‘As Tias’ (Las Tias) tropeça em clichês e na falta de ousadia
Wilson Spiler12/12/20243 Mins de Leitura626
Foto: Prime Video / Divulgação
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O gênero de terror é uma das formas mais intrigantes de explorar os limites emocionais do público. “As Tias” (Las Tías), filme dirigido por Felipe Martínez Amador, busca alcançar essa profundidade ao unir o sobrenatural com questões familiares complexas.
A obra, que está disponível no catálogo do Prime Video, conta com um elenco talentoso liderado por Ximena Sariñana e Camila Núñez. Embora o filme tenha momentos de impacto emocional, tropeça ao depender de clichês já saturados no gênero.
Mariana, interpretada por Ximena Sariñana, é uma mãe solteira determinada a ajudar sua filha autista, Lola (Camila Núñez), a se comunicar. Para isso, muda-se para uma antiga casa de família repleta de segredos sombrios.
Inicialmente, a terapia parece funcionar milagrosamente quando Lola começa a falar. Contudo, Mariana logo percebe que a menina entrou em contato com entidades torturadas do local, espíritos que buscam ajustar contas com o passado. O que começa como uma jornada de esperança transforma-se em um pesadelo envolvendo traumas e o peso da culpa familiar.
“Las Tías” destaca-se pela atuação de Camila Núñez, cuja interpretação de Lola é genuína e comovente. A jovem atriz, que utilizou experiências pessoais e visitas a centros de autismo para compor sua personagem, entrega uma performance sensível e marcante.
Ximena Sariñana também impressiona em seu primeiro papel de protagonista em um filme de terror, especialmente ao traduzir a luta interna de Mariana em meio à desintegração emocional e ao horror crescente.
Estereótipos e clichês
No entanto, o roteiro de Martín Florio não consegue escapar dos estereótipos do gênero. Elementos como casas assombradas, espíritos vingativos e decisões ilógicas dos personagens, como explorar ambientes sombrios com uma simples chama de fósforo, tornam-se previsíveis.
A construção de tensão é prejudicada por sustos artificiais que já vimos em produções como Invocação do Mal e Hereditário. Mesmo os momentos emocionais, que deveriam ser o ponto forte do filme, perdem impacto devido a diálogos pouco desenvolvidos.
Apesar de uma atmosfera visual interessante, com uma direção de arte e efeitos práticos que conseguem criar um ambiente opressivo e sinistro, o uso excessivo de cenas escuras e closes abruptos dilui a imersão. Além disso, o filme carece de criatividade no clímax, com um desfecho que decepciona por ser previsível e simplista.
“As Tias” tenta explorar o terror psicológico enquanto aborda temas sensíveis como o autismo e o trauma familiar. Apesar das atuações inspiradas de seu elenco principal e de algumas escolhas visuais interessantes, o filme tropeça em clichês e na falta de ousadia narrativa.
Formado em Design Gráfico, Pós-graduado em Jornalismo e especializado em Jornalismo Cultural, com passagens por grandes redações como TV Globo, Globonews, SRZD e Ultraverso.