Industry 4 temporada episódio 1 resenha crítica da série HBO Max Flixlândia (1)

[CRÍTICA] 4ª temporada de ‘Industry’ e o ‘reboot’ sombrio que estávamos esperando

Foto: Divulgação / HBO
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Se você achava que Industry terminaria com aquele final agridoce da terceira temporada — com o banco Pierpoint sendo vendido e desmontado —, achou errado. E que bom que a história não parou por ali. A série da HBO, frequentemente chamada de “o drama mais subestimado da TV”, voltou com tudo em sua quarta temporada, provando que existe vida (e muita sujeira) após a saída do escritório.

Esqueça os recém-graduados nervosos tentando garantir uma vaga; o que vemos agora é uma reinvenção ambiciosa, descrita pela crítica como um “reboot notável” que transforma o drama de escritório num thriller de espionagem corporativa global. Se Succession deixou um vazio nas suas noites de domingo, Industry chegou para ocupar esse espaço com juros e correção monetária.

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Sinopse

O episódio de estreia, sugestivamente intitulado “PayPal of Bukkake”, nos joga em um cenário pós-2024 onde os personagens tentam, sem muito sucesso, fugir de seus velhos hábitos. Harper Stern (Myha’la) agora gerencia um fundo na Mostyn Asset Management, mas está insatisfeita, sentindo-se vigiada e limitada por Otto Mostyn, que a trata como uma contratação de diversidade performática. Eric Tao (Ken Leung), por sua vez, está aposentado, rico e jogando golfe, mas visivelmente entediado e infeliz longe da adrenalina do mercado.

O novo foco da trama é a “Tender”, uma fintech de pagamentos liderada pelos amigos Whitney Halberstram (Max Minghella) e Jonah Atterbury (Kal Penn). A empresa quer se legitimar e virar um banco sério, mas tem um “pequeno” problema: boa parte de seu lucro vem de processar pagamentos para sites de conteúdo adulto e jogos de azar.

Enquanto isso, Yasmin (Marisa Abela) lida com um casamento de fachada com Sir Henry Muck (Kit Harington), que está afundado em drogas e depressão. O destino de todos colide quando Harper, buscando retomar o controle de sua carreira, decide arrastar Eric de volta para o jogo.

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Resenha crítica do episódio 1 da temporada 4 de Industry

Um “reboot” que amplia os horizontes (e o perigo)

A decisão dos criadores Mickey Down e Konrad Kay de explodir o cenário original da série (o banco Pierpoint) foi arriscada, mas pagou dividendos. A série deixou de ser sobre conseguir um emprego para ser sobre o que você está disposto a destruir para mantê-lo. O tom mudou: agora flerta com o gênero de thriller financeiro, com direito a jornalistas investigativos estilo Joe Goldberg perseguindo fontes e segredos corporativos que podem derrubar economias.

Essa mudança de ares trouxe uma energia nova. A introdução da Tender e seus executivos adiciona uma camada de sátira ao mundo tech que a série ainda não tinha explorado a fundo. A dinâmica entre o CEO “festeiro” Jonah e o CFO calculista Whitney é fascinante, culminando em uma traição corporativa brutal logo no primeiro episódio que define o tom implacável da temporada.

Industry quando e que horas a temporada 4 na HBO Max Flixlândia
Foto: HBO / Divulgação

A química tóxica que amamos odiar

Por mais que o cenário mude, o coração pulsante (e sangrento) de Industry continua sendo a relação entre Harper e Eric. Ver os dois se reunindo é como assistir a dois viciados tendo uma recaída juntos — é tóxico, é perigoso, mas é impossível desviar o olhar. As atuações de Myha’la e Ken Leung atingiram um novo patamar; eles operam como dois mestres em guerra, descascando as barreiras um do outro em cenas de diálogo afiado que funcionam quase como um exorcismo emocional.

Harper, em particular, está em sua “era vilã” definitiva. A cena em que ela fecha o fundo para resgates enquanto um investidor tem um “mini-AVC” na sua frente (e quebra sua mesa de vidro!) é o puro suco de Industry: cruel, tenso e com um humor negro de doer a barriga.

Sexo, poder e a “nova” masculinidade

A série nunca teve pudor, mas a quarta temporada parece determinada a empurrar os limites ainda mais, usando o sexo não apenas para chocar, mas para estabelecer hierarquias de poder. A comentada cena envolvendo Harper, Whitney e um strap-on inverte a dinâmica tradicional de gênero no mundo das finanças, dando a Harper — literal e metaforicamente — o falo de poder que ela sempre cobiçou.

Além disso, a série aborda sem rodeios o clima político atual. O diálogo de Otto Mostyn sobre como “aquela merda woke não move mais o ponteiro no novo mundo” e chamando Harper de “fantoche em blackface” é um soco no estômago que situa a trama em uma realidade pós-política cínica e brutal. É desconfortável, mas essencial para a crítica que a série faz ao capitalismo moderno.

Nem tudo são flores (ou lucros)

Se há um ponto fraco, é a ausência sentida de Robert Spearing (Harry Lawtey). Para os fãs que acompanharam sua jornada traumática, saber que ele é o único personagem original que ficou de fora dessa nova fase deixa um gosto amargo.

Além disso, a trama de Henry Muck, agora promovido a personagem regular, às vezes soa repetitiva em sua espiral de autodestruição, servindo mais como um acessório para o sofrimento de Yasmin do que como um agente interessante por si só.

Conclusão

No fim das contas, a estreia da temporada 4 de Industry prova que a série não precisa do Pierpoint para ser eletrizante. Com um roteiro que mistura o jargão financeiro incompreensível (mas que soa importante) com dramas humanos profundos e perversos, a produção da HBO atingiu sua maturidade.

É uma temporada que promete ser a mais tensa até hoje, onde o risco não é mais apenas perder um bônus de fim de ano, mas sim a destruição completa da vida pessoal e profissional. Se você gosta de ver pessoas bonitas, bem vestidas e moralmente falidas tomando as piores decisões possíveis, Industry continua sendo o melhor investimento do seu tempo.

Onde assistir à temporada 4 de Industry?

Trailer da 4ª temporada de Industry

YouTube player

Elenco da quarta temporada de Industry

  • Myha’la
  • Marisa Abela
  • Ken Leung
  • Sagar Radia
  • Miriam Petche
  • Edward Holcroft
Escrito por
Taynna Gripp

Formada em Letras e pós-graduada em Roteiro, tem na paixão pela escrita sua essência e trabalha isso falando sobre Literatura, Cinema e Esportes. Atual CEO do Flixlândia e redatora do site Ultraverso.

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