Se você já maratonou os novos episódios que chegaram à Netflix, provavelmente está com o coração na mão. A quarta temporada de A Primeira Vez (La Primera Vez) entregou uma montanha-russa emocional, levando Camilo, Eva e toda a “tribo” para as águas turbulentas da vida adulta nos anos 80. Mas a pergunta que não quer calar nos fóruns e redes sociais é uma só: a história acabou mesmo ou teremos uma 5ª temporada?
Fomos atrás das respostas e compilamos tudo o que já foi confirmado pelos criadores, pelo elenco e pela própria plataforma de streaming.
Vai ter 5ª temporada de A Primeira Vez?
Para ir direto ao ponto: não, a série não terá uma 5ª temporada. A Netflix e a equipe de produção, liderada pelo criador Dago García, confirmaram que a 4ª temporada é o encerramento definitivo da jornada romântica e dramática da turma do colégio José María Root.
Embora o sucesso da produção colombiana em toda a América Latina fizesse muitos acreditarem em uma renovação infinita, a decisão de colocar um ponto final agora foi totalmente criativa e planejada.
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Por que a série foi finalizada (e não “cancelada”) na 4ª temporada?
No universo do streaming, é comum acharmos que a falta de uma nova temporada significa cancelamento por baixa audiência. Mas esse não é o caso aqui. A série cumpriu exatamente o arco de amadurecimento (coming-of-age) que havia prometido.
A proposta de Dago García sempre foi contar a transição da adolescência para a fase adulta. Na quarta temporada, vemos o grupo lidando com boletos, casamentos, luto, carreiras e até maternidade. O ator Emmanuel Restrepo (que vive o Camilo) resumiu bem a situação: esticar a série além desse ponto exigiria uma mudança brusca de gênero. A obra deixaria de ser uma trama sobre descobertas juvenis e se transformaria em uma novela adulta tradicional, perdendo a essência que nos conquistou lá no início.
Em suma, a equipe preferiu terminar a história no auge, entregando um final coerente, ao invés de forçar narrativas apenas para render mais episódios.

O mistério de Luisa: um gancho para spin-offs?
Se a série acabou, por que o final pareceu tão aberto em relação ao destino de Luisa?
Como vimos no final da temporada, Luisa desaparece após um terrível atentado terrorista em Bogotá, possivelmente sequestrada pelo grupo rebelde M-19 devido às suas habilidades médicas. O fato de Salcedo confirmar que ela não estava no necrotério deixa uma pulga atrás da orelha do público.
O roteiro recusou respostas fáceis, refletindo a dura e imprevisível realidade política da Colômbia daquela época, onde pessoas desapareciam e as famílias precisavam aprender a viver com o “luto suspenso”.
No entanto, nos bastidores da indústria, esse mistério é visto com outros olhos. Deixar o destino de Luisa em aberto (e Arbeláez vivendo com essa incerteza) é um prato cheio para que a franquia continue viva. Rumores apontam que a Netflix pode usar esse gancho para testar o engajamento do público e, quem sabe, investir em filmes ou séries derivadas (spin-offs) focados em personagens secundários, nos moldes do que acontece com grandes franquias americanas. Até o momento, nada foi oficializado, mas a porta foi estrategicamente deixada encostada.
Final explicado da temporada 4 de A Primeira Vez
Metalinguagem e a volta de Camilo e Eva
Para além das dúvidas sobre o futuro, a quarta temporada amarrou os laços principais de forma genial.
Camilo e Eva finalmente se reconciliam na porta de casa, após três anos afastados, provando que o amor deles, por mais tóxico e codependente que tenha sido em alguns momentos, é inegável. Mas a grande sacada do criador foi usar a metalinguagem para explicar a própria série.
Lembra do filme documental que Eva sempre quis fazer sobre a tribo? Ela desiste do projeto porque sente que, sem Luisa, o grupo está com a alma fraturada e a história nunca estaria completa. E o primeiro livro de Camilo, que gerou tanta treta com os amigos por causa das “licenças poéticas”?.
A resposta é linda: a série que nós maratonamos ao longo desses anos é esse projeto ganhando vida. Tudo o que assistimos é, na verdade, uma versão dramatizada das memórias de um Camilo mais velho (que narra a história), o que explica os exageros e a lente nostálgica da produção.
A tribo do 364 cresceu. E a nós, fãs, resta a saudade e a lição de que amadurecer é, quase sempre, aprender a viver com as cicatrizes — e encontrar beleza nos pedaços que restaram.















