A História do Som chega como um dos projetos mais ambiciosos e meticulosos do cinema contemporâneo. A produção é fruto de uma espera de cinco anos para reunir os talentos de Paul Mescal e Josh O’Connor sob a direção sensível de Oliver Hermanus.
Baseado na obra de Ben Shattuck, que também assina o roteiro, o filme destaca-se pelo rigor histórico ao utilizar equipamentos de gravação originais da década de 1910 e uma trilha sonora capturada ao vivo, preservando a autenticidade acústica da época.
O resultado é uma química genuína entre os intérpretes, que mergulharam em um treinamento intensivo de música folk para entregar uma obra onde o silêncio e a sonoridade artesanal são tão cruciais quanto as atuações memoráveis.
Sinopse
Em 1917, no auge da Primeira Guerra Mundial, dois estudantes de música, Lionel (Paul Mescal) e David (Josh O’Connor), conhecem-se no Conservatório de Boston. Unidos por uma paixão profunda pela música folk, eles partem em uma viagem pelo interior do Maine com o objetivo de registrar, em cilindros de cera, as vozes e canções de seus compatriotas, evitando que se percam no tempo.
Durante essa missão bucólica, o encontro entre ambos floresce em um romance intenso que transformará o curso de suas vidas, conectando memória, amor e a busca pela imortalidade através do som.
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Crítica do filme A História do Som
A química dos protagonistas
O ponto central da trama é a entrega absoluta da dupla central, que estabelece uma dinâmica intensa e emocionante. Paul Mescal (Aftersun) e Josh O’Connor (Rivais) evitam os clichês do melodrama de época e entregam uma construção de intimidade repleta de silêncios e olhares contidos. Mescal, um dos expoentes de sua geração, destaca-se mais uma vez ao revelar uma vulnerabilidade masculina rara.
Os personagens não são apenas amantes, mas confidentes que compartilham o dom artístico, encontrando um no outro um refúgio contra a rigidez de 1917. A conexão entre os dois é tão palpável que transforma o longa em uma narrativa de amor arrebatadora, onde a paixão juvenil se torna uma lembrança sagrada e ecoante.

A sonoridade como peça chave
O som é um dos pilares desta obra, transcendendo a técnica para se tornar o coração da narrativa. Ao utilizar fonógrafos reais, Oliver Hermanus entrega um trabalho poderoso e comedido, permitindo que o espectador sinta a textura do chiado e a fragilidade das gravações originais.
Essa imperfeição sonora funciona como uma metáfora para a própria memória: algo belo por ser granulado e passível de desaparecer. O filme nos recorda a força duradoura do amor, forçando o público a ouvir não apenas as canções folk, mas o peso do que permanece não dito em meio às paisagens do Maine.
Estética e direção de arte
Visualmente, o longa é uma pintura em movimento que captura a transição entre o velho e o novo mundo, definindo-se como um clássico atemporal de beleza dolorosa. A fotografia utiliza uma paleta de cores que alterna entre o azul gélido dos invernos e os tons quentes de âmbar das velas sob as quais o romance se desenvolve.
Essa dualidade visual reforça o isolamento dos personagens: enquanto o mundo exterior mergulha no cinza da guerra, o espaço compartilhado por Lionel e David é banhado por uma luz que sugere esperança.
Reflexões sobre tempo e memória
No cerne da produção existe uma reflexão sobre a ansiedade humana em paralisar o tempo. O esforço de registrar vozes revela que o amor, assim como o som capturado, é uma tentativa de imortalidade: ambos pertencem ao passado no instante em que ocorrem, mas continuam a vibrar no presente de quem se propõe a ouvir.
Ao unir técnica e sentimento, o filme prova que o registro histórico é apenas um eco, pois a verdadeira história reside na emoção irreproduzível de quem viveu o momento.
Conclusão
A História do Som demonstra sua relevância artística após ter sido um dos destaques no Festival de Cannes. Embora seu ritmo lento exija uma contemplação paciente, essa cadência é essencial para construir a profundidade emocional necessária para que cada nota musical ganhe peso.
O filme não tem pressa em revelar suas camadas, permitindo que a melancolia se instale de forma gradual. Ao transformar uma busca íntima por canções esquecidas em um manifesto sobre a persistência da memória, a obra transcende o drama convencional, elevando-se como um épico visual e sonoro.
Onde assistir ao filme A História do Som?
O filme estreia nesta quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026, exclusivamente nos cinemas brasileiros.
Trailer de A História do Som (2026)
Elenco do filme A História do Som
- Paul Mescal
- Josh O’Connor
- Chris Cooper
- Molly Price
- Raphael Sbarge
- Hadley Robinson
- Emma Canning
- Emily Bergl
- Briana Middleton
- Gary Raymond
- Alison Bartlett
- Michael Schantz














