Esta Sou Eu crítica do filme japonês da Netflix 2026 - Flixlândia

Do silêncio ao paetê: por que ‘Esta Sou Eu’ é o soco no estômago que a gente precisava

Foto: Netflix / Divulgação
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Sabe aquele tipo de filme que você dá o play sem muita pretensão, esperando mais uma daquelas biografias dramáticas padrão, e acaba terminando a sessão precisando de um minuto de silêncio para processar tudo? Pois é, “Esta Sou Eu” (This Is I), que chegou recentemente ao catálogo da Netflix, é exatamente essa experiência.

Dirigido por Yusaku Matsumoto, o longa mergulha na vida real da celebridade japonesa Ai Haruna. Mas, calma, não espere aquele dramalhão feito só para arrancar lágrimas fáceis ou explorar o sofrimento de forma sensacionalista. O que temos aqui é um retrato sincero — e visualmente lindo — sobre o que significa brigar pelo direito de existir num Japão conservador, equilibrando a dor da rejeição com a euforia do palco.

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Sinopse

A trama nos apresenta a Kenji Onishi, um jovem que carrega nas costas o peso de um bullying cruel e o isolamento de quem não se encaixa nas expectativas de “masculinidade” da sociedade e da própria família. A virada de chave acontece quando ele descobre o mundo dos cabarés e a possibilidade de se expressar através da música e da performance, sob a tutela de uma mentora trans, a Aki.

No entanto, o coração da história pulsa no encontro entre o protagonista e o Dr. Koji Wada (interpretado por Takumi Saito), um cirurgião plástico que se torna pioneiro em cirurgias de afirmação de gênero. O filme acompanha a transformação de Kenji em Ai Haruna, desde as primeiras pílulas hormonais tomadas escondidas até a consagração no concurso Miss International Queen, passando por relacionamentos amorosos complicados e as batalhas legais e emocionais enfrentadas pelo médico que decidiu ajudá-la.

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Crítica do filme Esta Sou Eu

O filme acerta em cheio ao fugir da “pornografia de trauma”. Claro, as cenas de bullying estão lá e são descritas como mundanas e exaustivas, mas o foco real é a dignidade e a “alegria queer” encontrada na autoaceitação. Para dissecar melhor essa obra, vamos por partes:

Haruki Mochizuki: Uma força da natureza

Não dá para falar desse filme sem exaltar o trabalho de Haruki Mochizuki. A atuação dele é descrita como “transcendental” por um motivo. Ele não cai na armadilha de fazer uma caricatura ou uma imitação barata.

Pelo contrário, a transição de Kenji para Ai é construída nos detalhes: na mudança de postura, no jeito de segurar os ombros, na hesitação que vira confiança. É uma performance que entende que identidade é algo que se vive no dia a dia, não apenas em grandes discursos.

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Foto: Netflix / Divulgação

A química (não romântica) que sustenta a trama

Um dos pontos mais altos do roteiro é a relação entre Ai e o Dr. Wada. O filme foge do óbvio ao não criar um romance tradicional entre eles. É uma conexão de almas, uma parceria entre médico e paciente onde ambos são falhos e humanos.

O Dr. Wada não é pintado como um salvador perfeito; ele tem suas dúvidas, seus medos legais e sua própria tragédia pessoal. Essa dinâmica serve como a espinha dorsal emocional do filme, mostrando que ninguém vence o sistema sozinho.

A direção de arte e a fotografia também merecem palmas. O filme usa as cores de forma muito inteligente para contar a história: tons frios e lavados dominam os momentos de solidão e isolamento de Kenji, enquanto o mundo de Ai nos palcos explode em cores vibrantes e quentes. É uma metáfora visual simples, mas super eficaz, para mostrar como a protagonista floresce quando finalmente pode ser quem é.

Nem tudo são flores…

Apesar de tantos acertos, “Esta Sou Eu” tem seus escorregões. Em alguns momentos, parece que o filme não confia na inteligência do público e decide “explicar” demais o que a gente já está sentindo, com diálogos que soam meio palestrinha.

Além disso, o ritmo pode incomodar quem espera algo mais ágil; a primeira metade é bem introspectiva e lenta, o que contrasta de forma às vezes abrupta com a energia das sequências musicais do cabaré. Outro ponto é que algumas resoluções de conflitos institucionais parecem “fáceis” demais para a realidade dura que o filme propõe.

Conclusão

“Esta Sou Eu” pode não ser um filme perfeito — ele oscila entre o cinema de arte contido e o melodrama biográfico —, mas é uma obra necessária e feita com muito coração. Ao final, quando vemos as imagens reais de Ai Haruna e descobrimos o destino do verdadeiro Dr. Wada (que realizou mais de 600 cirurgias antes de sua morte trágica), é impossível não sentir um nó na garganta.

É um filme sobre cair e levantar, sobre a importância de redes de apoio e, acima de tudo, sobre a coragem de brilhar. Se você procura uma história que humaniza estatísticas e celebra a identidade com respeito e música, vale muito a pena dar o play.

Onde assistir ao filme Esta Sou Eu?

Trailer de Esta Sou Eu (2026)

YouTube player

Elenco de Esta Sou Eu, da Netflix

  • Haruki Mochizuki
  • Tae Kimura
  • Seiji Chihara
  • Ataru Nakamura
  • Kaito Yoshimura
  • Megumi
  • Shido Nakamura
  • Takumi Saitoh
Escrito por
Taynna Gripp

Formada em Letras e pós-graduada em Roteiro, tem na paixão pela escrita sua essência e trabalha isso falando sobre Literatura, Cinema e Esportes. Atual CEO do Flixlândia e redatora do site Ultraverso.

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