Se você deu o play em Agente Zeta, o novo thriller de espionagem espanhol do Prime Video dirigido por Dani de la Torre, provavelmente ficou com a respiração presa até o último minuto. Com locações de tirar o fôlego que vão de uma favela no Rio de Janeiro até as ruas de Tallinn (Estônia) e Galiza, o filme promete ser a resposta ibero-americana a franquias como James Bond e Jason Bourne.
A trama, protagonizada por Mario Casas, acompanha Zeta, um agente da inteligência espanhola (CNI) que é tirado de sua licença — onde cuidava de sua mãe doente — após o assassinato simultâneo de quatro ex-agentes. Tudo parece girar em torno de um segredo de Estado enterrado há décadas, e o roteiro coescrito por Oriol Paulo não poupa reviravoltas.
Mas com tantas agências de inteligência, codinomes e conspirações se cruzando, é fácil se perder na teia de mentiras. Vamos destrinchar o que realmente acontece no clímax do filme.
Agente Zeta: confira o final explicado do filme
O que foi a Operação Ciénaga?
A resposta para quase todas as mortes do filme está escondida em 1987, na Colômbia. A Operação Ciénaga foi uma missão ultrassecreta e não oficial coordenada pelo antigo serviço de inteligência espanhol (CESID). O alvo? Uma aliança perigosa entre dois traficantes de armas e drogas de peso — Sito Baltar e Esteban Furiase — e Tirapu, um líder do braço militar do grupo terrorista basco ETA, que estava financiando ataques na Espanha com dinheiro do tráfico.
Os agentes espanhóis rastrearam os três até a Fazenda La Ciénaga, durante o Festival das Flores. A missão era neutralizá-os, mas tudo deu tragicamente errado e resultou em um banho de sangue com inúmeras vítimas civis. O governo espanhol encobriu o caso, apagou os registros e deu novas identidades aos agentes sobreviventes.
Quem é Casiel em Agente Zeta?
A grande pergunta que move a investigação da chefe do CNI, Elena (Nora Navas), e do próprio Zeta é a identidade do suposto sexto membro da operação. É aqui que o filme entrega seu maior plot twist: Casiel é, na verdade, Sara Varela, a própria mãe de Zeta. O nome “Casiel” não é aleatório; é um acrônimo formado pelas iniciais dos agentes envolvidos na missão original.
Na época, Sara era a informante mais confiável de Salvador Ancares (o quinto agente e pai de Zeta, cujo nome verdadeiro era Eric Baena). A missão de Sara era seduzir Esteban Furiase para se infiltrar na mansão do traficante. O plano foi por água abaixo no fatídico dia do Festival das Flores, quando o filho de Furiase a flagrou pelas câmeras de segurança mexendo nos documentos do pai. Ao ser descoberta, Sara abriu fogo para se defender, desencadeando o tiroteio que vitimou dezenas de inocentes.
Para protegê-la da fúria da família Furiase e do ETA, o CNI forjou seu desaparecimento e ela teve que cortar os laços com Salvador para sempre, mesmo estando grávida de Zeta. Nos momentos finais do filme, Zeta encontra uma carta escrita por sua mãe, onde ela confessa o peso de suas escolhas e a culpa que carregou por décadas, explicando por que manteve o filho longe da verdade.

A verdadeira identidade de Alfa e sua vingança
Durante boa parte do filme, Zeta é forçado a colaborar com Alfa (Mariela Garriga), uma agente da inteligência colombiana (DNI). Porém, a fachada desmorona no terceiro ato.
O verdadeiro nome de Alfa é Salome Suarez (também referida como Ainara em alguns registros). Quando era criança, ela viu sua mãe ser morta no fogo cruzado provocado por Casiel no Festival das Flores. Consumida pelo trauma, Salome treinou a vida inteira para se vingar.
Ela se aliou a Esteban Furiase Jr., o filho do traficante morto na operação, que também buscava retaliação. Juntos, eles caçaram os agentes espanhóis um por um. No entanto, para não deixar pontas soltas ou ser exposta, a própria Alfa assassina Furiase Jr. a sangue frio durante uma invasão do CNI ao esconderijo do cartel.
Salvador Ancares e Sara morrem no final?
A reta final do filme é uma montanha-russa emocional e física.
Após um interrogatório tenso com os colombianos — onde o capanga Marlon percebe que as escutas foram sabotadas —, Salvador (interpretado pelo genial Luis Zahera) percebe que Alfa é a traidora. Ele consegue avisar Zeta sobre a identidade da mãe antes de ser aparentemente morto por um franco-atirador contratado pela própria Alfa. Chegamos a ver o caixão de Salvador sendo enterrado.
Logo depois, Alfa vai até a casa de Zeta para assassinar Sara (Casiel) e completar sua vingança. Zeta chega a tempo de impedi-la. Após um confronto corpo a corpo intenso, Alfa atira no peito de Zeta, mas ele é salvo por um colete à prova de balas. Zeta revida, baleando Alfa, mas toma uma decisão surpreendente: em vez de matá-la ou entregá-la à polícia, ele chama uma ambulância. Ele escolhe quebrar o ciclo de vingança por entender a dor da agente colombiana de ter perdido a mãe na tragédia.
E a grande reviravolta final? Salvador Ancares não morreu. Fiel ao seu instinto de veterano espião paranoico, ele forjou o próprio assassinato para escapar definitivamente do radar dos inimigos. Na última cena, Zeta vai até uma casa remota e encontra o pai pescando tranquilamente, vivendo com sua nova família. É um reencontro silencioso que sela a paz entre pai e filho, encerrando os fantasmas da Operação Ciénaga de uma vez por todas.

















