A Garota Canhota resenha crítica do filme Netflix 2025 Flixlândia

[CRÍTICA] ‘A Garota Canhota’ é um filme feito com, acima de tudo, coração

Foto: Netflix / Divulgação
Compartilhe

É uma delícia ver uma parceria criativa de longa data florescer em novos caminhos. Desta vez, a colaboradora de longa data de Sean Baker, Shih-Ching Tsou, assume a cadeira de diretora solo em “A Garota Canhota”, um filme doce, vibrante e cheio de energia.

Tsou, que já produziu clássicos indies de Baker como Tangerina, Projeto Flórida e Red Rocket, faz sua estreia solo de maneira inventiva, voltando a muitas das técnicas e ideias que definiram os primeiros trabalhos da dupla. Baker ainda está presente, coescrevendo o roteiro e editando, mas a lente aqui é inegavelmente de Tsou, oferecendo um olhar profundamente taiwanês sobre a vida nas margens, no meio da efervescência de Taipei.

Filmado com um iPhone, assim como Tangerina, o filme tem uma autenticidade e um “coração” que te colocam bem no centro da ação, fazendo você sentir o cheiro e o ritmo acelerado da metrópole.

➡️ Frete grátis e rápido na AMAZON! Confira o festival de ofertas e promoções com até 80% OFF para tudo o que você precisa: TVs, celulares, livros, roupas, calçados e muito mais! Economize já com descontos imperdíveis!

Sinopse

A história de “A Garota Canhota” gira em torno de três gerações de mulheres que acabaram de retornar à agitação de Taipei, depois de um período no campo, em busca de um recomeço. A matriarca, Chu-Fen (Janel Tsai), determinada, porém sobrecarregada, tenta abrir uma barraca de macarrão no caótico e colorido mercado noturno.

Ela se depara com a pressão constante do aluguel e com as dívidas do ex-marido doente. Sua filha mais velha, I-Ann (a incrível Shih-Yuan Ma), uma “desistente universitária” rebelde e de língua afiada, tenta ajudar financeiramente trabalhando em uma barraca de nozes de betel, enquanto lida com suas próprias frustrações e o sentimento de ficar para trás.

No centro da trama está a caçula, a precoce I-Jing (Nina Ye), de apenas nove anos, que já é uma veterana estrela mirim e tem uma presença de tela surpreendente. A garotinha, que é canhota, recebe um “choque de realidade” de seu avô tradicional e supersticioso (Akio Chen), que a adverte de que usar a mão esquerda é obra do diabo na cultura taiwanesa.

Com isso, I-Jing começa a ver o mundo através da perspectiva dessa “mão amaldiçoada”, o que a leva a bicos criativos e, por fim, a pequenos furtos, tudo para tentar ajudar sua família em apuros financeiros.

➡️ Quer saber mais sobre filmesséries e streamings? Então acompanhe o trabalho do Flixlândia nas redes sociais pelo INSTAGRAMXTIKTOKYOUTUBEWHATSAPP, e GOOGLE NOTÍCIAS, e não perca nenhuma informação sobre o melhor do mundo do audiovisual.

Resenha crítica do filme A Garota Canhota

🎨 O estilo visual e a energia de Taipei

Se você sente falta da energia frenética e do estilo “mosca na sopa” de filmes como Tangerina, vai adorar a estética de “A Garota Canhota”. O uso do iPhone, nas mãos dos diretores de fotografia Ko-Chin Chen e Tzu-Hao Kao, não é um truque, mas uma forma de capturar a experiência sensorial e o ritmo alucinante de Taipei.

Você se sente imerso no mercado noturno, em meio aos neons de verde e rosa, com a câmera baixa que nos coloca no nível de I-Jing, transformando o labirinto de bancas em um lugar de admiração e possibilidade.

Essa gramática visual funciona muito bem para transmitir as diferentes perspectivas. Quando estamos com I-Jing, a cidade é efervescente e cheia de close-ups; quando acompanhamos I-Ann em sua scooter à noite, sentimos a solidão e a liberdade expansiva sob as luzes da cidade. É uma homenagem devocional a um lugar conhecido de coração, e não apenas um cartão-postal.

A Garota Canhota 2025 resenha crítica do filme Netflix Flixlândia
Foto: Netflix / Divulgação

💔 O peso da mão esquerda e as pressões sociais

O filme aborda de maneira íntima e comovente as pressões econômicas e sociais que afetam a vida de todos, mas que são sentidas de forma ainda mais dura pelas mulheres. A analogia da “mão do diabo” de I-Jing – uma superstição ridícula, mas potente – é o núcleo emocional da história. Ela personifica a luta entre o dever e o desejo, o que a sociedade e a família esperam dela e o que seu coração (ou sua mão esquerda) deseja.

Essa dualidade se reflete nas outras personagens: Chu-Fen está presa às dívidas do ex-marido, sentindo-se responsável por um dever que a afunda, enquanto I-Ann se sente relegada a um papel indesejado. Tsou, com a experiência de Baker, canaliza a preocupação com os marginalizados, mas com uma camada extra de nuance que expõe as ideias antiquadas sobre família, “sucesso” e, principalmente, os papéis de gênero.

