neutralidade moral, colocando Millie em uma posição ambígua.

Diferente do livro, onde esse envolvimento é mais carregado de culpa e cálculo, o filme trata a relação de forma quase romântica, suavizando o peso das escolhas dos personagens. Essa abordagem torna a história mais palatável, mas enfraquece o desconforto psicológico que deveria acompanhar essas decisões.

Quando o monstro se revela

A partir do momento em que Millie passa a viver na casa com Andrew, o filme finalmente expõe sua verdadeira face. O confinamento no quartinho de empregada e a violência psicológica escancaram que o verdadeiro monstro sempre foi ele, invertendo completamente a percepção inicial do espectador.

Esse trecho é um dos mais eficazes do filme, pois rompe definitivamente com a ilusão construída no início. Ainda assim, a narrativa opta por explicar mais do que sugerir, reduzindo a ambiguidade e tornando o horror mais explícito do que psicológico.

No filme, Millie consegue fugir do confinamento e prende Andrew no quartinho de empregada, passando a torturá-lo psicologicamente e fisicamente, o fazendo arrancar o dente da frente. Nina retorna em um momento de lucidez, acredita que Millie esteja presa e acaba soltando Andrew, o que gera uma briga final.

As duas conseguem derrubá-lo do andar superior da casa, simulando um acidente enquanto ele trocava uma lâmpada. A policial, que conhece o histórico abusivo de Andrew, facilita a situação para Nina, enquanto Millie parte para um novo emprego — ironicamente, em outra casa marcada por abuso.

No livro, o desfecho é mais sombrio. O personagem Enzo, praticamente irrelevante no filme, tem papel central: ele ajuda Nina por ter vivido uma história semelhante com a própria irmã e também auxilia Millie quando percebe que ela se tornou a nova vítima. Andrew morre trancado no quartinho de empregada após perder muito sangue, depois de Millie ter feito ele arrancar mais dentes, o delegado acoberta o crime em favor de Millie. Além disso, a filha Cecília é muito mais presente e insuportável no livro, enquanto no filme sua participação é reduzida e suavizada.

Conclusão

A Empregada funciona como um suspense sólido e fiel ao livro em termos de acontecimentos, mas menos profundo em sua execução. A narrativa simples facilita o entendimento da história, porém sacrifica camadas psicológicas importantes, especialmente na construção da protagonista.

Como adaptação, o filme cumpre seu papel ao traduzir o enredo para o cinema, mas evita riscos. O resultado é uma obra correta, envolvente, porém menos perturbadora do que o material original — uma escolha que agrada ao grande público, mas pode frustrar leitores mais atentos à complexidade do livro.

Onde assistir ao filme A Empregada

O filme estreia no dia 1º de janeiro de 2026 exclusivamente nos cinemas brasileiros.

Trailer de A Empregada (2026)

YouTube player

Elenco do filme A Empregada

  • Sydney Sweeney
  • Amanda Seyfried
  • Brandon Sklenar
  • Elizabeth Perkins
  • Michele Morrone
  • Megan Ferguson
  • Indiana Elle
  • Hannah Cruz
Escrito por
Juliana Cunha

Editora na ESPN Brasil e fã de cultura pop, Juliana se classifica como uma nerd saudosa dos grandes feitos da Marvel.

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