Filmes de tubarão e desastres naturais já são praticamente uma instituição do cinema de entretenimento. Sabe aquele tipo de filme que mistura a força imparável da natureza com predadores famintos por sangue? É exatamente essa a premissa de “Ataque Brutal” (Thrash), a nova aposta da Netflix que chegou ao catálogo de streaming após ter seu lançamento nos cinemas descartado pela Sony.
Com direção do norueguês Tommy Wirkola, que já provou saber misturar terror, ação e galhofa em filmes como “Zumbis na Neve” e “Noite Infeliz”, o longa promete adrenalina pura. A questão que fica é: será que o filme realmente consegue entregar a tensão prometida ou morre na praia?
Sinopse
A trama nos joga diretamente no olho do furacão — literalmente. A cidade costeira de Annieville, na Carolina do Sul, entra em colapso com a chegada do devastador furacão Henry, uma tempestade gigantesca de categoria 5. Quando os diques da região se rompem e as águas do oceano invadem as ruas, os moradores que não conseguiram fugir ficam ilhados em um cenário de destruição.
Porém, o verdadeiro pesadelo começa quando a enchente traz junto um cardume de tubarões-cabeça-chata (e uma grande-branca grávida e esfomeada), que transformam a cidade submersa em seu novo campo de caça.
No meio do caos, acompanhamos diferentes sobreviventes: Lisa (Phoebe Dynevor), uma mulher grávida em trabalho de parto ilhada no próprio carro; Dakota (Whitney Peak), uma jovem agorafóbica presa em casa; o cientista Dale (Djimon Hounsou), que tenta resgatar a sobrinha; e os jovens irmãos Olsen, que foram abandonados por seus péssimos pais adotivos.
Crítica do filme Ataque Brutal
A sombra de outros filmes e a falta de foco
É praticamente impossível assistir a “Ataque Brutal” sem lembrar de “Predadores Assassinos”, longa de Alexandre Aja que fez algo muito parecido, só que com jacarés. Só que, enquanto o filme dos jacarés brilhava ao focar a tensão num ambiente minúsculo e claustrofóbico com poucos personagens, o longa de Wirkola peca ao tentar abraçar o mundo.
Em vez de construir uma atmosfera que te faça roer as unhas, o roteiro fica pulando freneticamente entre os vários núcleos de sobreviventes. O maior exemplo desse problema é o grupo das crianças Olsen, que parece existir em um filme completamente à parte, cujas ações em nada afetam ou cruzam o caminho das protagonistas principais. Isso acaba quebrando totalmente o ritmo e o peso dramático da história.

Personagens vazios e decisões duvidosas
Se você gosta de torcer por protagonistas inteligentes, esse pode não ser o seu filme. Os personagens são bem superficiais e, para piorar, muitas vezes se colocam em risco pelas próprias escolhas ruins. A agorafobia de Dakota, por exemplo, tinha tudo para ser um ótimo gatilho psicológico num cenário onde ela é obrigada a sair de casa para sobreviver, mas a condição acaba sendo usada apenas como uma muleta preguiçosa de roteiro.
Já a personagem de Phoebe Dynevor vive um absurdo atrás do outro: ela está dando à luz no meio de uma enchente infestada de tubarões, e o roteiro ainda tenta arrancar drama fazendo-a ter conversas motivacionais com o bebê na barriga. Além disso, é de dar pena ver um ator com a presença de Djimon Hounsou desperdiçado soltando diálogos expositivos sobre o comportamento dos animais, falas que são muito difíceis de se levar a sério.
Efeitos práticos e um mar de sangue
Apesar dos tropeços na história, é justo reconhecer que a execução visual teve seus méritos. A produção enfrentou o inverno gelado de Melbourne, na Austrália, gravando em tanques de água externos que obrigaram o elenco a usar roupas de mergulho por baixo do figurino para não congelar. E, esteticamente, a cidade destruída convence muito bem.
O diretor também soube aproveitar a classificação indicativa alta, não poupando nos palavrões e entregando mutilações no nível que os fãs de terror exigem, com direito até a um caminhão de carne tombando e jogando sangue na água para atrair os bichos. O grande revés aqui é que, mesmo com a carnificina, as feras pecam pela falta de presença; você vê os dentes e o sangue espirrando, mas a ameaça quase nunca soa realista ou genuinamente assustadora.
A indecisão entre o sério e a galhofa
O que realmente impede “Ataque Brutal” de ser marcante é a sua indecisão de identidade. Tommy Wirkola tenta criar um tom de filme-catástrofe super sério, puxando debates sobre mudanças climáticas e a fúria da natureza, mas ao mesmo tempo enfia no roteiro ideias completamente absurdas (tipo a tubarão fêmea estar grávida no mesmo momento que a protagonista).
Faltou aquela coragem de chutar o balde de vez e abraçar o espírito caótico e irônico de um filme B, algo que o diretor sabe muito bem como fazer. Se o filme se levasse menos a sério, o resultado certamente seria muito mais memorável.
Conclusão
No fim das contas, “Ataque Brutal” não inventa a roda e passa longe de ser um filme memorável, mas sabe ser o entretenimento mastigado que a gente procura quando quer apenas desligar a cabeça numa sexta-feira à noite. Ele dura apenas cerca de 86 minutos, sendo ágil o bastante para acabar antes que você fique realmente entediado com as falhas do roteiro.
Se você for fã incondicional do subgênero de “animais assassinos” e quiser ver uma bagunça aquática recheada de decisões estúpidas e alguns sustos sangrentos, o filme serve como um ótimo passatempo descartável. Mas, se estiver buscando um suspense afiado e claustrofóbico de verdade, é melhor procurar em águas mais profundas.
Trailer do filme Ataque Brutal (2026)
Elenco de Ataque Brutal, da Netflix
- Phoebe Dynevor
- Whitney Peak
- Djimon Hounsou
- Matt Nable
- Andrew Lees
- Alyla Browne
- Stacy Clausen
- Dante Ubaldi