A frase “Uma filha casada é como água que foi derramada”, dita pela avó, resume o fardo de ser mulher nesta sociedade, onde o peso da dívida e da correria recai sobre elas.

🤩 Atuações e detalhes da sobrevivência

O filme se sustenta na força de suas atuações, especialmente na química entre as três mulheres. Nina Ye (I-Jing) é um achado, com uma pose e presença que lembram Brooklynn Prince em Projeto Flórida. Ela consegue equilibrar a inocência da criança que absorve as realidades financeiras duras com a emoção do “pecado” de evasão de responsabilidade.

Mas a atuação de Shih-Yuan Ma (I-Ann) é particularmente notável, entregando um retrato complexo e orgânico da adolescente volátil e sarcástica que lida com a vergonha e a vulnerabilidade de ter perdido a chance de ir para a universidade por causa das finanças.

Tsou se delicia em observar esses detalhes do cotidiano, mostrando o que é preciso para sobreviver financeiramente e socialmente, criando um retrato familiar que, apesar de falar de agitação na cidade grande, nunca cai no sofrimento puro.

📉 O deslize melodramático no final

O filme tem um ritmo naturalista e intimista bem definido, o que torna o plot twist e o clímax no banquete de aniversário um pouco estranho. Tsou e Baker guardam grandes segredos para o final, e a revelação é explosiva e chocante. No entanto, o tom melodramático dessa cena é desconcertante em comparação com a autenticidade do resto do filme.

O problema não é a revelação em si, que é “suculenta”, mas o momento tardio em que ela é introduzida, deixando pouco tempo para lidar com as consequências. O final parece um pouco frio e abrupto, em conflito com as personagens complexas que construímos ao longo do filme. Essa virada dramática é o único deslize em uma jornada que, de outra forma, é profundamente imersiva.

Conclusão

“A Garota Canhota” é um triunfo para Shih-Ching Tsou, que consegue costurar uma história envolvente e multigeracional sobre sobrevivência, dever e a busca por um lugar no mundo. Embora a estrutura do final tropece em um melodrama desnecessário, o filme brilha em sua autenticidade, no retrato carinhoso da comunidade do mercado noturno de Taipei e na força de suas personagens femininas.

É uma constelação de histórias absorventes que, mesmo deixando algumas pontas soltas, nos lembra que o amanhã sempre chega, e que o ato de perder a face pode, ironicamente, deixar a alma um pouco mais leve. É um filme feito com muita engenhosidade, vigor e, acima de tudo, coração.

Onde assistir ao filme A Garota Canhota?

Trailer de A Garota Canhota (2025)

YouTube player

Elenco de A Garota Canhota, da Netflix

  • Shih-Yuan Ma
  • Janel Tsai
  • Nina Ye
  • Brando Huang
  • Akio Chen
  • Xin-Yan Chao
Escrito por
Juliana Cunha

Editora na ESPN Brasil e fã de cultura pop, Juliana se classifica como uma nerd saudosa dos grandes feitos da Marvel.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Procuram-se colaboradores
Procuram-se colaboradores

Últimas

Artigos relacionados
Pânico 7 Resenha crítica do filme com spoilers 2026 - Flixlândia
Críticas

‘Pânico 7’ celebra 30 anos com mortes brutais, mas roteiro decepciona [com spoilers]

Há exatos 30 anos, o simples toque de um telefone fixo e...

Pânico 7 Resenha crítica do filme 2026 - Flixlândia
Críticas

‘Pânico 7’ não deixa cicatrizes profundas, mas ainda sabe como se manter vivo

Desde sua estreia em 1996, a franquia Pânico construiu um legado raro...

Hierarquia do Crime crítica do filme Netflix 2025 - Flixlândia (1)
Críticas

Mesmo com orçamento mínimo, ‘Hierarquia do Crime’ rende um baita filme de assalto

Imagine a cena: um filme de ação feito de forma independente, com...

O Refúgio crítica do filme do Prime Video 2026 - Flixlândia
Críticas

Sangue, suor e terra firme: como ‘O Refúgio’ reinventa os filmes de pirata

Quando pensamos em filmes de pirata, a primeira imagem que vem à...

Manual Prático da Vingança Lucrativa crítica do filme 2026 - Flixlândia
Críticas

‘Manual Prático da Vingança Lucrativa’ é uma sátira moral entre comicidade e crueldade

Dirigido e roteirizado por John Patton Ford, Manual Prático da Vingança Lucrativa...

A Miss crítica do filme brasileiro 2026
Críticas

‘A Miss’: dramédia brasileira tem altos e baixos, mas sai com saldo positivo

Uma comédia sobre uma mãe engraçada ou um drama sobre uma mãe...

Encontros e Despedidas 2025 crítica do filme da Netflix - Flixlândia
Críticas

‘Encontros e Despedidas’ emociona pela sinceridade

O filme “Encontros e Despedidas”, que você encontra na Netflix, é um...

#SalveRosa crítica do filme brasileiro Netflix 2025 - Flixlândia
Críticas

Muito além do filtro: a dura realidade por trás do suspense #SalveRosa

Vivemos em uma era onde a superexposição infantil nas redes sociais não...